8 de dez de 2015

OXUM… Ela está dentro de nós!

Axé pessoal! Acredito que quase todos os terreiros do Brasil e do mundo comemoraram o Dia dos Pretos Velhos no final de semana passada. Também acredito que quase todos os médiuns choraram, reafirmaram sua Fé, aliviaram sua alma e se sentiram totalmente abraçados e acalentados.

Pensando nisso, acredito ser extremamente providencial falarmos um pouco de Oxum, a Orixá que exprime a maior doçura e amorosidade que possamos imaginar.

A Orixá que, segundo os mitos, foi quem “inventou o Candomblé”, automaticamente a Umbanda. A Orixá de arquétipo feminino de imensa sensibilidade e que mantém vivo em nossos corações o amor pela fé.




Como as águas dos rios, a Força de Oxum vai a todos os cantos da terra.

Ela dá de beber às folhas de Ossain, aos animais e plantas de Oxossi, esfria o aço forjado por Ogum, lava as feridas de Obaluaê, acalma Xangô e compõe a luz do arco-íris de Oxumaré.

Oxum é o Orixá irradiador do Amor Divino e da Concepção da Vida em todos os sentidos.

Como “Mãe da Concepção” ela estimula a união e favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância material. É a força dos rios, que correm sempre adiante, levando e distribuindo pelo mundo sua água que mata a sede, lava a alma e alimenta o corpo.
  • Oxum é o AMOR PURO
É a Mãe da água doce, Rainha das cachoeiras, Deusa da candura e da meiguice. Orixá da prosperidade e da riqueza interior, ela é a manifestação do Amor. O amor puro, real, maduro, solidificado, sensível e incondicional, por isso é associada à maternidade e ligada ao desenvolvimento da criança ainda no ventre da mãe, da mesma maneira que Yemanjá.

Oxum é o amor, é a capacidade de sentir amor. A partir desse amor é que se dá a origem, às Agregações e, consequentemente, origina a concepção das coisas.
  • Oxum é o ELO QUE UNE e AGREGA
Ela é o elo que une os Seres sob uma mesma crença, trazendo a união espiritual.

É o elo que une dois Seres sob o mesmo amor, agregando-os e gerando à concepção de uma nova vida.

Ela é quem agrega os bens materiais que torna um ser rico, portanto, é conhecida como Orixá da Riqueza, Senhora do Ouro e das Pedras Preciosas.
  • Oxum é quem FECUNDA, GERA e CUIDA
É Oxum quem gera o nascimento de novas vidas que estarão no período de gestação numa bolsa de água – como ela, Oxum, rainha das águas. A regência mais fascinante de Oxum é, sem duvida, o processo de fecundação, na multiplicação da célula mater.É, sem dúvida alguma, das regências mais fascinantes, pois é o início, a formação da vida. É Oxum que “tomará conta” até o nascimento, quando, então, entrega à Yemanjá, que será responsável pelo destino daquela criança.
  • Oxum é MÃE DAS CRIANÇAS
Oxum não vê defeitos nos seus filhos, são verdadeiras jóias, e ela só consegue ver o seu brilho. É por isso que Oxum é a mãe das crianças, seres inocentes e sem maldade, zelando por elas desde o ventre até que adquiram a sua independência. Os seus filhos, melhor, as suas jóias, são a sua maior riqueza.
  • Oxum “tem” PERSONALIDADE MARCANTE
De menina-moça faceira, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser colocada em segundo plano, afirmando-se em todas as circunstâncias da vida.

Como acontece com as águas, nunca se pode prever o estado em que encontraremos Oxum; como também não podemos segurá-la em nossas mãos. Assim, Oxum é o ardil feminino, considerada a deusa do amor, a Vênus africana.
  • Oxum é o próprio sentido da FELICIDADE
O casamento, o ventre, a fecundidade e as crianças são de Oxum, assim como, por consequência, a FELICIDADE.

Oxum está em tudo, pois, se amamos algo ou alguém é por que
Ela está dentro de nós.

Características das Filhas de Oxum

As filhas de Oxum dão muito valor à opinião pública, fazem qualquer coisa para não chocá-la,
preferindo contornar as suas diferenças com habilidade e diplomacia.

Oxum é o arquétipo daqueles que agem com estratégia, que jamais esquecem as suas finalidades, atrás da sua imagem doce esconde-se uma forte determinação e um grande desejo de ascensão social.

