17 de set de 2014

A macumba e a Umbanda Espírita Cristã

Engraçado o título. Sim, mas não tem graça alguma. Não tem graça por que o Umbandista não é macumbeiro. Não tem graça por que quem usa esse termo, o usa de modo depreciador, preconceituoso e ignorante (por que ignora o que é “macumba”. Vai procurar saber, por que não vou explicar). Fala de uma forma a humilhar e caracterizar algo que deveria ser belo em ridículo e primitivo (periférico, pobre, “sem cultura”, etc). Quando na verdade é uma religião belíssima, com doutrina, base, mensagem e processo religador do homem com Deus.

Ver na TV a Umbanda ser achincalhada nos programas humorísticos (!) é tétrico, lamentável e, ao mais frágil fiel, uma pulga astro física que o fará pensar se essa é realmente a sua religião. E eu digo, não é! Mesmo ao frágil quanto ao cônscio. Não é! A Umbanda não é isso.
A Umbanda é o “Conjunto das Leis de Deus”! Não um conjunto, um aglomerado, uma balbúrdia, recheada de ignorâncias e primitivismos.

Infelizmente muitos a fazem assim. E o grande detalhe disso tudo é que pouco importa o que o católico, maometano, muçulmano, protestante ou argentino achem da Umbanda. O que é lamentável é o que o Umbandista faz da Umbanda. Gandhi falava que o que o preocupava não é a “ação dos maus, mas a inércia dos bons”. Ou seja, quem se posiciona para que a nossa religião não seja esse rebotalho público? Ninguém. E pior que a inércia dos bons é a acomodação e conveniência de boa parte que milita na religião, vendo de forma tão distante a sua ação crística e preferindo vangloriá-la ao quesito de resolução de problemas e ascensão social dos menos favorecidos pela sociedade, “se valendo de algo que de graça recebemos”, se locupletam no seu ego e angariam, por que é ignorante, (ignora) o quanto haverá de responder adiante…

Por isso eu digo: sou Umbandista Espírita Cristão.

O que nos diferencia, umbandistas espíritas cristãos, da “macumba” e dos chamados macumbeiros? Antes de explicar me vem à mente uma única palavra para definir essa diferença. Eu diria: TUDO!

Sim, sem falsa modéstia e repleto de orgulho santo, digo e afirmo que o que diferencia a Umbanda Espírita Cristã das macumbas que se vê por aí está numa única palavra: tudo!

Esse “tudo” que lhes falo não se refere a preconceito, elitismo como já fomos chamados (engraçado, só por que estudamos a doutrina e o Evangelho…), mas sim em buscarmos sempre, dentro da racionalidade, a devoção, o respeito e a sacralidade que a religião que amamos e professamos nos proporciona. E quem não gosta disso, nada podemos fazer. Afinal, “gosto não se discute, se lamenta”.

Pois bem, esse ponto “tudo”, a fim de entendermos o que quero dizer, pode começar por simples exemplos e outros mais profundos e mais graves. Um deles, por exemplo, já começa a 2000 e tantos anos atrás, quando esteve entre nós a “Luz do Mundo” e o sagrado “motivo” da existência do Evangelho, pois através d’Ele, se estabeleceu entre nós, nos rejubilando de esperança, a Boa Nova.

1. Jesus


Esse já seria um adendo mais que acentuado, pois Jesus é o sentido de tudo. É o Caminho, a Verdade e a Vida, e não se vai ao Pai que não seja através dele, pois somente ele pode nos dar a verdadeira paz. Não encontraremos paz nos Caboclos, Pretos Velhos e Exus, nem serão eles ou Ogum, o caminho para a Verdade e a Vida. Estes nos mostram, nos indicam, e até, como muitos que aportam sofridos nos Templos sérios, nos apresentam Jesus. E após apresentá-lo, nos ensinam a segui-lo, como eles o seguem. Comparo com Paulo quando ele nos diz numa de suas Epístolas: “Sejam meus imitadores, como eu sou do Cristo”! Enfim, “ouçam o que falamos, sigam Jesus, como nós seguimos”! Diriam os Guias.

