27 de out de 2014

Agô Mestres!

É assaz chocante, quando se faz um exame no “panorama” chamado Umbanda, através dos ensinamentos de suas Escolas, por seus Livros ou Evangelhos...

De um lado vê-se uma “mistura” de Africanismo e Catolicismo; de outro, Kardecismo e o dito Catolicismo... Ou os três juntos.

E ainda de outro, mais um “tempero” surgiu, com uma inovação, espécie de culto esdruxulo que começa a florescer num crescendo assustador; passaram a render “hosanas” às mais variadas estátuas de pretos e pretas velhas, índios de tipos diferentes, isto é, de “várias nacionalidades” e as “formas” que se assemelham a do suposto Diabo da Mitologia, com chifres, ferrão, serpentes, capas pretas e vermelhas... que dizem ser Exus...

E o interessante é que todas essas “ditas coisas” são tidas como expressando as tão citadas ”mirongas”, ou as tão apregoadas verdades, desta tão mal interpretada Umbanda de todos nós.

Mas o que causa realmente espanto, vem de setores que se dizem altamente situados a ensinarem essas mesmas verdades, todas elas como a lidima revelação da Lei de Umbanda... Com a confusão que fazem de “alhos e bugalhos”...

Nesta altura, um pequenino “eu”, de uma pequenina Tenda, dessas que certos “iniciados” generalizaram como africanistas, “macumbistas” e outros epítetos, sem antes se darem ao cuidado de provarem que realmente entendem de Umbanda, porque a única “novidade” que apresentaram até agora foi o “meterem o pau” nesse pobre africanismo, pensando que todos os Dirigentes de Tendas o praticassem fossem analfabetos, ostentando Guias de araque...[1]

Nesta altura, repito, um pequenino “eu” pede – AGÔ MESTRES...

AGÔ para dizer a vossos “iluminados mentais” que dentro da verdadeira Umbanda do momento, existem legítimos Diretores Espirituais, que tem um DOM REAL E EXISTENTE.

Esses são Médiuns de “fato e de direito” e seus Mestres, os Orixás da Lei, “falam, revelam e não mentem”, os inalteráveis e reais PRINCÍPIOS que não estão escritos ainda, nas páginas dos atuais Livros de Umbanda...

Assim, peço AGÔ mais uma vez, oh! “mestres”, para perguntar: que Entidades, Anjos ou Cherubins, Livros Sagrados ou Científicos, vos revelaram que a Lei de Umbanda é “criação” de menos de dois mil anos e seus inspiradores foram os primeiros mártires do Cristianismo, conhecidos como Santos, atualmente?...

Quem vos disse que Ogum é São Jorge e que Ogum de Lei é São Lázaro?... Era o caso de arranjarem mais 5 Santos para serem identificados com os Orixás que faltam para totalizaram os 7 que dirigem esta Linha, ordenada pela Vibração Original de Ogum...

Ou então mais 7 vezes 7, igual a 49 Santos, para simbolizarem os ORIXÁS PRINCIPAIS de cada Linha... E ainda por essa “lógica”, surgiria uma “Umbanda” com 365 linhas que corresponde à quantidade mínima de Santos que enchem o calendário...
S
aibam então que OGUM é o TERMO LITÚRGICO que se identificou como uma das “sete palavras perdidas” compostas de duas sílabas ou palavras “falantes” que no fundo vem a ser a mesma: IG ou AG, que é o AGNI dos Hindus – o Fogo Sagrado; e AUM, OM ou UM, invocação mística do Brahmanismo que encontra sua CORRESPONDÊNCIA FONÉTICA em OGUM que traduz essas ditas invocações místicas, Exemplo: O FOGO SAGRADO, O FOGO DA SALVAÇÃO ou DA GLÓRIA, O FOGO DEVORADOR...

E ainda na Cosmogonia, o FOGO ETÉREO... Em síntese é uma VIBRAÇÃO ORIGINAL.

