2 de jan de 2015

A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos – V

PERGUNTA: Como se explica melhor essa aflição de quase todos os médiuns novos, quanto à sua insistência e preocupação de "abrir" os trabalhos mediúnicos com a palavra dos seus guias, que geralmente denominam de "protetores"?

RAMATÍS: Os médiuns novatos crêem que o seu desenvolvimento mediúnico depende mais propriamente da maior "quantidade" de comunicações de espíritos desencarnados, do que da "qualidade" do estudo do espiritualismo e de sua urgente renovação moral. Então afobam-se em aproveitar todo o ensejo favorável, que se fizer nos trabalhos espíritas, para transmitir a sua comunicação mediúnica, pois sentem-se profundamente malogrados quando não podem concretizar tal desejo.

Basta lembrar-vos que nos trabalhos mediúnicos onde a direção da mesa é inexperiente ou de excessiva condescendência, há momentos em que várias comunicações se atropelam simultaneamente, ou alguém ainda comunica após o encerramento, tal a febre dos novatos em transmitir a palavra dos seus guias, embora estes não sejam tão afoitos.

Se o êxito da mediunidade dependesse do maior número de comunicações de espíritos desencarnados, é evidente que os tipos populares, obsidiados de ruas, e os infelizes segregados nos manicômios deveriam ser considerados "excelentes" médiuns completamente desenvolvidos, pois comunicam fielmente a todo instante a palavra e os desejos dos seus obsessores.

Em conseqüência evitem-se os excessos das saudações dispendiosas nas aberturas de trabalhos mediúnicos, as preleções triviais, as longas perorações e os comunicados excêntricos que fatigam o público, como frutos do animismo exacerbado dos médiuns novatos. Que se aproveite ao máximo possível o tempo disponível para o esclarecimento dos "vivos", em vez de se estimular o estéril convencionalismo dos "mortos"!


Por: Ramatís/Hercílio Maes - Do livro: “Mediunismo" - Editora do Conhecimento