Aí entra a “macumba” na história e Jesus levado a “condição de raio”, onde se diz que ele é Oxalá, num nada racional sincretismo fantasioso. Esse é um fato que ocorre também com os demais Orixás, onde estes são antropomorfizados à imagem e semelhança da crendice e superstição, transformando emanações divinais em pessoas passionais, doentes, coléricas, invejosas, fofoqueiras, ciumentas e blá blá blá…

Pois um ponto de diferença é o zelo que o sacerdote umbandista espírita cristão tem pela sua religião, onde não admite, em hipótese alguma, qualquer tipo de brincadeira depreciativa sobre ela. Religião para o sacerdote é algo sério, é de valor inestimável, pois é através dela que ele se religa ao Sumo Bem, a Tudo que está acima de todas as coisas e, consequentemente, à sua condição de espírito livre, divinal, repleto de paz e alegria. Não se vê um sacerdote umbandista espírita cristão dizer que “hoje tem curimba” ou que é “macumbeiro de mão cheia”, ou relatos minimizadores de sua grandeza enquanto religião. Aquele que se diz Sacerdote de um Templo de Umbanda e faz tais comentários, ainda não é sacerdote, está um pretenso sacerdote e, se não orar e vigiar, talvez nunca seja.

O Sacerdote Umbandista não é aquele que, como vi várias vezes na minha vida e cito um exemplo aqui, duas mocinhas balconistas de uma loja de Umbanda e artigos religiosos falando uma para a outra, sobre uma irmã sua de Centro: “aí ela chegou com aquela carinha dela de Iemanjá, sabe”? Pergunto-me diante de abismal comentário, a fim de entender, pois posso ser eu o ignorante nesse assunto: o que é uma “carinha de Iemanjá”? Cheguei a imaginar que encontrou a garota logo de manhã cedo, no ponto do ônibus, e ela estava com a cara lavada e o cabelo todo molhado do banho ainda… Enfim, fiquei no vácuo, sem saber! Certa vez fui apresentado ao um senhor que olhou para o alto da minha cabeça, fechou os olhos, balbuciou palavras incompreensíveis e disse a todos a sua volta: “que coroa linda”. Como espírito imperfeito que sou, não consegui deixar de perguntar algo ao moço: “O senhor conhece a minha mãe”? Sim, por que na época minha mãe era “enxutona”. E com isso, a conclusão que eu tiro é a total falta de doutrina, de conhecimento, de estudo, de seriedade, de disciplina, de sacralidade… E uma bruma espessa de fantasia e crendice a adornar a atmosfera dessas pessoas. Me perdoem, mas meios de elucidação não faltam. Existem templos sérios, existem fontes de estudo sérias e existe o EVANGELHO!

O sacerdote Umbandista Cristão é aquele que, respeitando a diversidade, se faz respeitar por essa diversidade, não criando “climão”, mas optando por não participar ou partilhar de rodas de papo que favoreçam o demérito das pessoas que não estão presentes, principalmente sendo seus irmãos de corrente espiritual. Além de não aceitar, se nega a ouvir ou ficar em cima do muro. Como diz a historinha, um muro separa a luz das sombras, mas atentem, o muro pertence às sombras, pois quem sobe nele e ali permanece, de fato ainda não busca a luz. Ou a teme.

E falando em respeito, vamos a mais itens que parecem intermináveis… O zelo que o Sacerdote tem pela sua roupa de liturgia. Sim, claro! Aquela roupa branca (óbvio, o branco!) faz parte de sua “indumentária de culto”, ou de uma Gira. Uma Sessão de Umbanda não é um culto a Deus? Óbvio que sim. Quem vai a um Templo e não pensa nisso ainda, ou não tem compromisso com isso, ainda busca os mercadinhos do mundo, atrás de consultas e barganhas com as trevas. Mas isso é outro assunto.

