12 de jan de 2016

Mediunidade II

O médium inspirado

Esta mediunidade consiste numa comunicação com a espiritualidade de forma mais despercebida. É quando a comunicação parte do interior da pessoa, através de uma vidência e audição embutida nos pensamentos dela, o guia espiritual se comunica usando o pensamento do indivíduo. É como uma imaginação involuntária, onde se é mostrado fatos desconhecidos ou comunicados a respeito dos mesmos através dos pensamentos do médium.

É muito delicado saber lidar com esse tipo de mediunidade, pois ela só é válida perante os resultados concretos, perguntas e respostas dinâmicas, sem nenhum tipo de margem para palpites de sorte, como ``jogar verde para colher maduro’’.
Na Umbanda é muito comum esta percepção mediúnica naqueles que não carregam consigo o fator da incorporação mediúnica, como os Ogãs ou Atabaqueiros, que em sua maioria são médiuns inspirados, porém, isto está longe de ser uma via de regra, já que outros médiuns com diferentes tipos de mediunidades podem ter este conceito mediúnico com eles.

Este tipo de mediunidade não é coligado com a questão do ato da incorporação mediúnica, não fortalece e nem favorece aqueles que são médiuns de incorporação, às vezes pode trazer para quem a tem, o privilégio da percepção adiantada de qual guia espiritual está próximo ou chegando para fins da incorporação. Embora aparentemente parecesses ser uma mediunidade simples e comum, não é fácil encontrar médiuns inspirados, são poucos aqueles que são, ocorre é que muitos confundem o fator da sensibilidade mediúnica com a mediunidade inspirada, e outros confundem palpites e coincidências com a mesma, o que é totalmente fora de questão.

Os tipos de mediunidades coligadas ao ato da incorporação mediúnica

Antes de entrar nos tipos de mediunidades coligadas ao ato da incorporação mediúnica, é importar citar para aqueles que não sabem, que nosso espírito quando interlaçado ao nosso corpo físico se chama perispírito, numa linguagem popular definimos como a nossa alma. Outro fator de grande importância a ser citado, é a questão de que nosso espírito não fica dentro de nosso corpo físico, e sim, atrás do mesmo, entrelaçado por uma espécie de cordão espiritual que o une a nossa matéria, este cordão tem a condição de se estender sem limites, isto ocorre quando nosso perispírito se afasta do corpo, o nome dado a este afastamento é desdobramento, ou seja, o perispírito se desdobra, é muito comum ocorrer este desdobramento ao dormir e também perante a incorporação mediúnica. Quando este cordão se rompe, é dado o momento em que definitivamente o perispírito se desliga do corpo físico e entra na condição de espírito, popularmente, conhecemos como a hora da morte.

Médium intuitivo

Este médium se torna totalmente voluntário, podendo responder a incorporação de forma facultativa, pois, ele corresponde um sentido de intuição que o guia espiritual lhe passa, fazendo então facultativamente os movimentos e gestos que o guia lhe intuir a fazer. Isto ocorre porque no momento da incorporação, o guia espiritual usufrui do perispírito do médium, fazendo por onde incorporar no mesmo, sem fazê-lo entrar em processo de desdobramento, o Guia espiritual nesta ocasião, se encontra por trás do perispírito do médium e não à frente. É por este motivo que o médium intuitivo tem a condição de ser totalmente voluntário no momento da incorporação do guia espiritual.

Médium inconsciente (mecânico)

Este médium ao estar incorporado age totalmente involuntariamente, não participa dos atos do guia espiritual em questão, entra num processo de sono, não se lembra de nada e não assiste o ato mediúnico. Isto ocorre porque no momento exato da incorporação há um desdobramento distante do perispírito do médium, no qual não fica próximo do guia espiritual que no momento está a sua frente, tomando exatamente o seu lugar perante o corpo físico do médium.

