29 de dez de 2014

A influência anímica na abertura dos trabalhos mediúnicos - I


PERGUNTA: Que dizeis dos médiuns que sempre iniciam os seus trabalhos mediúnicos usando fórmulas ou palavreado particular, espécie de prefixos sem qualquer sentido doutrinário e vazios de significação, tais como estas frases: 'fiquem convosco as bênçãos das infinitas alturas", "baixem as luzes dos pés de Deus sobre vós", "que a bandeira branca coroe vossas cabeças" ou "o manto da humildade se desfolhe sobre vossos ombros"? Trata-se de convenções particulares dos espíritos comunicantes, ou apenas de fruto do animismo dos médiuns?
RAMATIS: Isso é mais comum entre os candidatos a médiuns, em desenvolvimento mediúnico, ou próprio daqueles que se cristalizaram num mediunismo improdutivo. Certos vícios anímicos propagam-se por vários médiuns, que na fase do seu desenvolvimento os copiaram do médium principal da instituição espírita onde iniciaram seus primeiros passos para o despertamento de sua faculdade. Trata-se, neste caso, de um animismo coletivo, próprio de determinados trabalhos espíritas doutrinários ou mediúnicos ainda incipientes.
Quando os candidatos a médiuns têm a sorte de se colocar sob a direção de outros médiuns estudiosos, sensatos e avessos às fórmulas, aos símbolos, às chaves ou ao fraseado pomposo, eles também desenvolvem sua faculdade sem as excrescências anímicas que tanto obscurecem ou ridicularizam a prática mediúnica. Há médiuns que, devido ao estudo incessante das obras espíritas e indagaçõe esclarecedoras, progridem tão rapidamente no primeiro ano do seu exercício mediúnico, que ultrapassam em conhecimentos e experiências aquilo que os seus companheiros comodistas, preguiçosos, displicentes ou sectaristas não conseguem em 20 anos de trabalho. Estes últimos vivem repetindo- as comunicações fastidiosas tantas vezes repisadas, usando dos velhos chavões e da eloquência sentenciosa de sempre, enquanto permanece vazio de qualquer proveito espiritual o conteúdo do que transmitem. Pensando que o desenvolvimento mediúnico se resume na exclusiva operação de "receber" espíritos desencarnados, eles se habituam à mesma chapa mediúnica usada há vários anos, enquanto se cristalizam mim animismo improdutivo, que impede os guias de expor qualquer assunto novo aos encarnados, pela impossibilidade de atravessarem o paredão granítico de um condicionamento tão pobre de recursos intelectivos e de conhecimentos espirituais.

Daí o caso desses longos fraseados sem sentido lógico, que os médiuns repetem de modo lacrimoso ou sob afetada eloquência quando abrem os trabalhos espíritas. Tal como acontece nos demais setores da vida humana, os "calouros" sempre imitam os veteranos, coisa que também é justificável no ambiente espirítico. Os candidatos a médium e os neófitos do ambiente espírita raramente conhecem as obras de Alian Kardec, Leon Denis, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Paulo Gibier, Dale Owen, William Crookes, César Lombroso, Albert de Rochas, Aksakoff e outros aos quais seria extenso reportarmo-nos, mas suficientes para os esclarecerem de modo a se extirparem os ridículos, as trivialidades e as manifestações mediúnicas que contrariam o bom senso. Em conseqüência, aos displicentes só lhes resta seguir ao pé da letra tudo aquilo que observam no médium desenvolvido e instrumento do guia diretor dos trabalhos do Centro Espírita. Em face do "tabu" inescrutável, espécie de dogma espírita, de que tudo aquilo que o guia diz ou ensina deve ser observado religiosamente, tal como os fiéis católicos seguem o padre, os médiuns novatos também aceitam cegamente e sem qualquer pesquisa corajosa o que expõe o médium senhor do trabalho, que também pode ensinar tolices à guisa de conceitos de elevada filosofia espiritual. Em conseqüência, em breve surge o animismo coletivo, resultando em cópias fiéis dos mesmos chavões, habituais de aberturas de trabalho, das preleções pomposas, dos cacoetes mediúnicos e os tons de voz dramática e altissonante.


Por: Ramatís/Hercílio Maes - Do livro: “Mediunismo" - Editora do Conhecimento