14 de jan de 2016

Mediunidade IV

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ANIMISMO, SUAS CAUSAS E PERIGOS – MISTIFICAÇÃO 

Animismo – este é um sintoma causado por uma espécie de trauma do mau desenvolvimento mediúnico; Como visto no texto “mediunidade II”, temos três tipos de incorporação mediúnica: médium intuitivo, médium consciente e o médium inconsciente. O perigo do animismo está diante a mediunidade intuitiva, onde o espírito não desdobra o perispírito do médium e lhe passa apenas intuições que são fáceis de serem destorcidas pelo próprio médium. Neste
momento, se ocorrer uma confusão entre a mediunidade intuitiva e uma das faculdades mediúnicas que é a mecânica, no caso a consciente, certamente causará o animismo do médium.


E o que exatamente é o animismo?

É quando o médium não se encontra incorporado com algum guia ou demais espíritos, porém, acredita cegamente que está em processo de incorporação, agindo somente por impulso próprio!


Mas o que causa o animismo?

O animismo é causado quando o médium intuitivo pensa estar no fator mecânico, ou seja, pensa que seu perispírito está desdobrado e o espírito do guia está em seu lugar, acreditando que sua leve intuição e impulsos são causados de fato por uma incorporação mecânica, posteriormente a incorporação consciente!

O fato de não haver uma orientação devida perante o desenvolvimento de um médium de incorporação pode causar o animismo, que popularmente falando é um cacoete ou doença do perispírito, que ao sentir vibrações causadas por emoções ou leves intuições espirituais, manda falsas informações ligadas à incorporação, desta forma o médium em questão passa a acreditar que está sofrendo influências espirituais através da incorporação mediúnica.

Quando uma pessoa passa pela mediunidade intuitiva, aquela que o espírito incorpora no perispírito, deixando o médium totalmente voluntário, não obtendo clareza das informações passadas pelo espírito incorporado, esta tem que ter absoluto discernimento sobre sua devida situação, e pra isso é necessário a orientação de alguém responsável e coerente, no caso um dirigente espiritual, pois, jamais esta pessoa em faculdade intuitiva pode ter autorização para dar consultas e na Umbanda até mesmo passes. No caso da Umbanda, o médium intuitivo fica em procedimento de desenvolvimento mediúnico, onde se trabalha para que seu perispírito desdobre e deixe o espírito (Guia espiritual) em questão passar sua frente e incorporar através do mecanismo, seja ele consciente ou inconsciente, desta forma, o espírito ao incorporar, deixará o médium totalmente involuntário, no máximo num semi-mecanismo, onde ser voluntário será apenas questão de reflexos diante a incorporação, o que chamamos de oscilações, quando o perispírito desdobra e volta tentando retomar seu posto. Se o médium intuitivo obtiver uma orientação de que esta intuição trata-se de um mecanismo que lhe deixa consciente, certamente este médium sofrerá do mal do animismo. Porque ao estar incorporado através da intuição, ou seja, agindo voluntariamente perante a incorporação, logo desvirtuará as mensagens do guia espiritual, colocando suas imaginações na frente, se isto crescer, o guia espiritual ou os guias espirituais se afastarão do médium, justamente para não causarem nenhum dano aos que se consultarão com eles através deste médium, sendo assim, aparece o grande perigo do médium continuar agindo por si próprio na ausência de seus guias, pensando que aquela leve emoção e energia tratam-se de guias espirituais se aproximando e posteriormente incorporando nele, deste modo tal médium agirá somente por impulsos, dando ouvidos ao seu subconsciente, obtendo a ausência de guias espirituais, se tornando vulnerável a qualquer tipo de influência, colocando em risco aqueles que acreditam na presença de algo espiritual incorporado e se tornando fiel as suas próprias filosofias, idéias e teorias, advindas apenas de um subconsciente ferido pelo mau-desenvolvimento mediúnico, isto é exatamente o que causa o animismo, suas conseqüências e a exposição de terceiros diante o perigo desta má formação mediúnica.

O médium que sofre do animismo na maioria das vezes é vítima da falta de coerência e prudência que se tem entre muitos dirigentes espirituais, mas nos tempos de hoje, o animismo se tornou numa espécie de “praga urbana” que invadiu a Umbanda, simplesmente porque muitos que sofrem do mesmo abriram tendas de Umbanda e desenvolveram pessoas com este mal. É difícil convencer alguém de que está sofrendo do animismo, este não tem consciência do que ocorre com ele, age pelo subconsciente que trabalha perante o cacoete do perispírito, que emana falsas informações através de quaisquer tipos de vibrações, principalmente as causadas pela emoção, diante esta situação, primeiramente cabe a um dirigente espiritual competente, convencer a pessoa sobre a situação de seu animismo ou pré-animismo, depois vem um trabalho árduo que é desfazer o cacoete do perispírito, fazendo o mesmo se desdobrar e deixar que guias espirituais ou demais espíritos possam usufruir do mecanismo para com o seu médium, é um retorno ao desenvolvimento mediúnico ainda mais complexo e talvez mais demorado. 

O que é a mistificação do médium?

Esta resposta é simples, a mistificação nada tem a ver com o animismo, sendo que esta é um ato totalmente consciente do individuo, onde com segundas intenções finge estar no processo de incorporação mediúnica, praticando o charlatanismo para iludir e enganar terceiros, geralmente a fins de benefícios próprios como dinheiro e bens materiais. Mas existe outro tipo de mistificação, muito difícil na Umbanda, porém, acontece;

Existe a mistificação de um espírito, no qual este realmente incorpora no médium, o deixando dentro de um mecanismo consciente ou inconsciente, porém, este espírito é baixo, se passa por outros espíritos, principalmente guias espirituais, buscando sempre interesses próprios, em alguns casos este tipo de espírito faz o médium em questão passar vexame, agindo nele espalhafatosamente, a fim de zombar do ambiente e das pessoas que ali estão, chamamos isto de mistificação do espírito.


Por: Carlos Pavão