3 de abr de 2014

150 anos de "O Evangelho Segundo o Espiritismo"

Para mim, o livro mais importante da Codificação não é “O Livro dos Espíritos”, e tampouco “O Livro dos Médiuns”, mas sim “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que agora, no próximo mês de Abril, estará completando 150 anos de seu lançamento.

E isto porque, em minha opinião, na Doutrina Espírita, o Cristo é mais importante que Kardec, ou que qualquer outro espírito que tenha participado do movimento que culminou com o surgimento da Terceira Revelação.

Em nenhuma outra Obra do chamado Pentateuco Kardeciano, a concretização da promessa de Jesus, em relação ao advento do Consolador, se fez ou se faz tão clara.

Escrevendo e fazendo publicar “O Evangelho Segundo o Espiritismo” é que Allan Kardec se superou – foi o seu momento de maior força, e não de maior fragilidade como alguém já chegou a opinar.

Foi a partir deste terceiro livro das Obras Basilares, que o Codificador fez editar em plena maturidade do vigor intelecto-moral que lhe era próprio, prestes a completar 60 de idade, que o Espiritismo, efetivamente, passou a reviver o Cristianismo, e mostrou ao mundo a que ele viera.

“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, foi a Obra na qual Allan Kardec trabalhou mais sigilosamente, porque muitos adeptos da Doutrina já se batiam, pretendendo que o seu aspecto científico sobressaísse ao seu aspecto moral, e foi a partir de sua publicação que, intra e extramuros, as lutas do Codificador ainda mais se acirraram.

Ele, no entanto, compreendeu que os Princípios Fundamentais da Terceira Revelação, sem se clarificarem no Cristo, continuariam a ser meras informações de caráter filosófico que pouco haveriam de contribuir para a renovação íntima das criaturas.

No capítulo VI de “O Evangelho”, sugestivamente intitulado por ele de “O Cristo Consolador”, o Espírito da Verdade grafou em advertência aos adeptos de todos os tempos do Espiritismo: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram”!

Infelizmente, porém, “O Evangelho” prossegue sendo interpretado por muitos como apenas um livro de orações, inclusive, capaz, para alguns, com o simplesmente mantê-lo aberto dentro de casa, de exorcizar os “maus” espíritos e afastar as influências negativas...

Lamentável!

Todavia, para nós outros, sem dúvida, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” permanece na condição do maior desafio que a própria Vida nos endereça, porque nos concita a internalizar as lições libertadoras que, há cerca de dois mil anos, o Cristo nos transmitiu...

Sem, portanto, “O Evangelho”, o Espiritismo se confundiria com uma doutrina esotérica qualquer que, igualmente, apregoa a realidade da Reencarnação, porém, repetimos, sem resultados práticos em termos da realização do Reino de Deus em nós mesmos.

Neste século e meio da publicação deste verdadeiro Best seller da literatura espiritualista em todo o mundo, em grande parte, o que o Espiritismo avançou deve a ele, porque, de fato, se no Espiritismo existe um lenço para enxugar todas as lágrimas e uma voz para confortar todos os corações que sofrem, esta voz e este lenço se encontram consubstanciados em suas luminosas páginas!...

Talvez por este motivo, e outros, quando determinado confrade, certa vez, perguntou de maneira descontraída a Chico Xavier a respeito da novidade, o médium, inspiradamente, respondeu:

- Ah, meu filho, a novidade é o Evangelho!...

Uma novidade que, para os espíritas, estará agora, no próximo mês de Abril – mês de tão significativa importância para a Doutrina –, completando 150 anos!...


Por: Inácio Ferreira