25 de mar de 2015

O dia em que Xangô salvou a gira, o templo e a mim

Olá irmãos, como vão? Semanas atrás eu estava conversando com uma amiga e ela me perguntou como eu estava espiritualmente, de cara respondi "De 100% para mais! O terreiro está ótimo, estou cheio de ideias e quero fazer muito mais pela obra". Isso tudo foi antes dessa última e fatídica semana.

O clima realmente estava tenso em todas partes. Tinha filho que queria sair, gente discutindo porque duas imagens foram tiradas de lugar no congá. Esta última, na minha opinião, foi a discussão mais idiota que já vi surgir dentro de um templo nos últimos anos e ganhou proporções enormes, inclusive horas antes da festa de Xangô.
E para completar choveu horrores em Itanhaém (cidade onde fica nosso Templo), a estrada ficou muito ruim de transitar e na data da festa estava muito frio e também acontecia duas quermeces bem próximas ao nosso terreiro. Resultado: pouca gente foi, inclusive dentre os filhos tive ausências além das habituais, e dos que foram eu ainda tinha três filhos praticamente impossibilitados de se levantar da cadeira por motivos de saúde.

Eu estava lá me sentindo completamente só. O terreiro parcialmente vazio, estava frio, eu com bronquite e ainda ecoava em minha cabeça a frase que me disseram meia hora antes: "Você está acabando com este terreiro. Um a um todos estão indo embora por sua culpa!". 

Já imaginou iniciar uma gira com o peso do mundo em suas costas? Eu já, mas jamais sonhei que seria assim. Foi então que fiquei diante do congá enquanto todos se aqueciam cantando um ponto novo e orei a Xangô pedindo forças a ele. Pedi que me desse coragem e luz e assim que abri os olhos eu me lembrei da resposta que dei a quem me falou a frase citada acima: "Sai da casa quem quer, mas quem fica mostra que tem foco na missão de caridade de cada umbandista no mundo, não só aqui". E de fato Xangô me mostrou que era aquilo mesmo, os poucos que foram enfrentaram o frio, a chuva, horas de viagem, dores no corpo que impossibilitariam qualquer um de sair de casa e também a tentação de ir se divertir com os amigos num sábado a noite. Cada um venceu sua pequena batalha naquele dia para estar ali dando o melhor de si para que outras pessoas voltassem bem para suas casas.

Iniciamos a gira, cantamos, rezamos e trabalhamos como nunca! Os poucos presentes em nosso círculo se transformaram em um exército, vencendo demandas e energias negativas, o Senhor Xangô das Almas bateu tanto as suas pedras que chegou a quebrar algumas, tamanha a sua força e determinação. Um retrato do que todos ali viviam: filhos fortes capazes de quebrar rochas e fazer o impossível em nome da caridade e da fé em nosso Pai Oxalá.

Este texto eu dedico a todos vocês que estiveram lá comigo e não deixaram nossa casa bambear. A vocês fica o meu mais sincero agradecimento.

Obrigado e muito axé!


Por: Cláudio Corrêa