12 de fev de 2015

Esses ataques terroristas não são sobre religião!

CoeXisT
No último dia 07 de janeiro tivemos um ataque terrorista em Paris (Fr) onde um grupo armado adentrou a sede do jornal francês Charlie Hebdo resultando em doze pessoas mortas e 5 feridas gravemente. O ataque foi perpetrado pelos irmãos Saïd e Chérif Kouachi, supostamente como forma de protesto contra a edição Charlie Hebdo, que ocasionou polêmica no mundo islâmico e foi recebida como um insulto aos muçulmanos.

Não é a primeira e, infelizmente, não será a última que tais atos de violência vão ocorrer. Em decorrência de tais atos a maioria de nós, cristãos-judaicos ocidentais, temos a tendencia de associar tais ataques a religião muçulmana e a seus adeptos.

Ontem li um artigo presente no site Extratime (originalmente publicado da revista Time no dia 09/01/2015 - em inglês), em que o ex-astro da NBA (a liga norte-americana de basquete), Kareem Abdul-Jabbar, muçulmano por opção, fala um pouco sobre o assunto de forma simples e direta, que transcrevo abaixo.

Mas antes de transcrever o texto gostaria de convidar a comunidade umbandista que nos acompanha, e os outros adeptos das religiões afro-brasileiras, a reflexão.

Quando sofremos ataques em nossos terreiros de grupos pseudo-evangélicos tendemos a transferir a todos esses irmãos as responsabilidades por tais atos, quando na verdade não deveríamos fazê-lo. Grupos terroristas, ou no nosso caso grupos intolerantes, não devem ser ligados às religiões, pois as religiões, quaisquer que sejam, são sobre pessoas querendo se melhorar, viver de forma mais humilde de forma que possam criar comunidades mais harmoniosas que promovam a tolerância e a amizade entre elas, como nos diz Abdul-Jabbar no texto original em inglês.

Acredito eu que nós umbandistas devemos assumir posição diferente das que venho muitas vezes observado quando leio artigos relacionados a intolerância religiosa. Não são os verdadeiros "evangélicos" os responsáveis por tais atos. Façamos uma analogia com o texto do astro americano, ele assim nos diz:

Violência cometida em nome de religião nunca é sobre religião - em última instância é sobre dinheiro.
(...) Porque sobre dinheiro? Quando analisamos os objetivos desses ataques terroristas percebemos claramente que eles não são para nos amedrontar e nos fazer mudar nosso comportamento. (...) Eles têm claramente o objetivo de conseguir mais recrutas e doações para sua causa.
Creio que no caso dos ataques aos centro de Umbanda há semelhança. Não trata-se de religião, mas sim de conseguir mais seguidores e "dízimos" para sua "igreja".

Devemos olhar tais casos como atos de violência e intolerância de grupos desordeiros e não cristãos! Afinal de contas ninguém falou mais sobre o amor, em palavras e atos, para nós cristãos, que Jesus:
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? Mateus 5:43-46
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. Mateus 7:12
 O verdadeiro cristão não julga e nem condena:
Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. Mateus 7:1-2
O verdadeiro cristão ama a seu próximo como a si mesmo
Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.
Este é o primeiro e maior mandamento.
E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo. Mateus 22:37-39
Ou seja, esses irmãos não seguem os princípios cristãos. Ainda assim, são nossos irmãos e vibremos para que possam entender que todos nós podemos coexistir nos amando e respeitando, independente de nossas escolhas.

Bem, chega de conversa! Fiquem com o artigo de Kareem Abdul-Jabbar presente no site Extratime.

Boa leitura!!!!

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Islamismo

“Outro ato horrendo de terrorismo ocorreu e pessoas como eu, que estão na agenda dos jornalistas na categoria de ‘Muçulmanos Celebridades’ são procuradas para veementemente condenar, deslegitimar e explicar – mais uma vez – como esses atos bárbaros não estão relacionados ao Islã. Para mim, religião – não importa qual – é sobre pessoas querendo viver de forma humilde e moral para criar uma comunidade harmoniosa e promover tolerância e amizade com as pessoas de fora dessa comunidade religiosa. As regras de qualquer religião deveriam estar a serviço dessa meta. O Islã que eu aprendi e pratico faz isso.”

Interesses econômicos

“A violência cometida em nome da religião nunca é sobre a religião. É, em última instância, sobre dinheiro. (…) Esqueça os idiotas que cometem esses atos, eles não são nada além de drones controlados à distância por outros. Ao invés de sinais de rádio, seus pilotos usam dogmas selecionados para manipular suas ações. Eles pervertem o Alcorão por meio da omissão e da falsa interpretação.
(…) Quando alguém observa o interesse real desses ataques terroristas, claramente eles não são para mudar nosso comportamento. Os ataques às Torres Gêmeas não forçaram os EUA a adotarem o Islã. A condenação de Salman Rushdie não evitou a publicação de ‘Versos Satânicos’. (…) Os ataques em Paris, como muitos outros, não visavam mudar o comportamento do Ocidente, mas sim entrar arrogantemente em uma sala, se espreguiçar e esperar o surgimento de alguns suspiros de admiração. No caso, os suspiros são mais recrutas e mais doações para manter sua organização viva. Elas têm de provar sempre que são mais relevantes que o grupo terrorista concorrente. É apenas negócio.”

O Islã no debate

“Sabendo que os ataques terroristas não são sobre religião, chegamos a um ponto em que podemos parar de colocar o Islã dentro das discussões. Sei que não estamos lá ainda porque a maioria da população Ocidental não entende o islamismo. Todo o que veem são decapitações brutais, sequestros de meninas, massacres sangrentos de crianças em escolas e esses tiros. Naturalmente, eles ficam com medo quando ouvem a palavra ‘Islã’ ou veem alguém com alguma roupa tradicional muçulmana.
(…) Quando o Ku Klux Klan queima uma cruz no jardim da casa de uma família negra, cristãos importantes não são chamados para explicar como esses não são atos realmente cristãos. A maioria das pessoas percebeu que o KKK não representa os ensinamentos cristãos. É isso o que eu e outros muçulmanos tanto esperamos: o dia em que esses atos terroristas em nome do Profeta Maomé ou dos ensinamentos de Alá forem instantaneamente reconhecidos como criminosos disfarçados de muçulmanos.”


Por: Gérson Floriz Costa Júnior - Dirigente do Cantinho de Francisco de Assis.