4 de fev de 2015

Dívidas na Encruza. Parte 1: como NÃO se portar.


Pense bem antes de pedir algo ao povo da encruza, Exú tem ótima memória.

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Hoje iniciaremos uma série de artigos sobre o que pedimos e acabamos devendo na encruza, sobre aquilo que a gente pede e como se porta após isso. Sei que eu havia prometido este texto para semana passada, mas a vida dá umas voltas interessantes e tudo acontece na melhor hora. sábado passado realizamos, em meu terreiro, nossa festa de Xangô e depois viramos para a esquerda com Exús e Pombagiras, ou seja, o orixá da justiça seguidos dos trabalhadores dos planos astrais mais densos, aqueles que lidam com a ganância e egoísmo humanos. Achei mesmo que Xangô seria uma boa dica de como aproveitar a gira de Exú. só achei, inocentemente.

Mesmo antes de a gira começar eu disse:

"Na Umbanda trabalhamos com o merecimento, os orixás estão aqui para te ajudar a conquistar e não para dar algo de graça. Você sempre terá de trabalhar por aquilo que pretende ter".

Depois disso teve passe com Xangô, Senhor da Justiça e vocês pensam que funcionou? Frases que foram ditas entre os visitantes naquela noite (de forma sorrateira, mas lembrem-se que o Pai de Santo tem ouvidos nos quatro cantos do terreiro):

"Porra, não vão chamar logo as Pombagiras? Eu tenho mais o que fazer ainda hoje."

"Eu só vim para pedir minhas coisas pra esquerda e nem vou perder muito tempo aqui."

Legal isso, né? A gente se prepara, estuda, firma a casa e a corrente, se esforça o máximo possível para criar um ambiente seguro e de energias positivas, nos doamos por completo e tentamos passar boas mensagens para que as pessoas aprendam algo e voltem em paz para as suas casas. Mas em vez disso elas vão lá já com rosas e champanhe nas mãos como um prévio agradecimento (ou pagamento) pelos pedidos que eles esperam ter atendidos. Já dá para imaginar a natureza da maioria desses pedidos, não é? sexo, sexo, sexo, homem, dinheiro, sexo, grana, casa, carro, proteção contra os inimigos e sexo.

O meu conselho para encerrar essa primeira parte de texto sobre o que se pede ao povo da encruza: o ideal é que conquistemos tudo com o nosso próprio esforço. Exú é uma força muito poderosa e precisamos saber utilizá-la, pois seremos cobrados (nessa e em outras vidas) por nossos atos mesquinhos.

A Umbanda é uma dádiva, desde que saibamos desfrutar dela decentemente. Caso contrário, a saliva que escarramos para o alto voltará para as nossas cabeças.

Semana que vem tem mais. Axé!