14 de nov de 2015

Nanã Buruquê

Mamãe Nanã Buruquê, hoje eu peço a ti, por favor, vem me valer. Sinto minha alma em pranto por ter amado tanto e ter sido abandonada como algo velho na beira do nada. Fale ao meu ouvido nobre Nanã, quero ouvir a senhora cantar para que minha dor possa acalmar e me deixar de novo caminhar.

Nanã, escuta o pedido de sua querida filha e ao seu lado apareça, tomando-a em seu colo amoroso. Vá falando ao seu ouvido de novo! Filha, eu quero que entenda que o amor maior é o de Deus e ele nunca nos abandona. Não viva para outro ser humano, a ele dando mais do que a você, fazendo-se esquecer, cobrando o que não deu, que não é seu.

Não se deixe matar por aquele que também não aprendeu a amar, não se sinta jogada fora, mande essa mágoa embora, e seque sua lágrima agora. Olhe-se no espelho e veja que ele reflete uma mulher tola, que desperdiça a vida, abrindo ainda essa ferida. Mulher filha de Nanã, vamos fazer da sua alma sã.

A jovem mulher tudo escutava, o som da fala vinha de sua alma. Era Nanã Buruquê que a sua filha ia valer. Ouvia o seu sofrimento e trazia nas mãos o amor como alento. A jovem chorava e Nanã consolava e explanava. Filha, lave nessa água essa enorme mágoa, não deixe que ela te destrua, fazendo-te uma jovem crua.

És conhecedora do amor de Deus, sabes da proteção dos teus Orixás, que na vida sempre vêm te ajudar, que te ensinam a amar. Pare de valorizar aquele ou aquilo que não tem tanto valor! Não permita que uma pequena dor se transforme em dissabor, esquecendo-se de dar valor ao que é realmente amor.

Nanã Buruquê falava do porquê da vida, da sabedoria de Deus, do amor das entidades, que haviam aprendido com a caridade. Faça a caridade com você, fazendo seu coração esquecer esse ser, que não soube encontrar vosmecê. Não lamente a partida desse que te trouxe tanta ferida, que te fizeste alma sofrida.

Filha de Nanã,olhe para o alto e agradeça a Deus essa chance para que pudesse fazer contigo a paz, para que limpasse de tua mão o sangue da guerra. Guerreaste esquecida nesse tempo de amor ou outro sentimento. Não condenes aquele que te deixou, pois que muitas vezes o matou.

Agradece a benção da reencarnação e dê aos outros o perdão e te faça dele também pedinte, para que na balança então tu quites o que é teu débito. Não chores somente como mártir, lembra que foste de outro algoz, que fez nós e que para desfazer, precisa do teu orgulho descer, aprendendo a caridade fazer.
Ouça o que falo, filha de Nanã! Caminha cultivando a paciência daqueles que têm ciência do humilde saber, que muito fizeste perecer, na altivez do teu ser. Olha para o céu e agradece à dor que hoje recebe, essa desdita te fará entender no recôndito do ser a dor de perder. 

Aproveita essa existência para trabalhar o seu orgulho, a tua arrogância daquela que sempre manda, quer ser obedecida, sempre servida. Olha filha, que hoje a vida te instiga a ser mais humilde, que perdoe para que seja perdoada, pois que já fostes muito malvada, empunhava em outro tempo a tua espada, que na época não perdoava, matava.