3 de nov de 2015

Ética no aconselhamento espiritual?

Difícil é expor a nossa opinião sem esbarrar na questão “julgamento” e por que? Porque ao analisarmos aqueles que fazem mal uso de sua mediunidade e que não se precatam quanto a questão da boa moral daquele que serve de ponte ou de canal para as entidades superiores (pelo menos deveria ser assim), os que induzem desta forma muitos consulentes a erros lamentáveis e por isso dizemos que são cegos conduzindo outros cegos.

Dão informações mentirosas, baseadas nas mistificações, no animismo, nas obsessões e no desejo mórbido de mostrar-se "melhor" (equilíbrio e sabedoria) para os consulentes incautos, como se fossem os verdadeiros trabalhadores (coisa que não são), os genuínos prestadores da caridade com Jesus.

Mistificam, abusam da credulidade dos desavisados que muitas vezes vão em busca de boas orientações para suas vidas, vão com a alma cheia de esperanças acreditando (em sua ignorância) que ouvirão dos falsos profetas as melhores previsões de suas vidas. E os absurdos não param por aí, os desatenciosos consulentes escutam coisas do tipo: "Seu filho "tem" uma estrela na testa, cuida bem dele porque será um missionário!” Outra: Você é um espírito velho, tem uma rica missão na Terra..." Ou do tipo: “Vejo aqui que você vai encontrar a pessoa amada em breve...” “Sua saúde não vai bem, é preciso “agradar” os Orixás, porque senão...” “Seu marido anda ciscando em terreiro alheio.” “Vejo que seu sócio pretende te roubar, foi o “meu guia” que me informou isso agora! (esse tal de “meu guia” dá nos nervos. Por que será que o medianeiro incauto se arroga de ser o dono do espírito?). Não seria melhor, mais inteligente e sensato dizer “o guia com o qual trabalho...”

São tantos disparates que é melhor parar por aqui, acho que já me entenderam.

A questão é que as pessoas saem desses lugares cheias de fantasias, contando moedas nos bolsos para pagar o que foi pedido, vendem carro, casa, etc., para salvar, por exemplo a vida do filho que corre risco, o casamento porque a “médium” afirmou que se a pessoa não fizer o trabalho “X” no prazo “Y” a união acaba! As mulheres, coitadas, ficam para morrer! Dão até as roupas do corpo para não “perderem” os maridos para a “OUTRA”, mas que outra? Será que existe uma amante mesmo?

Minha gente, tem muito médium que faz isso sem saber do perigo que corre, não fazendo a menor ideia com o que está mexendo, tem médium que por falta de estudos e por se “desenvolver” em casas, cujos dirigentes são desde a infância ignorantes da necessidade de estudos sérios dentro do espiritismo, crescem nos ditos terreiros que se intitulam “umbandistas ou candomblecistas” equivocando-se caminho afora. Não é que estamos querendo agora defender estes irmãos que fazem mal uso do dom mediúnico, mas a realidade em muitos terreiros é triste nesse aspecto. Muitos ficam anos nesses ambientes onde não há cobrança quanto ao aprimoramento intelectual, quanto à reforma íntima ou a necessidade do autoconhecimento. Ficam nesses lugares rodopiando paramentados em excesso, como piões de madeira completamente anímicos.

Todo fim de ano estas casas ficam lotadas de consulentes necessitados de aconselhamentos mediúnicos de toda ordem, são cegos sendo guiados por cegos, infelizmente! E a assistência desses lugares onde a espiritualidade de luz se faz ausente, vai desde os adolescentes sonhadores até os idosos. Ricos ou pobres, saudáveis ou enfermos, eis que adentram os templos que usam o bom nome da Umbanda para lamentavelmente roubar, desestruturar, iludir, mentir, mistificar, confundir e em alguns lugares existe o abuso sexual dos consulentes e dos próprios médiuns destas casas! Será mentira nossa? Será que estamos pegando pesado? A intenção não é essa. É sempre bom afirmar que o que fazemos é apenas uma análise e não julgamentos com destino às condenações!

O que desejamos é convidar os leitores a uma reflexão sobre os problemas e as armadilhas em nossos caminhos que se disfarçam sob a luz da religião.

Muita gente se afasta desses locais com medo depois de descobrir o embuste, ficam com uma péssima impressão e, infelizmente, generalizam. São poucas as casas umbandistas sérias, espalhadas pelo Brasil, por isso fica aí um alerta para que mais pessoas não sejam enredadas.


Por: Letícia Gonçalves