1 de dez de 2015

Roupagem fluídica na Umbanda - Por Pai Carlos D'Ogum (Carlos Pavão)

Roupagem fluídica é uma forma de camuflagem que os espíritos usam para se mostrarem com diferentes aparências, usam de outras imagens (aparências) que não são as suas, se utilizando da manipulação de fluídos para isso. É muito comum isto ocorrer na espiritualidade, tanto por guias espirituais, como por outros tantos espíritos, independente de sua elevação espiritual. Muitos opositores, obsessores ou os zombeteiros utilizam deste artifício para enganar os encarnados e desencarnados, geralmente esses tipos de espíritos sempre estão vestindo algum tipo de roupagem, nunca se mostram como eram em vida.

Na Umbanda a roupagem é utilizada entre os Guias espirituais, porém, não do jeito que muitos andam dizendo. Nenhum doutor de etnia passada branca vem vestido de Preto Velho ou índio, muito menos de Ibeijada/Criança, isto não é necessário na Umbanda, até porque, a designação dos Guias que regem a Umbanda não é a mesma que a designação de Guias que regem outras doutrinas como o espiritismo. É importante saber que na espiritualidade não existe o melhor, mas sim aqueles que seguem funções diferenciadas em prol de um só objetivo, que é a elevação dos espíritos, portanto, não tem cabimento o dito uso da roupagem fluídica como disfarce dos doutores ou brancos em cultos afro-brasileiros, dizer isso é atestar a falta de conhecimento sobre a espiritualidade e sobre a Umbanda. Os Guias que regem mais os estudos que adentram a doutrina Espírita estão focados num esclarecimento geral, para assim atingirem o mundo sem que as pessoas se afastem de suas religiões, mas sim, passem a ter um conhecimento devido sobre a espiritualidade num todo. A Umbanda é uma religião, os Guias que também colaboram com esta orientação geral por serem espíritos, vêm na Umbanda focados na filosofia religiosa da mesma e não focados em esclarecimentos sobre evangelhos, desvendamentos históricos que coligam a espiritualidade, etc. Os Guias na Umbanda vêm focando a elevação de nosso espírito em nossa passagem pelo plano físico, assim tentam equilibrar nossa moralidade que atinge diretamente nossas almas, os Guias que trabalham na Umbanda não vêm a nós para falarem de suas vidas passadas ou dos pontos históricos que souberam e viveram, eles vêm a nós para nos ajudar, nos orientar perante o dinamismo do culto que eles mesmos doutrinaram, por isso a roupagem fluídica na Umbanda ocorre de uma forma totalmente diferente do que pregam pelos livros ou palestras que dizem respeito a este tema na Umbanda.

Os guias espirituais que trabalham na Umbanda são velhos de espiritualidade, ou seja, a maioria deles desencarnou há muito tempo, principalmente os Exus, Caboclos de Pena e Pretos Velhos, portanto, muitos deles podem ter tido passagens importantes na história do país e do mundo, se não tiveram pessoalmente passagens históricas importantes, ao menos presenciaram as mesmas, alguns mesmos como os Exus, nos quais são muito do que chamamos de ``velhos de aruanda’’, podem ter tido envolvimentos em marcos importantíssimos da história do mundo, por isso a maioria dos Guias de Umbanda se disfarça em suas aparências perante o uso da roupagem fluídica. Mas como funciona isso na Umbanda?

O funcionamento da roupagem na Umbanda varia conforme a linhagem dos Guias, por exemplo: Os Caboclos de Pena, Boiadeiros, Pretos Velhos, Ibeijadas, Baianos e Marinheiros, na maioria das vezes não mostram as suas aparências físicas da última encarnação, porém, se mostram dentro do que foram na última vida, ou seja, um Caboclo de Pena não se mostra em sua última aparência física, mas se mostra como o índio que foi na última vida, tentando mesclar na roupagem a origem indígena que obteve na última encarnação com alguns preceitos que traz da espiritualidade, assim ocorre com os outros guias citados. A maioria dos guias de Umbanda faz isso justamente para não ocorrer especulações entre adeptos e consulentes nos cultos umbandistas, pois, se muitos souberem muito sobre a última encarnação de algum guia espiritual, iriam desvirtuar o objetivo da Umbanda para tentarem obter respostas históricas, isto acabaria com o foco da Umbanda para com o seu objetivo espiritual. Também ocorre esta camuflagem com a utilização da roupagem fluídica, para os guias espirituais não correrem o risco de seus familiares o encontrarem, ou pessoas de suas árvores genealógicas, isto seria um tormento para as pessoas e para os próprios guias, sem dizer que ficaria nítida a mudança de objetivo do qual preza a doutrina umbandista.

Com isso também, a roupagem acaba servindo para a aparência de guias espirituais que pertencem uma mesma falange, por exemplo: A falange do Caboclo Pena Branca, onde teremos diversos Caboclos que se apresentarão com o mesmo nome, trazendo o arquétipo e a aparência do dono desta falange (Caboclo Pena Branca), frisando que dentro de todo um arquétipo que tais Caboclos trouxerem do chefe da falange pertencente, os mesmos trarão consigo seus preceitos espirituais e outros pontos específicos que cabem aos seus individualismos. A roupagem na Umbanda funciona desta maneira, também com algumas diversidades dependendo das linhas e do individualismo de cada guia espiritual, os Baianos, por exemplo, muitos utilizam da roupagem para o fator das falanges, ou seja, se vestem com a aparência do dono da falange da qual pertencem, porém, muitos Baianos(as) não se utilizam de roupagens, usam da última aparência física que obtiveram.

