14 de jul de 2015

Considerações sobre a mediunidade natural e de prova – 2ª Parte



PERGUNTA: Mas o médium de 'prova" não poderia alcançar o mesmo êxito do médium "natural", se depois de desenvolvido viesse a enquadrar-se sob os princípios elevados do Evangelho do Cristo?


RAMATÍS: O que o médium natural alcança por via intuitiva, como decorrência espontânea de sua própria sutilidade psíquica e sem necessidade de quaisquer esforços ou adaptação fora do tempo, o médium em prova, e sem a linhagem superior para se situar espontaneamente nas faixas vibratórias das
esferas crísticas, vê-se obrigado ao desenvolvimento espinhoso, graduando-se através de treino exaustivo com os desencarnados imperfeitos, enfrentando as mais desanimadoras decepções psíquicas.

O aguçamento imaturo muitas vezes leva o espírito em prova a desenganos, malogros e rebeldias, tal qual o jogador de xadrez que, após muitos lances frustrados, vacila em mover no tabuleiro a peça de menor importância.

Tratando-se de faculdade prematura e ainda provisória, que exige árduo e sacrificial exercício no seio das atividades terrenas, o médium sem a acuidade espiritual espontânea, que orienta facilmente o indivíduo entre os problemas confusos da vida, quase sempre só conclui o seu programa mediúnico depois de muitos tropeços verificados nos atalhos falsos, que são trilhados à guisa de caminho certo. Só a perseverança, o bom ânimo, a tenacidade, o estudo incessante, o combate impiedoso contra as paixões da animalidade inferior e a integração definitiva ao Evangelho do Cristo é que, realmente, podem assegurar o êxito mediúnico. Servindo-nos de uma comparação, diríamos que o médium natural assemelha-se ao músico ou pintor já nascido com o "dom" espontâneo para exercer sua arte, à qual ele se entrega com facilidade e prazer. O médium de prova, no entanto, é o aluno que está sendo obrigado a estudar uma ciência ou arte para a qual ainda não apresenta qualidades espontâneas. Então precisa esforçar-se heroicamente para consegui-las sob um longo treino exercido entre vacilações, malogros e decepções.

Entretanto, não é impossível que o médium de prova, integrado absolutamente no serviço mediúnico sob a égide de Jesus, venha a depurar-se de tal modo que, ao desencarnar, já esteja gozando, em grande parte, da sublime mediunidade natural, que é na realidade a verdadeira mediunidade espiritual. No entanto, é necessário compreenderdes que não existe uma linha demarcativa específica entre a mediunidade de prova e a mediunidade natural pois, sendo o médium um espírito encarnado, há momentos em que, por força de alguma virtude já bastante desenvolvida, ele também logra ser o instrumento excelso da revelação superior, do mesmo modo como alguns homens experimentam, parcialmente e de modo fugaz, o inefável estado de espírito que é o êxtase.

Quando distinguimos o médium natural do médium de prova, desejamos apenas destacar aquele que é um instrumento espontâneo e superior da realidade espiritual, daquele que renasce na Terra onerado por uma obrigação de ordem cármica.