3 de set de 2014

"Grupo perfeito?!"

No espaço deste Blog semanal, abriremos espaço para o lúcido pensamento de Laurentino Simões, autor do livro “Nos Passos de Jesus”. Escrevendo a respeito da ilusão dos que esperam integrar um grupo espírita perfeito, sem qualquer problema no campo do relacionamento entre os seus integrantes, Laurentino escreveu:

Não estejamos à procura do Grupo Espírita perfeito, porque os integrantes de todos os grupos humanos são assinalados pelas imperfeições que caracterizam as pessoas na Terra.

Neste sentido, nem mesmo o grupo dos Apóstolos, constituído pelo Cristo, para auxiliá-Lo na pregação da Boa Nova, era perfeito.

Não obstante, o Senhor se fez o incansável mediador da paz e do entendimento entre eles.

Assim, o que escolhemos?! Ser a pedra de tropeço no caminho das atividades a serem cumpridas ou ser alguém que se dispõe a removê-la, sempre que apareça?!

Ser um solucionador de problemas ou um complicador para as dificuldades que surgem?!

Um incendiário ou alguém disposto a apagar as labaredas da discórdia?!

Como soa, em nossos lábios, a palavra que proferimos?! Agressiva ou pacificadora?! Humilde ou soberba?! Fraterna ou autoritária?!

Sob o pretexto de defender o que julga correto, ninguém deve se dirigir aos outros como quem traz um relho nas mãos.

Dentro do templo, conscientizemo-nos de que não somos o Cristo – nós somos vendilhões!

E se, porventura, ainda hoje, Ele aparecesse para sanear o templo, precisaríamos nos perguntar quem de nós estaria em condições de permanecer dentro dele.

Realmente, Laurentino tem razão. Porque, os vendilhões do templo não são apenas aqueles que objetivam lucro financeiro com as suas atividades, mas todos os que, não raro, utilizam a transitória posição que nele ocupam por moeda de troca às suas ambições rasteiras.

São, por exemplo, os que se mostram interessados em vender ou comprar prestígio e influência...

Os que se valem dos precários recursos que administram na direção desse ou daquele departamento assistencial da Casa, para colocarem à mostra as suas frustrações de ambição de poder...

Os que, enfim, nos testes de avaliação espiritual a que se submetem, são reprovados, porque revelam que ainda não estão preparados para assumirem maiores responsabilidades na condução dos povos...

Não basta estar com o Cristo, ou viver perto Dele, para, verdadeiramente, ser seu seguidor. Vejamos o lamentável caso de Judas!

Assim, não basta construir um Centro Espírita, ou viver dentro dele, para que alguém, de fato, possa estufar o peito, e até com certa vaidade de natureza espiritual, proclamar aos quatro ventos: - Eu sou espírita!...

Não raro, mais espírita é aquele que não o diz ser, como, igualmente, mais médium é aquele que imagina não ser portador de qualquer faculdade mediúnica.

O grupo espírita perfeito que tanta gente vive à procura se caracteriza não pela perfeição dos outros que o integram, mas sim, e principalmente, pela sua.


Por: Inácio Ferreira