Saibam, portanto, que a Entidade de Jorge se identifica como Ogum de Lei, um dos sete Orixás da Linha ou Vibração, isto é, UM igual a mais SEIS... Um dos Diretores, um dos Patronos etc., porque todos os Orixás se identificam, precedendo os nomes que os qualificam com o da dita vibração original que os ordenam...

Quem vos disse ou “inspirou” ainda, oh! “mestres” das verdades ocultas (ou ocultadas) que Jerônimo, doutor em Leis, que no ano 384 traduziu (perplexo e duvidoso) o Novo e o Velho Testamento conhecido depois como VULGATA e que só foi Santo, muito tempo depois, fosse a própria VIBRAÇÃO ORIGINAL DE XANGÔ... E comandasse sozinho todos os Orixás, das 7 Legiões, cada uma com 7 Falanges, que formam UMA das Linhas da Lei de Umbanda?...

AGÔ para dizer-vos que XANGÔ é também uma das “sete palavras perdidas” que traduz em si, uma das Sete Vibrações Originais, que ordenam os SETE ORIXÁS PRINCIPAIS, inclusive o chamado Jerônimo que é um desses, isto é, chefe de Legião... E ele se identifica como Xangô Kaô (Kaô quer dizer – a Pedra do Céu, ou o ÉTER do Céu).

XANGÔ ou CHANGÔ na verdadeira grafia é composto de duas sílabas ou palavras falantes; a primeira, CHAM significa – O FOGO SUBTERRÂNEO, O RAIO; a segunda GÔ, significa – RAIO, ALMA, SENHOR; e esses valores que compõe a dita palavra mística, traduzem – Alma do Fogo Subterrâneo, Senhor do Raio Oculto, Senhor do Raio etc.

Ora, “essas coisas” não são pura MITOLOGIA AFRICANA; TEM SEU VALOR COSMOGÔNICO...
AGÔ, então, TRÊS VEZES, para terminar nestes dois exemplos dizendo que, Gregos e Troianos podem ser donos de “quantas espécies” de umbandas queiram, fabricadas à “sua moda” que esse pequenino “eu” não tem nada a ver com “isso”; mas não digam nunca, POR FAVOR, que essas traduzem a UMBANDA VERDADEIRA...

Porque existem Médiuns e chefes de Tendas que sabem distinguir Orixás, Guias e Protetores em suas Linhas ou Vibrações certas...

E jamais mudariam por livre “inspiração”, um Caboclo (4) Quatro Luas, que conforme o número e a palavra que o qualifica traduz, ali pelas três horas, 4, número par, gerado e gerador; LUA, Planeta dito feminino porque é o da gestação, fecundação, corresponde à Vibração de YEMANJÁ – A DIVINA MÃE NA UMBANDA, por analogia, o Eterno Feminino, a Mãe Sofia dos Teosofistas etc.

E Pai André, Pai Joaquim, Pai José, Vovôs e Vovós, todos altamente evoluídos que VELANDO suas “vestimentas karmanicas”, cumprem Missão, usando uma das “TRÊS FORMAS” ordenadas na Lei, como seja, a dos Pretos Velhos que assim o fazem debaixo de sua própria de YORIMÁ... para a já citada Vibração de Xangô; porque demonstrariam assim uma total ausência de “conhecimento de base”.

E nunca em tempo algum, até nos ditos “meios africanistas, se ouve afirmar que um “preto velho” fosse chefe de uma Falange de “Caboclos” de outra vibração, tendo, portanto, sus próprias chefias...

E jamais oh! mestres, tornem a falar dessa SENHORA DA LUZ VELADA – UMBANDA DE TODOS NÓS, sem pedirem AGÔ, TRÊS VEZES, para que um “véu de vossas mentes” seja afastado e assim possam VÊ-LA, em seus VERDADEIROS PRINCIPIOS...

[1] Araque é uma gíria muito usada nas décadas de 1960 e 1970 e significa falso


Por: W. W. da Matta e Silva - Matéria publicada no Jornal de Umbanda., Abril de 1955, n. 53