30 de dez de 2014

A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos – II


PERGUNTA: É razoável essa imitação por parte dos médiuns "novos", no desenvolvimento mediúnico?

RAMATÍS: Isso é humano e bastante justificável, pois metade da humanidade gostaria de imitar a outra metade. É de regra geral que, em qualquer experiência no mundo, os neófitos se guiem pelos veteranos, porque desconhecem o caminho
e, assim, precisam seguir as pegadas dos que lhes vão à frente. O artista, a cantora, o escritor ou orador famosos seguem pela vida acompanhados do cortejo de imitadores que, nessa ansiosa emulação, também buscam a mesma fama e celebridade. É certo que alguns dos imitadores, com o decorrer do tempo, também conseguem impor-se por alguma criação original; mas, de início, o candidato incipiente precisa apoiar-se naqueles que já alcançaram o êxito. Acontece o mesmo no campo da mediunidade, em que os novatos procuram assimilar as qualidades dos veteranos, malgrado no futuro poderem até superá-los vantajosamente. No entanto, desde que os candidatos a médiuns olvidem o estudo, a pesquisa incessante, e receiem enfrentar os "tabus" supersticiosos, preferindo a cômoda posição do misticismo suspiroso improdutivo, não há dúvida de que se cristalizarão como ruins imitadores dos bons ou maus médiuns em que se inspirarem. E assim viciar-se-ão também aos chavões sentenciosos, às senhas sibilinas e às metáforas ridículas que são proferidas sob a eloquência imitativa dos velhos tribunos romanos.

Só o conhecimento profundo da bibliografia espírita, quer quanto à parte doutrinária, quer quanto à prática mediúnica, é que realmente poderá reduzir a interferência anímica do médium nas comunicações mediúnicas, ajudando-o a eliminar gradativamente os datismos, as imitações, as redundâncias e a prolixidade indesejável no intercâmbio sensato com os desencarnados. Em alguns trabalhos espíritas de nível intelectual muito pobre, em que os seus componentes se limitam a uma interpretação tristonha e lacrimosa do Evangelho, chega-se a exaltar o "tabu" do médium analfabeto, o qual compensa a sua ignorância apenas pela sua boa intenção.

É de senso comum que só a boa intenção não basta para o êxito completo no comando da vida, pois muitos acontecimentos indesejáveis e trágicos do mundo são frutos da ignorância daqueles mesmos que os dirigem, embora sejam bem intencionados. E o médium, que é um intermediário dos ensinamentos e roteiros do mundo espiritual para os encarnados, não pode eximir-se do estudo doutrinário, da pesquisa mediúnica e da cultura do mundo em que vive, malgrado alegue que também age com boa intenção, pois esta deve estribar-se em conhecimentos seguros e sensatos, para não se produzirem prejuízos irreparáveis à fé e à confiança do próximo.


Por: Ramatís/Hercílio Maes - Do livro: “Mediunismo" - Editora do Conhecimento