Voltando às roupas, além delas temos as Guias, a toalha, no nosso caso, a Cruz de prata que recebemos quando iniciados nos nossos Rituais Iniciáticos (mais pano para manga). Tudo isso deve ser devotadamente usado com asseio e zelo, onde a roupa branca que iguala aos outros irmãos sacerdotes, agregando na cor branca todas as cores e matizes existentes, e nos destaca do mundo também. Costumo brincar que usamos branco para Deus não nos perder de vista. Não por que somos melhores que ninguém, mas sim espíritos comprometidos desde antes da encarnação, cumprindo nosso papel diante da Lei, a fim de que ela não se aplique de forma enérgica sobre nós.

O sacerdote umbandista espírita cristão tem consciência de que não é melhor que ninguém e nem é possuidor de poderes (poder é de Deus), mas sim alguém que ciente de suas necessidades, suas faltas e pequenez, deu seu sim a Jesus no apostolado, “sabendo em quem pôs sua confiança”, a fim de ser salvo e ajudar o Cristo a resgatar vidas.

Lembro-me de um médium que por aqui passou, há uns 15 anos atrás, que ao final da gira apareceu na porta de saída, todo de branco (só faltava o bonezinho do Marujo), com um chinelão de couro e uma mochila nas costas me dizendo: “Tchau”!

Eu respondi: “Tchau! Pode ir para o vestiário se trocar que aqui é um Templo e a roupa que você está usando é sagrada. Aqui não é macumba”! (rsrsrs desde aquela época).

Ele se trocou, me pediu a benção entre os dentes, foi-se e nunca mais voltou. Jesus o abençoe onde quer que esteja, mas me pergunto rs… Será que quando ele deu “tchau” foi definitivo, pois não tinha cacife pra seguir dentro da proposta do Cruzeiro da Luz? Vai saber…

2. Vestir o Branco – Roupa Litúrgica – E honrá-la


Já que falamos das roupas, e as guias e a toalha? Aprendi no Cruzeiro da Luz, Templo Umbandista Espírita Cristão, que a toalha litúrgica tem um fundamento, um sentido religioso e ritualístico. A toalha do dia a dia serve para nos enxugar, secar o corpo molhado, seja do banho ou do suor. A toalha litúrgica serve para secar o suor do Sacerdote que labora e ora, ora e labora, a serviço de Jesus. O suor do Sacerdote Umbandista reflete-se como o sangue derramado em favor da humanidade por Jesus, reativando em nossas mentes mais uma máxima de Paulo: “Que completemos na carne o que faltou na paixão do Cristo”!

Nosso suor e lágrimas também, devido às pedradas não mais dos primórdios cristãos, que matou a tantos, como Estevão, o primeiro mártir em nome de Jesus. Mas as pedradas verbais, lascivas e caluniadoras, que muitas vezes nos magoam, nos entristecem, mas como diz “ele” novamente: “somos em tudo atribulados, mas não desanimados, perseguidos, mas não desamparados…”, Paulo!

Juntos da Toalha, temos as Guias, que… Nossa!… São usadas como se fossem colares comprados em camelôs da Alfandega ou Uruguaiana! Nem da Feira Hippie de Ipanema que é mais sofisticado rs… Lá encontraríamos, se na “macumba” usassem, a Cruz de prata, artefato apropriado como autentica biju para enfeitar a ida ao pagode, em paralelo com o medalhão de São Jorge lá no Saara (RJ) ou na 25 de Março (SP), que tá “dez real”.

Quanto às Guias, óbvio que cada Templo tem sua forma, simbolismos e ritualísticas para usá-las. Contudo, há uma espinha dorsal. Cada Guia, onde haja seriedade e comprometimento com o sagrado, terá seu fundamento energético e religioso. Veremos sempre Guias dos Eledás, de 7 Linhas, do Templo… Cada uma de acordo com o Templo onde se encontra o Sacerdote. Mas são elementos com uma razão para tal, tendo fundamentos para serem usadas. Tenho certeza que qualquer médium do Cruzeiro da Luz sabe o porquê do uso das Guias e tem pia noção de que essas são para serem usadas no ato do Ritual Religioso. Salvo casos como o dos Ogãs, quando são orientados pelo Guia Chefe ou o Sacerdote Dirigente a fazerem alguma “limpeza espiritual” na residência de um fiel frequentador da casa. Nesse caso, o Ogã usará sua Guia da Antigoécia, de Ogum. Isso, friso eu, no caso do Cruzeiro da Luz. E creio que os irmãos que me leem, sabem o porquê de ser a Guia de Ogum.