Têm uma certa tendência para engordar, a imagem da gordinha risonha e bem-humorada combina com elas. Gostam de festas, vida social e de outros prazeres que a vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição, pois detestam escândalos.

Não se desesperam por paixões impossíveis, por mais que gostem de uma pessoa, o seu amor-próprio é muito maior. Elas são narcisistas demais para gostar muito de alguém.

Graça, vaidade, elegância, uma certa preguiça, charme e beleza definem as filhas de Oxum, que gostam de jóias, perfumes, roupas vistosas e de tudo que é bom e caro.

Verger define: O arquétipo de Oxum é o das mulheres mais graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras.

O lado espiritual das filhos de Oxum é bastante aguçado. Talvez por isso, algumas das maiores Yalorixás da história do Candomblé, tenham sido ou sejam de Oxum.

E FOI INVENTADO O CANDOMBLÉ

Retirado do livro “Mitologia dos Orixás” de Reginaldo Prandi

No começo não havia separação entre o Orum e o Aiê; o céu dos orixás e a terra dos humanos. Homens e divindades iam e vinham, dividindo vidas e aventuras.

Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Aiê, um ser humano tocou o Orum com as mãos sujas. O céu imaculado dos Orixás fora conspurcado. O branco imaculado de Obatalá se perdera.

Oxalá foi reclamar com Olorum.

Olorum, Senhor do Céu, Deus Supremo, irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais, soprou enfurecido seu sopro divino e separou para sempre o Céu da Terra.

O Orum separou-se do mundo dos homens, e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida. E os Orixás também não poderiam vir a terra com os seus corpos. Agora havia o mundo dos homens e dos orixás, separadados.

Isolados dos homens habitantes do Aiê, as divindades se entristeceram. Os Orixás tinham saudade de suas peripécias entre os humanos e andavam tristes e amuados.

Foram se queixar com Olodumare, que acabou consentindo que os orixás pudessem de vez em quando retornar a terra. Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos, condição imposta por Olodumare.

Oxum, que antes gostava de vir a terra e brincar com as mulheres dividindo com elas sua formosura e vaidade, ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto, recebeu de Olorum o novo encargo: preparar os mortais para receberem em seus corpos os orixás.

Oxum fez oferendas a Exú para propiciar sua delicada missão.

De seu sucesso dependia a alegria dos seus irmãos e amigos orixás.

Veio ao Aiê e juntou as mulheres a sua volta, banhou seus corpos com ervas preciosas, cortou seus cabelos, raspou suas cabeças, pintou seus corpos.

Pintou suas cabeças com pintinhas brancas como as penas da galinha d’angola.

Vestiu-as com belíssimos panos e fartos laços, enfeitou-as com jóias e coroas.

O ori, a cabeça, ela adornou ainda com a pena ecodidé, pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa.

Nas mãos fez levar abebés, espadas, cetros, e nos pulsos, dúzias de dourados indés.

O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contas e múltiplas fieiras de búzios, cerâmicas e corais.

Na cabeça pôs um cone feito de manteiga de ori, finas ervas e obi mascado, com todo condimento de que gostam os orixás.

Esse oxo atrairia o orixá ao ori da iniciada e o orixá não tinha como se enganar em seu retorno aoAiê.

Finalmente as pequenas esposas estavam feitas, estavam prontas, e estavam odara.

As iaôs eram noivas mais bonitas que a vaidade de Oxum conseguia imaginar.

Estavam prontas para os deuses.

Os orixás agora tinham cavalos, podiam retornar com segurança ao Aiê, podiam cavalgar o corpo das devotas.

Os humanos faziam oferendas aos orixás, convidando-os à Terra, aos corpos dos iaôs.
Então, os orixás vinham e tomavam seus cavalos.

E, enquanto os homens tocavam seus tambores, vibrando os batás e agogôs, soavam xequerês e adjás, os homens cantavam, davam vivas e aplaudiam, convidando todos os humanos iniciados para roda do xirê e os orixás dançavam, dançavam e dançavam.

Os orixás estavam felizes. Eles podiam conviver novamente com os mortais.

Na roda das feitas, no corpo das iaôs, eles dançavam e dançavam e dançavam.

Estava inventado o Candomblé.


Por: Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda