1 de jul de 2015

Por quê respeitar os Malandros?

Na Umbanda, um ponto de discórdia para muitos ainda é a figura de Zé Pilintra, principal representante da Linha de Malandros. Em muitos Terreiros de Umbanda esta Linha ainda é impedida de trabalhar, assim como ainda ocorre com Marinheiros e Boiadeiros.

É importante lembrar que a Umbanda é uma religião brasileira, aberta e em pleno desenvolvimento, e que deve estar sempre receptiva para todos os que nela queiram praticar a caridade. Não cabe a nós julgar a importância ou não de uma Linha de Trabalho, já que o respeito ao ser humano, encarnado ou desencarnado, é a base fundamental para o nosso progresso como espíritos em aprendizado constante.

Zé Pilintra e sua falange foram introduzidos na Umbanda a partir do Catimbó, culto praticado no Nordeste brasileiro que se apoia bastante na religião católica, apesar de guardar certas práticas pagãs; Zé Pilintra é um dos mestres desse culto. Poucos sabem, mas Ele teve vida na Terra. Nascido em Pernambuco, José Gomes da Silva,
como era chamado, ainda jovem foi viver no Rio de Janeiro, onde frequentava a boemia do bairro da Lapa.

Fez amigos entre a malandragem e bandidagem da época, sendo querido por todos. Perito em jogos de azar (baralho e dados) ganhava de todos os que ousassem desafiá-lo. Exímio no manejo de armas brancas, sempre estava pronto a defender os injustiçados. Desencarnado, manifesta-se na espiritualidade e recebe passagem na Umbanda, sempre trabalhando na Luz, ajudando os necessitados e subjugados.

São entidades a quem devemos respeito e consideração, daí o cuidado nos Terreiros para que, quando incorporados nos médiuns, não façam uso de drogas ou exagerem no consumo de bebidas alcóolicas. Cigarros e charutos com moderação são aceitos, pois a fumaça funciona como defumador astral e auxilia nos trabalhos.

Zé Pilintra é também considerado o “advogado dos pobres”, trabalha na cura de males físicos e espirituais e tornou-se “chefe” da Linha dos Malandros. São entidades de Luz carismáticas e chegam nos Terreiros com alegria e vitalidade.

Alguns membros da sua falange são: Chico Pelintra, Zé da Virada, Zé Camisa Preta, Zé Mineiro, Zé Camisa Vermelha, Zé Camisa Listrada, Zé da Mata. Malandro da Baixa do Sapateiro, Malandro da Lapa, Malandro do Pelourinho, Malandro da Praia, Malandro da Zona Portuária, entre outros.