11 de dez de 2015

Atabaques, usar ou não usar? Eis a questão...

Há no meio umbandista, muitas divergências quanto ao uso ou não dos atabaques, enquanto alguns optam por utilizar esta ferramenta, outros são estritamente contra.

Mas afinal, é certo ou errado usar atabaques durante as giras mediúnicas? Certo e errado, bem e mal, estas terminologias "extremistas" eu sempre procuro evitar, pois não está de acordo
com a realidade, que é complexa e variada, e não preto no branco como muitos ainda teimam em acreditar (contrariando a lógica do mundo que os cerca).

A gira utilizando atabaques não é certa nem errada, é simplesmente diferente da gira que não utiliza, a "movimentação" energética será bem diferente, enquanto a primeira é mais "intensa" a outra é muito mais suave.

Mas então qual será a melhor? Depende, qual é o propósito da gira? Com que tipo de trabalhos os médiuns estão acostumados a lidar? Quais as entidades que se manifestam?

Aqueles umbandistas que vem do espiritismo kardecista, costumam optar por não usar atabaques, pois estão acostumados com o silêncio. Nessa "Umbanda meio espírita", muitas vezes utiliza-se a luz branca nas giras (tipo iluminação de sala de aula), trabalhando no ambiente claro, o que causa estranheza em muitos umbandistas, como eu.

Há aqueles que dizem que o toque do atabaque estimula o chakra básico (sexual) e que por isso não deve ser utilizado em trabalhos espirituais. Segundos eles o atabaque seria inferior a outros instrumentos musicais, como os instrumentos de corda que "vibram" em frequência mais elevada.

Realmente, o toque do atabaque estimula o chakra básico, porém o que muitos não sabem é que isto é comum e mesmo desejado em certos tipos de trabalhos espirituais. Sempre costumo definir a Umbanda como um Xamanismo contemporâneo, ao meu ver é o Xamanismo da nossa Era, por isso irei tratá-la aqui neste texto como tal.

O trabalho xamânico, diferente do trabalho budista, por exemplo, necessita de um mergulho consciente na realidade, intenso, é um caminho oposto ao do monge que "se afasta" da realidade senciente.

Nenhum é superior ou inferior ao outro, melhor ou pior, são somente trabalhos muito diferentes, trilhas diferentes de evolução e trabalho espiritual. Na gira de Umbanda, se lida com energias e se "quebra demandas" que nem no sonho mais dourado do monge seria possível realizar, pelo menos não com a velocidade que nós fazemos. Por outro lado o budismo trabalha "outras questões", como o controle da mente, do corpo, etc.

Para quem prefere e considera superior o guia espiritual de fala mansa e movimentação moderada, saiba que na minha opinião esta é uma idiotice sem tamanho. Alguns guias espirituais, pela linha que atuam e as energias com que trabalham, são muito mais agitados do que outros... a dança, os sons, gestos, estalos, assovios, tudo faz parte de seu "trabalho mágico". Portanto esqueçam as "regras de etiqueta mediúnica" que aprenderam no espiritismo, terreiro não é centro espírita, aqui o trabalho é de pé no chão e ninguém está preocupado com as aparências, só o trabalho a ser realizado é que importa.

Para finalizar o texto, vou registrar o meu gosto pessoal: a meu ver trabalhos de gira sem atabaques acabam perdendo boa parte da "graça", e certamente do "poder" de quebra de algumas demandas. Isso não quer dizer que eu sou contra a Umbanda sem atabaques, somente opto por "bater tambor".

Talvez no final seja mais uma questão de gosto...