24 de nov de 2015

Namoro na Umbanda. Parte 2: os principais erros.

Quando o estresse do amor vai parar dentro do terreiro.

Olá irmãos umbandistas, como vão? Há algumas semanas falamos aqui sobre a proibição ou não dos namoros entre membros de uma mesma corrente mediúnica. Se ainda não leu, clique aqui, se inteire do assunto e retorne ao presente texto.


Vale ressaltar que eu sou a favor da liberdade de escolha amorosa dos filhos e dirigentes do templo, em meu terreiro há diversos casais e eu só estou escrevendo esta série de textos porque já namorei com pessoas do mesmo terreiro que o meu (estando eu como filho e, posteriormente, como pai). E por ter dado inúmeras cabeçadas nessa vida, falarei hoje sobre os principais erros que um casal pode cometer em sua vida de terreiro.

1. Colocar a mão na coroa. Isso é uma ordem do astral que aprendi a respeitar. Para começar, eu detesto ficar colocando a mão na cabeça de quem quer que seja, salvo os raros casos em que a pessoa está iniciando seu desenvolvimento ou que esteja com muita dificuldade na incorporação. E isso se agrava quando há um envolvimento amoroso entre as partes, porque, para balizar o desenvolvimento de uma pessoa, é necessária total imparcialidade, coisa que um casal definitivamente não tem. Sério gente, isso não faz bem.

2. Namorar DENTRO da gira. Sim, há pessoas que não conseguem deixar o namoro do lado de fora da gira. Ficam controlando os passos um do outro durante os trabalhos espirituais, deixando assim de se concentrar no axé da corrente. Ou pior: aproveitam cada intervalo para já ficarem agarrados, trocando beijos diante dos irmãos e visitantes. Já vi casos de um sentar no colo do outro e assim realmente não dá.

3. Confundir o Guia com a pessoa. Acontece muito disso e eu mesmo já fui vítima desse tipo de equívoco. A pessoa simplesmente se esquece de que nós doamos a nossa matéria para uma entidade espiritual, olhando apenas a figura e não quem a manipula. Aí se a entidade manifesta algum tipo de carinho por outro irmão ou visitante, a pessoa cujo namorado(a) está no processo de transe encara a cena com ciúmes, gerando assim uma carga excessiva e desnecessária de energias negativas que certamente causarão problemas a alguém mais tarde.

4. Transformar as entidades em conselheiros amorosos. Tem briga de casal em casa, eles não se resolvem e também não tem maturidade suficiente para deixar as rusgas do lado de fora do terreiro, o que acontece? Vão fazer de penico os imaculados ouvidos dos caboclos, pretos-velhos, marinheiros etc. que, pacientemente, se deixam alugar por um tempo infinito com a intenção de desfazer o clima pesado que o casal gerou no terreiro. E com isso as pessoas com necessidades legítimas ficam na fila...

5. Ficar se consultando com os Guias do parceiro(a). É uma dica que se aplica de forma semelhante ao erro número 1. Isso porque é necessária muita, muita concentração e tranquilidade para que a sintonia entre o médium e o espírito não seja quebrada, certo? Levemos em conta agora que a maioria dos médiuns são conscientes ou semi-conscientes. Agora imagine como fica a cabeça de um médium quando vê o companheiro(a) diante de "seu guia" para uma consulta. A luz vermelha do conflito de interesses acende na hora! A sintonia sofre grave abalo.

Querem complicar mais? Combine o item 4 e o item 5: um casal que brigou em casa, chega no terreiro e um vai reclamar para a entidade do outro sobre seus respectivos parceiros. Me digam, é seguro? Claro que não.

Repito: já vi muito disso nos terreiro e já cometi vários desses erros, sei muito bem do que estou falando. Portanto, sintam-se a vontade para se apaixonar por seus irmãos de santo e viver felizes com eles, mas deixem o relacionamento do lado de fora da gira e tentem não cometer esses erros que falei agora e muitos outros que a inexperiência pode nos levar a fazer.

Muito, muito axé para todos vocês!


Por: Cláudio Corrêa