5 de jan de 2016

Eu sou umbandista!

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Em recente e-mail, postei para um dos vários fóruns de discussão que participo a seguinte frase: “Eu sou um templo, um templo eu sou, portanto, para onde vou o templo que sou, vai comigo!

Antes de ser um mero jogo de palavras, ou uma tentativa pífia de criar uma rima, esta frase representa uma realidade já bastante divulgada
pelos ensinamentos ocultos, esotéricos e de todas as religiões, mas pouco reconhecida ou percebida pelos adeptos: nosso corpo é um templo vivo!

Templo-alma em que se abriga para peregrinar pelas reencarnações, nós, os seres espirituais. Corpo este que compartimentaliza os diversos veículos do nosso espírito, em que se insula o micro-universo e o digno lócus da tríade existencial: físico, astral e mental.

Templo-ninho da fé, sede dos processos cognitivos e sensitivos do religare, por isso, entre tantos motivos, o nosso corpo é sagrado.

Ser e Estar se rivalizam em nosso corpo, o profanamos muito mais que o sacralizamos e embora vivamos a constante dicotomia desequilíbrio e harmonia uma coisa é certa dizermos, somente vivenciamos a plenitude de uma realidade no mundo exterior se ela for verdade em nosso mundo interior. O mundo interior está circunscrito neste plano espaço-temporal da reencarnação, pela densidade limítrofe do nosso corpo físico.

Se conscientizados deste fato, podemos sem sombra de dúvidas pronunciar que somos umbandistas as 24 horas do dia, pois se o corpo e tudo que nele está contido é o templo-ninho da fé, é também o templo pessoal da nossa religião.

Assim, entendo o motivo do meu amigo Robson Sciola (Binho) – velhinho rabugento – pronunciar com tanta enfâse: “Meu terreiro é o mundo”. O mundo é seu terreiro por que ele (Binho) vive nele (mundo). Voltamos então para o início: “Eu sou um templo, um templo eu sou, portanto, para onde vou o templo que sou, vai comigo!

Somente somos umbandistas porque antes de sermos nos terreiros que frequentamos, o somos dentro de nós, ou seja, é uma verdade que reside em nosso mundo interior. Se isto não ocorrer, apenas “estamos” umbandistas.

"Estar" umbandista é muitas vezes um estado de farisaísmo, de representação exterior, de ser um mero obedecedor de regras, cumpridor de preceitos, repetindo posturas e gestos, decorando textos, livros e cânticos, imitador do comportamento dos outros, reverberador de mitos, lendas, fantasias e superstições, se deslumbrando com o maravilhoso, vendo em tudo o fantástico e o sobrenatural e servindo de mero repositório para o conhecimento alheio. De si muito pouco, pois raciocinar dói.

No movimento umbandista é fácil detectar os que "estão" umbandistas, sejam adeptos ou dirigentes:
  • Os que desejam exibir a riqueza e beleza de seus fardamentos;
  • Os que se preocupam demais com a exuberância dos ornamentos e a qualidade dos produtos (ferramentas e instrumentos de trabalho) utilizados por suas entidades;
  • Os que somente enxergam a importância e o glamour das festas de seus terreiros, com muita fartura e abundância na decoração, comida, bebida e convidados ;
  • Buscam desesperadamente quantidade e não qualidade de filhos-de-santo;
  • Todos para os quais Pai/Mãe-de-Santo passam a ser a sua religião.
E, mais:
  • A exibição mediúnica;
  • A demonstração de poder e domínio;
  • A arrogância e prepotência a flor da pele;
  • Os “donos-da-verdade” absoluta;
  • A facilidade com que demandam os outros, ou os que enxergam em tudo uma demanda;
  • A miopia de transformar as giras em um show;
  • A necessidade de cobrança financeira para tudo e na frente de qualquer questão;
  • A intolerância intra-religiosa;
  • O culto a personalidade.
Estão umbandistas também, os que conscientes ou inconscientes se deixam envolver por esta teia de egolatria e poder.

Diante destas situações listadas, concluímos que todas representam o "Estar" umbandista, porque as pessoas inseridas neste quadro se consideram umbandistas. A verdade, cá entre nós, elas são ou estão qualquer coisa, menos umbandistas.

Nós começamos a descobrir que somos umbandistas, quando conseguimos compreender que a Umbanda não está restrita as quatro paredes de um terreiro ou definida pelo direcionamento exclusivo de um Sacerdote/Sacerdotisa. A Umbanda, como sempre digo é uma gnose completa em si mesma, é libertação e promotora da auto-consciência dos seus filhos. Terreiros são necessários como o lugar sagrado para a manifestação religiosa (Rito, Liturgia, trabalhos mediúnicos etc.),Sacerdotes/Sacerdotisas são apenas facilitadores e orientadores para a plena realização deste processo.

No fim, parafraseando Paulo - o apóstolo - somos umbandistas quando pronunciamos de alma: "Não sou mais eu que vivo, mas a Umbanda que vive em mim".

Pense nisso amigo leitor! Descubra se sua vida diz: "ESTOU umbandista, ou SOU umbandista!


Por: Pai Caio de Omulu