13 de mar de 2015

Vale mesmo a pena se tornar um Pai ou Mãe de Santo?

Olá amigos, como vão? Semana passada eu estava de conversa com um filho (e amigo) sobre a nossa Festa de Nanã Buruquê, que aconteceu no último dia 7/7 sob muito frio e chuva. Falávamos sobre a energia que circulava no ambiente, como todos estavam feliz e cooperando e embora estivéssemos quase sem assistidos, dava para sentir a caridade sendo feita nos planos invisíveis.
Ele me disse que na noite seguinte sonhou com o Sr. Zé Pelintra, que este lhe havia dado conselhos para que escutasse seu avô (que tem mais de 60 anos de Umbanda), ao Pai Peninha e a mim. Foi então que ele me disse: "Sabe Cláudio, eu adoraria chefiar uma casa. Acho que se algum dia eu tiver a oportunidade de escolher, aceitarei numa boa".

Fiquei contente em ouvir aquela declaração, ainda mais vindo de uma jovem com tanto amor e fé nos Orixás, mas dediquei aquele momento a explicar-lhe que ser dirigente espiritual é uma grande bênção com jeito de fardo. Você é escolhido pelos Orixás para cuidar da espiritualidade de um sem-número de pessoas, há vezes gente que você não tem a menor afinidade fora do templo está lá sob os seus cuidados e você tem que se doar a elas tal qual seus pai biológicos se doam a você. Ser Pai é um exercício de paciência, principalmente para os casos (comuns) em que os filhos não se dão, paciência para não cobrar deles a sabedoria que você tem hoje, porque um dia você também foi filho e já se deixou levar pelos impulsos.

Me lembrei de uma das minhas primeiras conversas com uma entidade de Umbanda. Estávamos na praia, numa noite de lua clara e ele me disse: "Sua missão é herdar esta casa e cuidar dela até que o próximo esteja pronto para herdá-la de você". naquele momento eu me senti "o futuro pai de santo", disse a mim mesmo que aquele terreiro seria meu. Ledo engano... o terreiro não é meu, nada ali pertence a pessoa alguma. Um terreiro é mais que uma casa, é o resultado da união de várias pessoas guiadas a um único propósito: espalhar a caridade pela terra. Por isso a Umbanda segue independentemente de quem chefie seus templos, somos apenas pessoas ali. Eu sou apenas mais um, alguém que os Orixás olharam e julgaram apto a conduzir a obra durante um determinado tempo até que outras pessoas surgissem para dar sequência ao plano divino quando eu não mais suportar o peso da minha missão.

Ser escolhido não me torna especial ou superior aos demais irmãos, sou humano como todos eles, mas que nos fique claro que na Umbanda não há plano de carreira, o fato de entrar para um terreiro não significa que depois de X anos você se formará Pai ou Mãe de Santo ou que eu depois de os mesmos X anos como pai vou me tornar um Babalorixá (grau superior ao de Pai). Sinceramente eu não tenho a mínima pretensão disso.

Pensando nisso que eu disse, por favor me respondam: Vocês tem a pretensão de se tornarem zeladores espirituais? Realmente vale a pena?

Axé e ótima semana.

P.S.: Sabe o que realmente vale a pena? Terminar a gira e ver que todos estão felizes e ávidos pelos próximos trabalhos.


Por: Cláudio Corrêa