Portanto, as Guias são instrumentos litúrgicos que, preparados para o ato religioso deve-se guardar por elas o zelo devido. Vê-se no Sacerdote Umbandista Espírita Cristão o orgulho santo, o amor e o carinho por cada Guia a ser usada. E não como na “macumba”, onde o indivíduo fica igual ao Zé das Medalhas, da Farmácia do Leme (quem não é do Rio, procure no Google e digita “zé das medalhas farmácia do leme” rs), sujeito folclórico na “divisa” entre Leme e Copacabana, na Prado Jr.

Dá a sensação que a quantidade de Guias no pescoço sinaliza a “grandeza espiritual e mediúnica” do indivíduo, dando-lhe status e poderes sobrenaturais sobre nós, mortais imberbes e desprovidos de dons.

Eu já penso que duas ou três Guias já tá bom rs, uma vez que pesam (peso físico e de responsabilidade → “a quem muito é dado, muito será cobrado”, Jesus), já não bastando o peso de nossas iniquidades e ignorância. Sem contar que o “menos é mais”, ou seja, não é a quantidade de guias, mas a qualidade do uso e do valor dado a umazinha que seja.

3. Cantos


Puxa vida, aí vão querer me malhar na próxima Semana Santa. Mas vamos lá…

Poderíamos falar dos Pontos Cantados, tendo o crivo da razão ao cantarmos, sabendo o que cantamos coerentemente. Isso sem contar com o massacre a língua portuguesa. Qual a necessidade de cantarmos errado determinados pontos? Confunde-se humildade com ignorância; simplicidade com falta de cultura. A única explicação que vejo, pois os Espíritos que militam no Movimento Umbandistas não são burros xucros, ignorantes ou analfabetos. Pelo contrário, em mesas kardecistas são os famosos doutores fulano, mestre cicrano e venerando beltrano. Aí vem o manancial de pontos cantados a arderem nos ouvidos de quem pensa um pouco. Exemplos? Ahhh, vários!

“Dá licença Pai Ogum, filhos QUER se defumar”;
“Oh, Juremê! Oh, juremá! Suas folhas CAIU serena, Jurema…”;
“Oxalá, meu Pai, tem pena de nós tem dó; AS voltas do mundo É grande…”;
“As Almas DÁ, as Almas DÁ! As almas DÁ pra quem sabe aproveitar”!

Por favor, não pense que há arrogância no que falo, mas sim um apelo. Por que nossa religião tem que ser esculhambada? Pergunto isso várias vezes a mais de 20 anos… Por que temos que ser tratados como burros, ignorantes, sem cultura e primitivos? Hãn?! Mas quanto mais falamos, os confrades umbandistas ao invés de se movimentarem para se insurgirem contra a ignorância em seus Templos, promovendo o estudo, a fé de mãos dadas com razão, esses se rebelam contra nós, ainda nos adjetivando de elitistas, de metidos a besta, e blá blá blá. Se vivenciar uma religião racional e ao mesmo tempo eivada do amor maduro de Jesus, ter conhecimento do que se faz, fala, prega ou ensina é ser elitista, o umbandista espírita cristão é elitista sim e o TE Cruzeiro da Luz é um Templo de elite. Mas uma elite humanamente racional, não asquerosa ou soberba (para isso não precisa ser elitista), pois se este se coloca num patamar de experienciar e proporcionar o conhecimento (detalhe: abrindo suas portas e convidando a todos… todos mesmo!), é por que em sua base doutrinária está inserido uma máxima do Espírito da Verdade: “amai-vos uns aos outros, eis o primeiro mandamento; instrui-vos, eis o segundo”! Portanto, somos uma “Tropa de Elite” e aqueles que destoam disso…“nunca serão” rs!

