31 de ago de 2015

A responsabilidade e os riscos da mediunidade


1 - Allan Kardec já tratou o assunto deste capítulo com bastante clareza e sensatez no capítulo XVIII, denominado "Inconvenientes e Perigos da Mediunidade", do "Livro dos Médiuns", assim como Ramatís também ventilou rápidos apontamentos na sua obra "Mediunismo". No entanto, desejando maiores esclarecimentos desse assunto, efetuamos a Ramatís mais estas perguntas, seguindo o mesmo roteiro adotado por Allan Kardec.

PERGUNTA: O médium pode ser considerado uma criatura anormal?
RAMATÍS: - Anormal não é propriamente o termo, mas trata-se de um indivíduo incomum. É criatura inquieta, receptiva e algo aflita, que vive, por antecipação, certos acontecimentos.
Sua hipersensibilidade perispiritual atua com veemência na fisiologia do sistema nervoso e endocrínico. Alguns são pacatos e sem qualquer característica excepcional, mas isso resulta de que a sua mediunidade é menos sensível no campo psíquico. Estão neste caso os médiuns sonâmbulos ou de efeitos físicos, cuja mediunidade é de caráter fenomênico, só identificada durante o transe.

PERGUNTA: - Por que nem todos são saudáveis, apesar de cumprirem seus deveres mediúnicos?
RAMATÍS: - Geralmente, o médium também é um espírito em débito com o seu passado e a faculdade mediúnica ajuda-o a redimir-se o mais cedo possível, no serviço espiritual em favor do próximo. A sua situação lembra as pessoas que, depois de arrependidas dos seus desbaratos, empreendem atividades benfeitoras, a fim de compensarem o seu passado turbulento. Então, além de suas obrigações cotidianas, sacrificam o seu repouso habitual e cooperam nas iniciativas filantrópicas, nos movimentos fraternos, atendendo a parentela pobre, aos amigos em dificuldades, aos presidiários e aos deserdados da sorte. Sob tal disposição, fundam instituições socorristas, participam de agremiações educativas e auxiliam sociedades de proteção aos animais. Mas é óbvio que, apesar dessas atividades filantrópicas, os médiuns não se livram dos imperativos biológicos do seu corpo físico. Malgrado o seu esforço socorrista elogiável, e as atividades religiosas ou caritativas, também estão submetidos ao trabalho comum e sujeitos igualmente ao instinto animal e às tendências ancestrais da família terrena.

A sua faculdade mediúnica não é privilégio, nem os isenta das vicissitudes e das exigências educativas da vida humana. Em conseqüência, a saúde ou a doença não dependem especificamente do fato do homem ser ou não ser médium.

O espírito que já renasce na Terra comprometido com o serviço mediúnico, que o ajudará a reduzir o fardo cármico do seu passado delituoso, deve cumprir o programa que ele mesmo aceitou no Espaço. Deste modo, o espírito que em vida anterior zelou pelo seu corpo físico e viveu existência sadia, sem vícios de paixões deprimentes, obviamente há de merecer na vida atual um organismo sadio e de boa estirpe biológica hereditária, que lhe permita gozar boa saúde. Mas aqueles que, no passado, esfrangalharam o seu equipo carnal e o massacraram na turbulência viciosa, gastando-o na consecução dos apetites inferiores, esses terão um corpo físico cujas funções orgânicas são precárias. 

O médium, portanto, em face de sua sensibilidade psíquica enfrenta uma existência mais gravosa do que o homem comum, cumprindo-lhe cuidar desde a alimentação, assim como sofre mais facilmente os efeitos das alterações climáticas. Além de sua saúde física ser frágil, ele sofre mais intensamente os dissabores e as preocupações da vida humana, pois o seu psiquismo é demasiadamente excitável.


Por: Ramatís/Hercílio Maes - Do livro: “Elucidações do Além” – Editora do Conhecimento.