22 de ago de 2014

Amor, palavra de ordem na gira!

"O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor." (Rom. 13,10)

"Chegado mais um dia para exercer minha mediunidade! Que bom amanhã é dia de gira!"

Todos os dias por todo o nosso país e por diversos outros países, médiuns de Umbanda começam suas preparações para irem para as giras.

Fazem seus preceitos (dietar, alimentar, banho de imantação, etc) e vão até seus terreiros.

E logo pensamos: "Hoje vou estar pronto para ajudar meu semelhante. Quero me doar, quero permitir que as entidades possam realmente passar sua luz e energia aos espíritos, encarnados e desencarnados, que estarão no terreiro."

Chegando no terreiro, olhamos a assistência e vamos nos trocar, conversar, etc.. Toca o adjá e nos deslocamos até o congá para mais um dia de gira. "Pronto agora vou me concentrar e me doar."

Muitas vezes sequer temos este pensamento, não é verdade? E vejam que este pensamento não basta! É sim um bom e grande início, fundamental até, mas não é tudo! Você imediatamente vai pensar: "O nosso Pai-de-santo endoidou! O que ele vai querer agora?"

Nossa postura enquanto umbandistas deve ser diária. Mas não é isso que quero falar hoje, quero falar de nossa postura antes e durante a gira. Devemos olhar para a assistência e agradecer a cada um que ali está. Olhar para todos os cantos e agradecer a todos os espíritos desencarnados e necessitados que ali estão. Entender que não somos nós que estamos ajudando eles. Que esta relação de nós ajudarmos e eles (assistência) são ajudados. Pois isto é uma mentira!

Um terreiro só existe quando existe assistência, encarnada ou desencarnada! São os irmãos da assistência que darão a oportunidade sagrada para o nosso trabalho, para o nosso resgate kármico, para a abençoada tarefa de exercício mediúnico. Ou seja, a assistência não pode e não deve ser encarada como pessoas que estão lá para receberem algo de nós. Porque nós é que vamos receber a oportunidade, nós é que estaremos recebendo esta dádiva. Quem dará aos irmãos da assistência e a nós, são os Orixás por meio dos guias e protetores.

Você poderá dizer que está dando o seu tempo, seu suor! É verdade, nós realmente estamos dando muita coisa, sacrificando outras. Mas sem nenhuma dúvida não estamos fazendo favor a ninguém! E este pensamento, o de fazer favor aos outros, é que devemos abolir completamente. Afinal ele é o irmão do orgulho, primo do egoísmo e marido da soberba. Nós não estamos fazendo favor a ninguém, senão a nós mesmos!!!

Estamos na gira para ajudar! Sem dúvida. Estamos na gira para nos doarmos! Sem dúvida. Estamos na gira para praticar a caridade e exercer o amor! Sem nenhuma sombra de dúvida. E tudo isto não significa em absolutamente nada que estamos fazendo um favor a quem quer que seja.

Amar de forma verdadeira e plena, e assim praticar a caridade, exercer a doação de mente, corpo e alma, e ajudar a todos que se deslocarem até um terreiro esta é a nossa tarefa! E devemos fazê-lo com humildade, e nunca nos sentindo superiores aos irmãos da assistência, pois de fato não o somos.
Seguindo esta lógica e esta postura como olhar para a assistência e não agradecer a cada um por ali estarem? Como não nos curvarmos diante de cada um ali e perceber como eles são importantes, e como a Umbanda é abençoada por me dar esta oportunidade? Como não tratar todos que vão ao nosso terreiro com muito respeito, com muito amor e devoção?

Com esta postura não podemos tratar ninguém com desdém, com superioridade, com arrogância como se fôssemos os salvadores! Olhar para cada um da assistência e nele enxergar Deus, e tratá-lo como se Deus fosse, como se fosse um ente que mais gostamos, esta será a nossa postura! Não só nas consultas, não só incorporados, mas antes da gira, na hora de chamar para as consultas, nos intervalos, enfim, demonstrar que o Amor é a palavra de ordem na gira!!!!

Deixar todos confortáveis, fazer com que todos se sintam acolhidos, benvindos, e que aquele local (o terreiro) sempre estará de portas abertas para eles e que sempre serão recebidos com amor e felicidade, com alegria mesmo. É mais que uma postura, é um dever de cada um dos médiuns. E é o começo de nossa atividade enquanto umbandistas, é o início dos trabalhos de caridade da Umbanda, é o amor em exercício!

Tratem todos como gostariam de ser tratados! isto é o mandamento de Cristo: Amar o teu próximo como a ti mesmo!

Obrigado a todas as pessoas que vão até nosso terreiro, a todos os espíritos que até lá se locomovem, afinal vocês são a razão de existir de nossa casa! Que os Orixás abençoem a cada um de vocês, e a todos os médiuns de Umbanda para que possamos juntos fazer de nosso mundo um mundo de Amor e Paz e assim que seja pleno de luz.

Saravá!