Ainda no ponto cantado, me digam qual o sentido doutrinário, qual a mensagem de libertação da ignorância de determinadas cantigas umbandistas:

“Ele atirou a sua flecha, mas errou, sentou-se na areia e pôs-se a chorar”! Quem é esse Caboclo, por favor? Me digam qual é por que ele está longe de ser um bom conselheiro. Tá é precisando de ajuda.

“Eu fui no mato, oh, ganga, cortar cipó! Eu vi um bicho, oh, ganga, de um olho só… não era bicho, oh, ganga, não era nada! Era seu Capa Preta dando risada”! Exu caolha!!! Ciclope!!! Nem vou grifar, o ponto todo é bizarro! Acho que quem o fez rs, estava a fim de zuar, pois só entendo desse jeito.

“Teve uma festa no inferno, seu Lucifér (é, com acento mesmo, o “Canhoto” agora senta), convidou todos os capetas… Seu Capa Preta apareceu de terno e gravata borboleta”! Pobres Exus…

“Era meia noite quando o malvado chegou…”; “…matou pai, matou mãe, matou o aleijado na estrada”; “tava na linha do trem, firmando meu ponto quando o trem passou! Me jogaram um balaio de martelo (!) que veio do inferno (!!), o diabo mandou (!!!)”; entre outros menos votados…

Daí pergunto: onde está o mantra? Onde está a oração, a louvação cantada, onde está a harmonia melódica que nos enleva e nos eleva junto à proximidade Divina? Não nesses “populares pontos cantados de umbanda”.

4. Hierarquia


Na Umbanda Espírita Cristã tem Hierarquia. Sim, tem. E… Quem não gosta de hierarquia, do tamanho dela, do bigode dela, da cor dela, a Umbanda Espírita Cristã não é sua praia. A Hierarquia é imperiosa em qualquer âmbito de nossas vidas. Desde o nascimento onde encontramos, normalmente, duas pessoas a quem devemos obediência, respeito e resignação. Nossos pais. Sim, eles. Sim, resignação também. Uma vez que até os 18 anos (salvo se nos emanciparmos) e mesmo assim se tivermos condições, enquanto vivermos debaixo do teto desses dois personagens da nossa vida, a eles devemos todo e qualquer tipo de obediência, aliás, com eles aprendemos o valoroso sentido da palavra NÃO, a fim de que, quando estivermos no mundo sem eles, saibamos como reagir aos diversos NÃOs que este nos dará.

Partindo daí, vamos encontrar a Hierarquia no colégio, na faculdade, no estágio, no emprego, nos esportes e, mesmo que indiretamente, nas rodas sociais.

E num Templo Umbandista Espírita Cristão, sem essa base Hierárquica que traz para todos nós o sentido da palavra Teocracia, esse Templo está fadado a falir, pois não haverá comando, não haverá ordem, não haverá disciplina, não haverá Lei… Não haverá Jesus!

O ser humano não sabe se guiar por si só. Dentro de um regimento religioso, se este acha que pela simples palavra fraterna uma Instituição voltada para o Bem, consequentemente “combatendo” (com o Bem) as trevas, poderá se sustentar e suportar não somente os chamados embates com as trevas, mas as personalidades humanas, eivadas de melindres, de carências, de mazelas, de traumas e desatinos, sem o que chamamos de Hierarquia, estará vivendo um conto de Alice, mas com certeza o Templo em momento algum será visto como o “país das maravilhas”.

Num Templo Umbandista Espírita Cristão, aquele que não respeita a Hierarquia, seja pelo motivo que for, é automaticamente desligado do mesmo, pois não pactua do ideal do Templo. A Hierarquia, falha por ser uma agremiação humana, segue rígidas ordens do Plano Espiritual e não de sua cabeça, de suas ideias. Caso assim fosse, seria um clube, uma ONG, qualquer coisa que quisermos achar que é, mas com certeza não será um Templo Umbandista Espírita Cristão. Aquele que alteia sua voz para um Dirigente está automaticamente se rebelando contra as ordens do Plano Espiritual, em especial do Guia Chefe do Templo. O mesmo para aquele que discorda do Dirigente e o questiona, mesmo que veladamente. A Hierarquia existe para ser a boca e as mãos em ação do Plano Espiritual. Desde o mais novo integrante até o Sacerdote Dirigente. E, um médium do corpo mediúnico deve, em termos religiosos e comunitários templário, obediência irrestrita a esses componentes, assim como os mesmos devem a mesma obediência e respeito ao Dirigente e seu Substituto, no que se refere a vida religiosa e a vida no Templo.

