5 de jan de 2015

A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos – VI


PERGUNTA: Essa preocupação anímica e febril de alguns médiuns em "abrir" os trabalhos mediúnicos, assim como os chavões e as frases obsoletas com que eles preludiam as comunicações dos desencarnados, devem ser alvo da nossa censura na seara espírita?


RAMATÍS: Desejamos esclarecer-vos que o nosso principal intuito nesta obra é o de enfrentar o problema anímico em sua essência, sem receio de qualquer "tabu" ou misticismo lacrimoso que favoreça a instituição de dogmas no seio do Espiritismo. Muitos fatores indesejáveis e que rebaixam o nível das comunicações espíritas podem muito bem ser corrigidos em tempo, e assim desimpedirem o progresso medianímico. Não podemos censurar os médiuns anímicos, porque o animismo é fruto natural e lógico do seu desenvolvimento mediúnico, embora muitos deles continuem estacionados nessa improdutividade, depois de já se considerarem completamente desenvolvidos. O médium em desenvolvimento é um desarvorado, engatinhando dificultosamente e copiando os cacoetes, as veleidades e as contradições daqueles que ele julga mais competentes. Na verdade: o médium evolui ou cristaliza-se; ele estaciona entre as excrescências anímicas copiadas do "modelo" veterano em que se inspirou, ou então estuda, pesquisa e desenvolve o senso de autocrítica suficiente para entender melhor o seu próprio temperamento e caráter, a fim de se livrar o mais cedo possível das anomalias do animismo improdutivo.

Não importam os tropeços dos primeiros passos, embora dominem os chavões anímicos, as comunicações tolas, pomposas ou improdutivas, que significam para o candidato a médium tanto quanto o "abc" para o analfabeto ou o solfejo musical para o aprendiz de música. A base do mediunismo ainda é o animismo; sem este não existe aquele. Os rasgos de oratória genial, com que certos médiuns experimentados mais tarde deslumbram os seus ouvintes, também firmaram suas bases nos cacoetes, nas dúvidas, nos ridículos e tropeços das manifestações mediúnicas incipientes dos primeiros dias.


Por: Ramatís/Hercílio Maes - Do livro: “Mediunismo" - Editora do Conhecimento