21 de set de 2015

O homem livre


Estou há um mês para escrever este texto, ele se baseia nas palavras do Sr. Marabô já no final de uma de nossas sessões de Umbanda, em nossa tenda do Santuário Nacional de Umbanda, no ABC.

Sr. Marabô estava conversando com alguém quando uma pessoa próxima disse, de um rapaz que acabara de sair da tenda, "Coitado, ele perdeu tudo e não sabe para onde ir". Naquela hora, o sábio Exu interrompeu a conversa e disse ao interlocutor, com seu charuto entre os dedos:

"Sorte dele ter perdido tudo, porque agora ele é livre. Eu tenho pena é do homem que ainda tem no que se apegar, porque ele vai morrer agarrado aos seus conceitos. este rapaz não, ele pode ir para onde quiser, fazer o que lhe der vontade. Por não ter mais nada, ele pode conquistar o mundo".

Eu passei todos estes dias refletindo sobre o quão apegados às coisas nós somos. e quando digo coisas, me refiro tanto ao material quanto ao intangível, ou seja, de roupas a ideias, de pessoas a mágoas, do dinheiro aos mais diversos sentimentos.

Se isso nos atrapalha na vida, pode nos atrapalhar no terreiro? Claro que sim. Porque o templo é um lugar de desapego, onde nós abandonamos todos os nossos laços com o visível, com o social, fraternal e amoroso, para simplesmente servir à causa umbandista, que é a caridade, o amor e a fé. se você entra no templo e bate cabeça sem este desapego, estará jogando fora a chance de aprender a ser alguém melhor, de ser um umbandista melhor. Você será sempre aquele sujeito limitado, que só tem um caminho a seguir: aquele delimitado por seus preconceitos, memórias, teimosias e mágoas.

Pense bem, você é assim? Você se liberta de tudo ao entrar no terreiro? Você é do tipo que não sente firmeza sem suas guias ou sem a roupa do seu orixá? Você é do tipo que só dá valor a uma gira se ela cumprir determinado protocolo?

Pense e nos responda.


Por: Cláudio Corrêa