Um passo em falso de qualquer um desses elementos dentro do Templo é motivo concreto e acertado para desligamento da corrente. Diz Pai Ventania que “uma laranja podre põe um saco a perder”. E aquele que vai de encontro uma norma espiritual, uma ordem dada ou uma chamada de atenção, sempre no sentido de ensinar ou corrigir uma falha, está deixando seu orgulho e seus melindres falarem mais alto. E, refletindo sobre tais palavras de Pai Ventania, pergunto se há falta de caridade em tal ato de desligamento. Faço-o também com tom não de ironia, mas como pegadinha mesmo, pois se há falta de caridade em desligar o incauto que aceitou e se comprometeu com a disciplina antes de ingressar em tão sério movimento religioso, como reflete então junto aos seus irmãos de corrente a sua atitude sem que “nada aconteça”? Simples, afrouxam-se as amarras, acomoda-se o respeito e reforça-se uma suposta intimidade que em nada acrescenta na jornada de uma instituição religiosa cuja missão precípua é religar o homem a Deus. Óbvio, religião vem de “religare”, palavra latina, que quer dizer religação. Religação do homem com Deus.

Comentar então sobre a vida de algum membro da Hierarquia ou de um irmão da Corrente, é um crime espiritual. Com certeza. Se falarmos de nossos irmãos de corrente já se torna tarefa leviana forjada pelas sombras adida às nossas inúmeras imperfeições, quanto mais de um membro da Hierarquia, sobretudo a língua que bifurca, tão bem explicada pelo Apóstolo Tiago em sua carta, no Cap. 3, versículo 1 a 5. Volto a frisar que se falarmos ou reagirmos contra a Hierarquia, estamos agindo contra a Egrégora Espiritual, pois foi ela quem instituiu determinado grupo de médiuns como carregadores braçais mais próximos da direção espiritual do Templo.

Aí, uma “jóia” qualquer da corrente pode chegar e dizer: “Mas Pai Julio é um casca grossa (joga na Loto). É muito isso e menos aquilo! Como pode a tal da Egrégora achar que pode exercer tal cargo”? Realmente o “ilustre” está certo. Mas para ele uma solução. Uma solução chamada “posicionamento”. Sim. Seu posicionamento não é de acordo com o Templo. Portanto, é coerente que vá procurar e se “posicionar” em outros lugares que hajam “Pais e Mães” que sejam babás para ele ou que pactuem de suas ideologias baratas e carências.

Isso tudo relatado acima cabe com o que chamamos de macumba, onde ser um Pai ou Mãe, Ogã, Ekédi são sinônimo de status, vaidade e orgulho diabólico, bem longe do orgulho santo e do sacro ofício que Pai Ventania prega a respeito do medianeiro que se transforma em sacerdote. Isso para não dizer sobre os infindos “Babás” que existem por aí, engalanados em tafetás, crepes suzetes, leses e cetins. Bacana ainda quando falam assim “Por que minha Babá faz e acontece”! E penso… “Caraca, velho, esse burro velho ainda tem babá”? hahahahahahaha… A macumba corre pelas veias e a ignorância ignora o estudo, a doutrina e o esclarecimento. O termo “Babá” quer dizer “pai” em Yorubá, de Babalorixá. Portanto, se sua “Mãe” é uma Babá rs, sinal que você não usa jaleco, balandrau ou baiana, mas sim fraldas. O termo afro feminino para uma Sacerdote Dirigente é “Yalorixá”, uma vez que “Yá” quer dizer “mãe”.