Médium Consciente (semimecânico)

Este médium ao estar incorporado se encontra na condição de espectador do ato mediúnico em questão, porém, também age de forma involuntária, sem o domínio da incorporação e sem decidir se concorda ou não com os atos ou mensagens a serem transmitido pelo guia espiritual incorporado. Embora o médium consciente se encontre pensante durante a incorporação, há uma diferença muito grande para o médium intuitivo, e esta diferença está na condição de não ser facultativo, pois o médium intuitivo tem o domínio sobre o Guia espiritual, decidindo fazer ou não o que lhe é transmitido e o médium consciente não, este não tem nenhum domínio sobre o Guia espiritual, apenas assiste o ato da incorporação mediúnica obtendo alguns sentidos, e mesmo assim, pode ocorrer e na maioria dos casos ocorre dos sentidos não funcionarem normalmente, por exemplo: conseguir enxergar, porém, com muita nebulosidade ou dificuldade, assim ocorre com a audição, na qual fica falha. A princípio o médium consciente pode obter a dúvida se está na faculdade da mediunidade intuitiva, mas como havia dito, a diferença está na questão de ser voluntário ou não, e o médium consciente assim como o inconsciente é totalmente involuntário, apenas assiste os ocorridos, e na maioria das vezes não tem a possibilidade de se lembrar com clareza dos mesmos , ao lembrar tudo fica bem distorcido e ao tentar afirmar o que viu e escutou, pode entrar numa grande controversa que desvirtuará os fatos. Na consciência a princípio o pensamento passa pela mente e a fala vem, depois passa pela mente e a fala vem rapidamente, e logo o pensamento passa pela mente e fala, ou seja, a fala fica simultaneamente com o pensamento, sem tempo para qualquer tipo de controle, quando isto não ocorre, então o médium começa a entrar na faculdade intuitiva, e quando um médium consciente passa a entrar neste processo intuitivo, dizemos que ele está entrando numa oscilação. Pois, o processo da incorporação do médium consciente é o mesmo do inconsciente, por isso é chamado de semimecânico, a diferença é que este médium fica como o título de sua mediunidade, consciente. O médium consciente também entra em desdobramento total e o guia espiritual incorpora no médium e não no perispírito, a única diferença do processo do inconsciente, é que mesmo o perispírito estando atrás do guia espiritual incorporado, o mesmo fica perto de tal guia, fazendo por onde deixar o médium em estado de consciência.

A oscilação pode ocorrer em ambas às condições, consciente e inconsciente, já que a intuitiva perante o ideal do culto umbandista é considerada um ato de oscilação constante pela razão do médium estar num estado facultativo para com o guia espiritual. O estado de oscilação ocorre quando o guia espiritual incorporado, da frente passa para trás do perispírito, quando isto ocorre com o médium inconsciente, começa um desligamento na incorporação até o guia espiritual desincorporar, quando ocorre com o médium consciente, o mesmo passa a entrar na condição intuitiva, e como já está habituado a ser involuntário, pode passar a frente do guia espiritual e distorcer a transmissão mediúnica, portanto, nesses casos, quando o médium consciente entra em oscilação o guia se afirma e se mantém a frente do perispírito ou se afasta desincorporando do médium, justamente para não haver controversas na mensagem espiritual. Mas no templo umbandista, tudo isso é assistido e reparado durante o processo de desenvolvimento mediúnico, desta forma deixando raros os casos de oscilação do médium.

Existem outros tipos de mediunidades, que parte do individualismo de cada um, como um dom no qual você nasce com ele. Existe o médium vidente, auditivo, sensitivo, entre outros, creio não precisar ilustrar sobre essas mediunidades, já que as denominações das mesmas já explica o que elas causam, pois o médium vidente tem a possibilidade de ver espíritos, o auditivo de escutá-los e o sensitivo de senti-los. Uma pessoa pode ter somente um tipo de mediunidade, alguns tipos, vários ou todos os tipos, mas é muito raro quem tem todos os sintomas mediúnicos. 


Por: Carlos Pavão