23 de nov de 2015

Namoro na Gira parte 1: é proibido?

Irmãos de santo podem dar certo como casal?

Olá irmãos umbandistas, tudo bem? Como está a trilhada de cada um?

Há algumas semanas eu perguntei em nosso Facebook e Twitter sobre namoro entre filhos de uma mesma casa, se era permitido, os prós e contras, as experiências de cada um etc. O texto que segue é feito primordialmente com base no que vivi e também com base nas respostas de nossos irmãos, portanto este artigo é quase
puramente de opinião, ou seja, a minha visão sobre o tema. Todos vocês são livres para discordar, o que é muito bom também!

A Umbanda é livre e pautada pelo bom senso, ou seja, cada um pode adotar a conduta que quiser e com certeza vai arcar com o peso de suas decisões. Isso vale para todos os níveis hierárquicos do templo, desde o institucional (as regras da casa em si) até o individual (indicações de comportamento ou o comportamento em si pautadas pelos dirigentes e demais membros). Com base nisso, podemos ver que não adianta ficar proibindo nada, sendo que se a pessoa quiser fazer, ela fará. Já falamos sobre isso anteriormente, leia aqui.

Em relação aos relacionamentos amorosos (paqueras, namoros, casamentos etc.) entre os filhos do mesmo terreiro, cada casa tem a sua postura, há aquelas que proíbem e as que simplesmente estão nem aí, deixando a cargo da consciência de cada um.

Eu, Pai Cláudio, conheço inúmeras casas e a maioria delas permite que seu filhos namorem, mas com ressalvas. O namoro é entre os indivíduos, os cidadãos, os filhos de santo são irmãos em espírito, devem permanecer alheios aos sentimentos conjugais como a posse, ciúmes, controle, reporte dos passos, restrições de convívio, zelo excessivo e afins. Dentro da corrente a pessoa tem que se doar de forma integral e irrestrita à causa umbandista. Nada além. Foco total na gira.

Concordo com essa prática que é perfeita, ao meu ver, em teoria e por isso exige controle rígido dos dirigentes, carnais e espirituais, para que o casal não desvirtue a liberdade que lhes foi concedida e acabe fazendo do terreiro a extensão de suas casas, importando brigas, desconfianças e demais problemas que nada mais farão além de tirar a mente do umbandista daquilo que realmente interessa: a gira.

É por isso que há casas de Umbanda que proíbem todo e qualquer tipo de envolvimento amoroso entre seus filhos, afinal se a pessoa não te bom senso para separar os ambientes espiritual e social, não merece ter esta liberdade e a chance de estragar uma amizade ou o bom convívio no terreiro. Geralmente as casas que adotam este tipo de proibição já sofreram muito com os malefícios de ter de intervir em brigas de casais. E isso se torna mais agudo quando os Guias tem de intervir. Mas isso é assunto para o próximo texto...

Em suma, ninguém namora um irmão de santo, namora um cidadão, alguém fora da gira, pois dentro do terreiro somos todos livres dessas exigências maritais, tendo apenas a necessidade de foco nos trabalhos espirituais e em tudo o que eles representam. Não confundam as coisas jamais!

Axé.


Por: Cláudio Corrêa