29 de mai de 2014

Umbanda e sexualidade

Falar de sexo e sexualidade é sempre polêmico. Sexo é algo sagrado se feito por amor e com amor. Talvez aí esteja o problema, pois a troca de energias por meio do sétimo sentido foi, por muitos, banalizada e, por outros, dessensibilizada. Como assim?

Nos últimos anos, ir pra cama com alguém passou a representar, principalmente entre os jovens, o mesmo que um simples beijo representava anos antes; se tornou algo corriqueiro, sem profundidade, sem sentimento, sem importância. Tocar e ser tocado, sentir prazer, abrir seu campo energético num êxtase, deixou de ser algo único e especial, para ser apenas “mais uma trepada”.
Desculpem-me as palavras, mas só tento reproduzir o termo usado coloquialmente em nossa sociedade.

Esse é o lado da banalização sexual. Mas por outro, vemos dentro da própria instituição “casamento”, uma dessensibilização da troca energética e do ato de amor. A traição sempre existiu, mas parece estar cada vez mais comum. Parceiros completamente indiferentes às necessidades e interesses da mulher brotam como erva daninha num terreno abandonado. Para que saber se a mulher está realmente tendo prazer? Para que preliminares, carinhos, beijos, olhares? Pra quê? “O que importa não são os finalmentes?”, dizem muitos. NÃO! Sexo sem carinho não passa de atividade e física, ou de pura satisfação dos sentidos.

Energeticamente, o ato sexual é uma das trocas mais intensas, gratificantes e nutritivas para o ser humano. Crescemos e vivenciamos a plenitude do amor por meio do sexo. Ou pelo menos deveria ser assim.

O Amor é um dos sete sentidos da vida. Quando vivenciamos um ato de amor pleno, dois se transformam em um, os campos se unem, se misturam, expandindo nossa capacidade de sentir e de ser. Gastamos energia, mas nos tornamos seres mais felizes, mais inteiros.

Na Umbanda, é conhecido o preceito de não fazer sexo no dia do trabalho mediúnico. Assim como, em casos especiais, abster-se da troca amorosa por mais tempo, até uma semana ou mais. O principal motivo é a perda energética e a recepção de energias do parceiro, nem sempre saudáveis, ou com um grande acúmulo negativo. Outra razão é o estado mental e emocional do médium, que ao invés de estar focado no trabalho que irá ocorrer, vibrando caridade, desapego, entrega, passa a vibrar desejo, lascívia, posse, agitação, com o pensamento fixo “naquilo”, quando deveria ter a mente limpa e calma.

Eu acredito que, como regra geral, diante da má qualidade da maioria dos relacionamentos vivenciados hoje, o preceito da não prática sexual é necessário para uma boa prática mediúnica. Uma pessoa que não tem respeito por si mesma, não consegue alcançar o equilíbrio energético necessário para uma boa incorporação.

Vemos jovens e adultos aceitando situações absurdas, transando com vários parceiros por semana, se não por noite, sem qualquer envolvimento ou carinho e achando isso saudável. Vemos seres que são verdadeiros vampiros energéticos grudados em pessoas viciadas em sexo. Vemos grossos cordões negros ligando-as aos planos energéticos negativos. Vemos períspiritos carregados de miasmas, larvas e deformações. Para essas pessoas, quem está ali, trocando, não importa mais. Importa o corpo, o desejo, a sensação do gozo. E quando termina, um imenso vazio e a necessidade de mais. Um vício, como qualquer outro. 

É possível fazer um bom trabalho mediúnico assim?

No caso dos relacionamentos fixos, em que a mulher se submete (seja pelo motivo que for) a uma vida íntima sem qualidade e sem amor, a dor trazida pelo ato sexual é um verdadeiro tormento. Quantas mulheres vivem um casamento no qual o prazer, a liberdade e o afeto sincero são apenas um sonho distante? Os relatos mostram um número surpreendente. E quantas delas nem podem dizer ao parceiro que naquele dia estão de preceito? Ainda mais se o parceiro for contra a Umbanda. O que fazer? Sinto pelo que vou dizer, mas, nestes casos, o sexo no dia do trabalho é o menor problema, pois o tormento e a dor são diários.

A Umbanda é uma Religião que nos faz pensar sobre a vida, que nos faz querer ser seres humanos melhores, seres que buscam evolução e aprimoramento. Pensar a qualidade de nossa vida sexual faz parte desse crescimento. Não basta só fazer preceito no dia da gira. É importante pensar a qualidade dos nossos relacionamentos. Pensar que estamos aqui para dar e receber AMOR... o mais puro e verdadeiro AMOR.


Por: Marina B. Nagel Cumino