30 de jun de 2015

Coisas de terreiro, fora do terreiro


A gente faz uma porção de coisas no terreiro, não é? Desde as mais simples, como conviver com pessoas, se relacionar com elas, passando pelas mais mecânicas como a execução de rituais padrão, do tipo bater cabeça, cantar, defumar etc., até as coisas mais, digamos, pesadas, como fazer descarrego, limpezas espirituais, oferendas específicas entre outras coisas.

Como seres humanos, temos a capacidade de aprender com tudo, basta olharmos e já estamos criando noções de como empreender
determinada tarefa. Se a realizarmos uma vez, mais fácil ainda. Contudo, para cada coisa nessa vida há pelo menos três aprendizados correlatos:
  1. O objeto: o que fazer?
  2. A forma: como fazer?
  3. A necessidade: porque fazer?
  4. O objetivo: para que fazer?
  5. O tempo: quando fazer?
Suponhamos que você, para um trabalho qualquer que seja, se sinta apto, em termo de conhecimento, em qualquer um destes fatores, ou seja, você sabe o que deve ser feito, conhece o processo de execução, seus motivos e necessidades. Recomendo a você que pense no 6º quesito: onde fazer?

Tenham em mente um princípio básico: terreiro não existe a toa. Terreiro não é apenas um salão para a reunião dos médiuns, é um lugar preparado para os rituais e todo o trato espiritual. Então, antes de cogitar realizar qualquer procedimento, certifique-se de que você está no lugar certo para isso.

Pensou? Está certo disso? Então vamos partir para o quesito essencial...

7º A pessoa: quem pode fazer? Você sabe fazer, está no lugar certo, mas é a pessoa certa para isso? Você tempermissão para fazer isso?

Acreditem, conheço muita gente bem intencionada e de muita fé, mas que acabaram se perdendo por lidarem com coisas as quais não possuem permissão para tal. Nossa psique é incapaz de compreender a espiritualidade em sua plenitude. Nem as coisas boas, muito menos as suas nuances mais obscuras.

Então pensem bem, irmãos, antes de se aventurarem em campos desconhecidos, por melhores que sejam suas intenções.


Por: Cláudio Corrêa