Bem, até aí tudo bem, pois o fato de não conhecer não caracteriza caráter duvidoso ou índole distorcida. Nesses dois “arquétipos” podemos inserir aqueles cuja forma comportamental se adequam a macumba, pois a religiosidade e a sacralidade passaram ao largo. Pais e mães corroborando com a falta de estudo, com o ócio doutrinário, com a intimidade íntima de mais, com a língua ferina a cerca dos seus achismos, incluindo nas entrelinhas dos comentários as falhas humanas dos dirigentes ou ridicularizando os Dirigentes junto com outra penca de médiuns imaturos, de péssimo caráter e ainda puxa sacos, pois quando essa trupe toda não está junta, falam mal uns dos outros também.

Um Sacerdote Dirigente ou membro de uma Hierarquia de um Templo Umbandista Espírita Cristão age como Paulo ante João Marcos quando esse se insurgiu contra ele, no que tange a uma viagem a ser feita. Paulo simplesmente dispensou Marcos. Falta de caridade? Pelo contrário, amor à Causa e no nosso caso atual, amor à Casa, a Casa Umbandista Espírita Cristã. Na macumba, os “ierárquicos” se locupletam com as babadas dos médiuns incautos, se alimentam dos confetes. Diante disso, não o “magoam”, passam a mão na cabeça e colocam panos quentes para que aqueles “subalternos” estejam sempre a lhes incensar. Isso quando não há facções dentro da agremiação que mais parece o Olímpico Clube nos áureos tempos do baladão. É, tem os médiuns que gostam mais da Mãe Pequena X que da Mãe Pequena Y, parecendo mais a briga dos Fã Clube da Marlene e Emilinha Borba!

E assim parte uma traineira desgovernada rumo ao limbo das sombras, casa fadada a se tornar quartel general das sombras, onde os kiumbas reinam, ditam ordens e pregam o desamor, reiterando cada vez mais os desvalores que tanto lutamos para transformar, através da reforma íntima, conceituada por Kardec, barganhando com as crendices e fantasias, onde temos superativadas nossas piores válvulas de fuga que o mundo nos outorga.

Enfim, irmãos, diante desses poucos itens que aqui trouxe, se apresentam as “diversas diferenças” entre o que é macumba e o que é Umbanda Espírita Cristã.

Penso e repenso que “Umbanda Espírita Cristã” é Umbanda. Sim, pois a Umbanda é “espírita”, uma vez que todos nós estamos inseridos na Doutrina dos Espíritos, pois TODOS nós somos espíritos, uns encarnados outros não. Uns comprometidos, muitos não. E somos cristãos, pois pertencemos ao Cristo, o “Caminho a Verdade e a Vida”, por Quem se vai ao Pai. Ele que nos traz o Evangelho e é o “Mentor Maior” de nossa religião, como atesta o seu Fundador, o Caboclo das Sete Encruzilhadas:

“Uma religião cuja base é o Evangelho e o Mentor Maior o Cristo”.

Então, Umbandistas, independente de discordarem de muitas coisas (ou tudo rsrs) que aqui eu digo, uma coisa, se são/somos Umbandistas de verdade, não tem como não concordar: Suas consciências, lá nos seus inconscientes, pedem por uma religião digna, com Jesus. Mas quem tem que meter a mão no arado não é Ele. Somos nós. Ele nos chama ao trabalho… Sem olharmos para traz ou, disfarçadamente, para nosso umbigo, mas, como diz o Sr. Exu Malandrinho do Cruzeiro das Almas, “para a frente e para o alto”!

Só se consegue fazer essa travessia sacerdotal pelo vale da sombra e da morte dessa forma. Caso contrário, periga nos tornarmos mais mortos, onde os mortos que já jazem, nos enterrarão. E se poderá ouvir Jesus dizer àqueles que o querem seguir em “espírito e vida”: “Vem e deixa que os mortos enterrem seus mortos”.

As bênçãos de Jesus pra todos!


Por: Pai Julio - Templo Umbandista CRUZEIRO DE LUZ – Casa da Mãe Santíssima