24 de mar de 2015

Andanças!

Hoje a veia vem falar, do que preciso para a alma se salvar, vejo muito fio no terreiro, somente brincando de macumbeiro, vejo o fio que se diz Pai no Santo, engando em nome do Santo. Veia vem hoje sem muito rapa pé, mandar pros fios um pouco de Axé, dizer que ocêis se fortaleça na fé.

Vejo muito fio que pai é de Santo, esquecendo o sagrado, tornando ele profano, aos negros velhos, não tem engano, e não estamos julgando. Estamos vivendo momentos de muita dificuldade no Orbe, mas, a raça humana ainda não entendeu, o Paraíso que viveu e que em outros tempos perdeu.


E lamenta porque desceu, subiu ou desceu? Depende do movimento da Terra, mas, o fio perdeu-se na guerra, que tinha o único propósito a vaidade, tomar do outro o país, do outro a cidade, fazer do irmão seu prisioneiro, esquecendo que chegaria o dia derradeiro.

E muitos fio hoje na Terra chora, lembrando o grande poder de outrora, veia lamenta, mas, agora fio, o que te resta é a tormenta. O sofrimento foi por ti pedido, quando fez teu irmão diminuído, quando na guerra o fez morto ou ferido. É agora tempo do juízo.

Eh! Veia é juízo final? Não fio, para uns é inicial, vão habitar o planeta de regeneração, vão conhecer nova nação, vão aprender com outro irmão, que vem em missão. Agora para outros é juízo final nesse Orbe, que não comportará mais a maldade, a vaidade, a inveja, a disputa, que só é a ruindade o motivo da luta!

Veia hoje vem dizer a ocê, ou a ocêis que queira ler, ser Pai de Santo, é ter grande responsabilidade, é focar como inimigo a sua vaidade, é olhar o seu orgulho, porque será seu pedregulho e lhe fará morador do escuro. Veia vem alertar, para que o fio, possa, se quiser, melhor caminhar.

Não peca só o Pai de Santo que rouba o dinheiro, mas, também aquele que aceita, por ser aparelho de feiticeiro. O irmão que faz o trabalho, que dá seu axé, não precisa do dinheiro pra ficar em pé. E muitos questionam: Veia eu preciso sobreviver, e a veia diz, mas, não a caridade vender.

E escuta ocê fio, que um dia o feiticeiro, o mandingueiro, o benzedor vai deixar o fio e esse vai passar a mentir, vai passar a se iludir. Mediunidade é coisa que tem que ser na verdade. Oia só fio, uma coisa interessante, querendo acertar, todos nois já erra, imagina, querendo errar, o caos que vai virar a Terra.

A vaidade vai corroendo o coração dos fios, cada um de um jeito, e aquele que não para pra ouvir um pouco, vai caindo mais e mais no foço. Veia diz sem muito alisar, fio, ocê vai pagar. Na balança divina, Deus não aceita propina.

Pare diante do cê, fio e analisa, utiliza sua erudição, para se livrar da tentação. Faz suas leitura, lembrando que ocê também é falha criatura, que não é uma beleza de figura. Todo mundo é chamado, mas, só o que se permite, se faz ficado, se faz moldado, se faz lapidado.

Eita veia que fala. É fio, a veia gosta mesmo é abraçar, de carinho, de falar mansinho, mas, tem hora que preciso o brado, e dizer pro fio, para de andar com os zoios fechados, que ocê, só vai rumo ao buraco. Mediunidade é sagrado. O profano já ta saturado, não se faça presa do diabo.

Veia veio dizer, pro cêis que quer entender. Novo tempo já chegou e muito de ocêis foi pego como as noivas imprevidentes. Mas, Deus que é bondade, espera que os fios se vistam e façam de suas almas bonitas. Lapidando nela a vaidade, oh! veia que fala dessa maldita vaidade.

Esse é nosso maior chicote, porque nos faz sentir forte. Vaidade é pecado predileto do diabo, que habita nossa casa, porque em nós faz morada. E quando queremos a expulsar, ela ainda arranja um jeito de nos enganar, colocando no outro a culpa, tirando de nós a multa.

Então a veia repete e repete, a vaidade vai fazendo nos terreiros uma negra cidade, e aquele grupo que não tiver coragem de se olhar, vai nas sombras habitar. É tempo de ter olhos de ver, fio de Ogum, de Xangô, de Iansã e de Nanã, fios de Iemanjá, lava a vaidade com as águas do mar.

Fios de Oxum, olhe pra mãe do cêis e deixe que lave os zoios que estava arremelados, vendo no outro seu escravo, vendo o noutro pobre coitado. Tenha ouvido de ouvir, fio de Oxossi, a mata dá o seu brado porque o caboclo se faz alertado e ajuda a carregar seu fardo.

Fios de Obaluaê fortalece a fé no cê, pare de se desmerecer, firme seu pé no terreiro, bate sua cabeça no congá e diz e afirma que seu propósito é no bem caminhar. Veia hoje quer muito alertar, que leia com ouvidos de ouvir, o que eu digo aqui, com zoios de ver a vaidade que nos faz padecer.

E a veia não fala desse ou daquele fio, de um terreiro ou de outro, a veia fala do ser, que com ela ainda muito vai padecer. O nosso objetivo é a vaidade vencer, mas, para isso não podemos em nós, ela esconder, o inimigo é preciso aparecer, para o soldado o vencer!

Salve Deus e Maria!

Salve os Orixás!


Por: Vó Maria Conga/Edy Tavares (Médium do Cantinho de Francisco de Assis)