18 de fev de 2015

Sete Linhas de Umbanda – Parte II – Final

Logo no início da Umbanda, o senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas falava no Mistério das Sete Linhas e, em 1933, Leal de Souza publicou um livro intitulado O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda.

Entre elas, destacava-se a linha branca de Umbanda (de Orixá) e a linha de demanda, para cortar trabalhos de magia negativa. Falava-se em sete linhas brancas (as positivas), em linha de demanda (as de esquerda) e em linha de santo.
A Umbanda fundamentava-se no mistério das "sete linhas" e a forma de ensiná-las era prática, ainda pouco elaborada e totalmente voltada aos trabalhos que eram desenvolvidos pelos Guias espirituais, todos ligados às Sete Linhas de Umbanda e de Demanda. Esse conhecimento e a forma bem terrena de abordar e explicar esse mistério que começa em Deus, e chega até nós aqui no plano material, foi trazido pelo senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas e pelos outros Guias espirituais de Pai Zélio de Moraes, e foi popularizado pelos filhos de santo por meio das Tendas fundadas por eles, que também formaram muitos outros médiuns que, posteriormente, fundaram muitas outras Tendas de Umbanda, fato esse que as popularizou, tanto que, em 1933, Leal de Souza, um dos filhos de santo de Pai Zélio, escreveu o primeiro livro abordando o Mistério das Sete Linhas de Umbanda.
Devemos lembrar que era o início de uma religião e que, nessa época, pouco se sabia sobre o mundo espiritual fora do Espiritismo e muito menos sobre a própria religião umbandista, na época ainda sendo implantada no plano material pela Espiritualidade. Posteriormente, outros umbandistas desdobraram o Mistério das Sete Linhas e publicaram livros, com elas explicadas mais a fundo e de forma a hierarquizá-las, nomeando-as com estes nomes:
  • Linha de Oxalá;
  • Linha de Xangô;
  • Linha de Ogum;
  • Linha de Oxóssi;
  • Linha de Iemanjá;
  • Linha do Oriente;
  • Linha das Almas, etc.
Cada autor deu sua interpretação e, pouco a pouco, esse mistério foi adquirindo vida própria dentro da nova religião, pois cada Guia espiritual revelava que fazia parte de uma delas. Dois autores devem ser destacados e imortalizados pelos umbandistas porque eles, em suas épocas e em acordo com o tempo em que viveram a Umbanda, divulgaram esse mistério. O primeiro é Leal de Souza por seu pioneirismo. O segundo é Lourenço Braga, pelo avanço na interpretação desse mistério aberto dentro da Umbanda por Pai Zélio e o espírito fundador da Umbanda, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Que nenhum umbandista se esqueça disso ou isso desconheça, para que não venha negar esse fato aos seus verdadeiros semeadores, que são Pai Zélio e o espírito fundador da Umbanda, o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Muitos outros autores, posteriormente, publicaram novos livros abordando o Mistério das Sete Linhas de Umbanda, dando-lhes os mais variados nomes, fato esse que, se por um lado enriquecia o estudo da Umbanda, por outro lado confundia a grande legião de médiuns umbandistas ávidos por conhecimentos sobre os fundamentos da religião.
Essa confusão perdurou até o fim do século XX, quando Pai Benedito de Aruanda, orientado pelos espíritos mentores da Umbanda e amparado pelo senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, finalmente fundamentou nas Sete Irradiações Divinas as Sete Linhas de Umbanda e nos trouxe suas regências divinas originais, esclarecendo de vez esse mistério, desde sua origem em Deus até nós, encarnados, aqui na Terra, mas também regidos e influenciados por elas o tempo todo.
Hoje, posso revelar que nossa obra mediúnica, fundamentadora dos mistérios de Umbanda, foi amparada pelos espíritos mentores da Umbanda, entre eles o senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas. O fato é que foi Pai Zélio e o senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas que abriram para a Umbanda e todos os umbandistas os Mistérios das Sete Linhas de Umbanda.
Justiça lhes seja feita!

Por: Rubens Saraceni - Texto extraído do livro "Fundamentos Doutrinários de Umbanda", Editora Madras