6 de jan de 2015

A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos – VII

Foto de Hercílio Maes
PERGUNTA: O vosso médium, que nos parece desembaraçado e desprovido de convenções, chapas ou prosopopéias mediúnicas, porventura também atravessou essa fase anímica e contraditória, transmitindo o pensamento dos encarnados através de comunicações ridículas, ingênuas e superficiais?


RAMATÍS: Sem dúvida, na fase primária do seu desenvolvimento ele também comunicou as ideias dos espíritos através de frases empoladas, dos dísticos supersticiosos ou redundâncias sem proveito doutrinário. Durante longo tempo mantivemo-nos na expectativa, aguardando pacientemente que ele atravessasse o período das longas perorações, dos datismos próprios dos intelectos desenvolvidos, porém indisciplinados, das narrativas fatigantes e intermináveis, fruto natural do seu animismo e inexperiência. Ele também proferia longas saudações de abertura em trabalhos espíritas, copiou os gestos, as exclamações e o tom da voz dos médiuns aos quais atribuía o melhor quilate. Muitas vezes exagerou nos floreios provincianos, tentando impressionar o público pela exposição de conceitos triviais, que julgava de alta filosofia espiritual. No entanto, quando temíamos que ele se cristalizasse num mediunismo improdutivo e convencional, mostrou-se inconformado com a situação e desejoso de novos conhecimentos e atirou-se incondicionalmente ao estudo de tudo aquilo que lhe pudesse dar um conceito superior da vida criada por Deus. Vimo-lo romper as fronteiras ortodoxas de sua crença e pesquisar os esforços alheios dos demais homens que sinceramente buscam a Verdade, cimentando-os com os ensinamentos da ciência e da psicologia do mundo material. Na sua investigação incondicional sobre a imortalidade do espírito, o nosso médium terminou por compreender que Deus é íntegro à sua Obra, por cujo motivo a própria matéria é também uma criação divina, como condição provisória para a alma despertar a sua consciência.

Sem qualquer constrangimento ele examinou cuidadosamente as suas próprias incongruências e estigmas anímicos, que interferiam nas comunicações com os desencarnados; pesquisou o subconsciente sob o método freudiano e terminou por identificar inúmeras anomalias que se interpunham durante o seu transe mediúnico. Investigando o fenômeno da mediunidade sem a mística religiosa que dogmatiza, pouco a pouco eliminou inúmeras intervenções anímicas que obscureciam o nosso intercâmbio espiritual, passando a facilitar-nos as comunicações por seu intermédio.


Por: Ramatís/Hercílio Maes - Do livro: “Mediunismo" - Editora do Conhecimento