O uso da roupagem fluídica é total se tratando dos Exus e Pomba Giras, os mesmos por se envolverem por de trás de tanto s mistérios e enigmas espirituais, se utilizam de uma roupagem totalmente diferente do que foram em vida, eles se baseiam em seus enigmas espirituais num todo (várias encarnações, preceitos espirituais, campos de atuações, etc.) para se mostrarem, ou seja, para obterem suas aparências, assim temos um exemplo clássico do famoso Exu Caveira, que se esconde atrás da imagem de uma Caveira, justamente vestindo uma roupagem que demonstra seus enigmas e talvez que dê algum tipo de pista sobre suas últimas ou mais importante reencarnação. Os Exus também usam da roupagem fluídica para outros aspectos mais ligados a espiritualidade, sem o foco necessário religioso, nos quais se disfarçam para adentrarem submundos e fazerem a vigilância em benefício de nossa proteção e da proteção dos espíritos em busca da evolução, também é muito comum diante certa ironia dos Exus, se mostrarem para videntes ou pessoas que por acaso os vejam, de uma forma mais medonha, justamente para ironizar o medo que muitos carregam de Exu, através de distorções de conceitos do que realmente são, como a insistência de muitos em compará-los ou chamá-los de ``demônios’’ . Para mais informações sobre os Exus, acessem meu outro blog, onde falo exclusivamente sobre eles: http://noreinodosexus.blogspot.com.br/

Os Exus usam este disfarce de aparência usufruindo da roupagem fluídica, justamente para não ocorrer especulações de diversas pessoas sobre quem foram eles, eles (Exus) sabem que se revelarem suas aparências e quem foram nas últimas reencarnações, causarão um grande tumulto, onde obviamente desvirtuará todo o objetivo espiritual da Umbanda.

Existe o uso desta roupagem para as crianças, ou seja, os Ibeijadas?

Olha, existe sim, mas não como falam por aí, onde um adulto se disfarça de criança para trazer a essência da mesma a nós, isto chega a ser cômico, sem dizer totalmente contraditório, já que para trazer a essência de uma criança, somente sendo criança. A roupagem dos Ibeijadas é utilizada no fator das falanges da qual citei e no fator de esconderem a verdadeira fisionomia para não correrem o risco de especulações num geral. Eu estava prestes a fazer um artigo somente para os Ibeijadas/Crianças que incorporam na Umbanda, mas vou aproveitar o tema da roupagem fluídica e emendar um assunto no outro. Existe um fator espiritual importante a respeito desses Guias que muitos não param para pensar, como sabemos tudo na espiritualidade ocorre diante escolhas que as fazemos utilizando de nosso livre arbítrio. Existe uma incógnita a respeito do conhecimento espiritual que traz um Ibeijada, sabendo que uma criança para absorver conhecimentos necessita do tempo, ou seja, de se tornar adulto, por isso, existe um fator interessante, onde, por exemplo, um desencarnado e capacitado a ser guia espiritual, no qual carrega a essência de um índio, médico, ou qualquer outra especificação ou origem desencarnando adulto, decide por orientação espiritual, reencarnar na condição do desencarne ainda criança, para que então na Terra possa cumprir com algo que ensinará a família desta criança ou pessoas em torno dela e trazer a essência da pureza de uma criança como última reencarnação, assim tendo a lembrança do que foi na penúltima vida ou nas últimas vidas, mas trabalhando espiritualmente na utilização de sua última essência e aparência como criança, assim fazendo por onde trazer a nós esta pureza do ser criança e a sabedoria absorvida do que fazia em outras vidas, então este ser espiritual que conhecemos como Ibeijadas, vem a nós como foi na última vida (criança), mas trazendo numa espécie de memória espiritual, todo um arquivamento cheio de sabedoria e conhecimentos diversos.

Bem, voltando ao assunto principal, percebe-se o porquê do uso da roupagem fluídica na Umbanda. Simplesmente a mesma serve para preservar o próprio objetivo espiritual da Umbanda, e não servindo como disfarces de doutores, europeus, entre outros nas diversas linhas de um culto afro-brasileiro, isto iria desmerecer as próprias tradições, pois dizer que doutores ricos, brancos e europeus se disfarçam para trabalharem na Umbanda e orientar o povo que preza as tradições afro-brasileiras, é de certa forma discriminar a sabedoria da outras etnias, principalmente discriminar os negros, índios, mestiços e outros, insinuando por entrelinhas que os mesmos são inferiores aos vulgos médicos e europeus, fazendo por onde levar um conceito errôneo do ser humano para espiritualidade, na qual sabemos que espíritos não tem cor e nem sexo, porém, se mostram perante os aprendizados que obtiveram nas últimas vidas e principalmente na última encarnação, onde refletirão a nós toda a sabedoria que absorveram nesta última passagem em vida física. Agora dizer que somente os conceitos de um doutor médico ou europeu podem valer como orientações mesmo que por entrelinhas, é o mesmo que desmerecer a própria religião, na qual abrange todas as devidas orientações, indiferentes de suas origens terrenas. O maior cuidado que o ser humano tem que ter principalmente perante a Umbanda, é em não colocar princípios ou conceitos particulares que farão por onde desvirtuar os princípios desta religião já formalizada pelo plano espiritual.


Por: Carlos Pavão