5 de fev de 2015

Dívidas na Encruza. Parte 2: as consequências


Colhemos o que plantamos, então tome cuidado com o que vai pedir.

Olá irmãos umbandistas, como vão vocês? Já falamos anteriormente sobre as dívidas na encruza e como não se portar, hoje seguiremos neste tema abordando as consequências dos maus pedidos que fazemos ao Povo de Ganga (da cancela, encruza, cemitério, figueira, calunga etc.).

Melhor do que ficar numa longa dissertação, vou contar-lhes uma história, mas antes vamos alinhar alguns conceitos:

Ação e reação: é a lei da vida, você colhe o que planta. Só se arrepender não reparará as coisas.

A caridade e a assistência espiritual são limitadas por quem as recebe: você ajuda até o ponto em que a pessoa poderá se gerir por si, é a velha história de "ensinar a pescar em vez de dar o peixe".

O Devedor ganancioso

Certa vez uma velha amiga me pediu ajuda espiritual, pois seu genro estava em sérios apuros com a baixa espiritualidade. Disse-me ela que o rapaz queria ser rico a qualquer custo e percorreu tudo que é templo religioso por aí (igrejas, centros espíritas, magos etc.) atrás de uma solução mágica que o tornasse próspero. A cada fracasso acumulado, o rapaz recorria a forças mais baixas da espiritualidade até que chegou num "terreiro" que solucionaria seu problema por um preço dito razoável. 

Sem titubear o rapaz aceitou. Iniciou-se ali o banho de sangue, pólvora e cachaça. Segundo ele mesmo me contou, as entidades olhavam em seus olhos e diziam que não adiantaria pedir nada a Deus, porque quem mandava no mundo era do Diabo e perguntavam se ele estava mesmo disposto a fazer o necessário para conquistar o que queria, se concedia a eles o direito de agir em seus caminhos. Sim era a resposta universal naquelas conversas.

Mas como nem tudo são flores, o rapaz não teve o dinheiro para pagar o serviço feito, o "Pai de Santo" cancelou a "caridade" e os tais espíritos vieram cobrar o que lhes pertencia, ou seja, a alma do sujeito. Os sonhos e visões eram pouca coisa perto das aparições. Uma vez um mendigo apareceu do nada ao lado de seu carro pedindo cigarros e quando os conseguiu, depois de muita insistência, agradeceu com um "Laroiê pra você também". A gota d'água foi quando essa minha amiga viu o mesmo mendigo deitado sobre o corpo do rapaz, que dormia. um presságio de morte.

Aí a moça me liga, reúno os médiuns, vamos para o terreiro e abrimos uma gira de descarrego só para isso. Todos os guias que baixaram no terreiro, sem exceção, o questionavam se ele queria mesmo aquele trabalho, se ele se arrependia do que pediu e se teria foco em sua família em vez do dinheiro. Sim, mais uma vez, foi a resposta universal. Me recordo que uma Pombogira lhe disse "Você fez tanta cagada que para a gente pensar em correr sua gira e desfazer o que foi feito, você terá de arrear aqui neste chão 7 oferendas pra Exú e 7 para Pombogira. Uma por mês durante 7 meses". Sim, mais uma vez.

Amigos, isso já faz um bom tempo. O rapaz nunca mais apareceu lá, nem para dizer "Obrigado pela ajuda, mas não creio mais que ela seja necessária".

O que acham disso?