24 de mar de 2014

A Umbanda resolve?

Era sexta-feira, a noite estava quente, as temperaturas estavam altas em todo país. Todos os ventiladores ligados e por incrível que pareça todos os lugares na assistência estavam ocupados.

Naquela casa umbandista que recebia seus irmãos de braços abertos, estava aberta a sessão de caridade e os pretos velhos amorosamente recebiam as reclamações dos consulentes desiludidos, devolvendo-as em forma de aconselhamento fraterno.

Aylton, nosso personagem principal, foi conduzido até uma cabine de atendimento, era mais um visitante novo na casa. Durante o atendimento fraterno lhe foram propostos alguns tratamentos espirituais (passes magnéticos, água fluída, assistir palestras).

Buscava a todo custo disciplinar os pensamentos conduzindo-os para melhores caminhos, pois vinham-lhe a todo instante pensamentos de fracasso, medo e insegurança, que o direcionavam para a fuga e desistência, oriundas do pessimismo.

A entidade espiritual através do seu médium lhe saudou amorosamente, auscultando lhe discretamente o coração e os pensamentos em desalinho...

Pai velho: _Boa noite, filho, que a paz de Jesus esteja entre nós! O que te sucede?

Aylton: _Estou com 27 anos de idade e passando por um tratamento médico para impotência sexual! Me sinto jovem e forte, pai velho, mas a minha potência acabou. Estou desesperado porque já não sei mais o que fazer, pois há seis meses estou assim... os médicos da Terra não conseguem resolver o meu “probleminha”, aí um amigo me falou para vir aqui que a umbanda resolveria o meu caso!

O médium, coitado, diante daquela declaração “a umbanda resolve o meu caso”, enrubesceu! Mas o amoroso guia espiritual, profundo conhecedor da alma humana ouviu com paciência e amor o que Aylton falava, esperava o momento certo para tocar-lhe fundo o coração sem envergonhá-lo mais.

O rapaz por sua vez, falava como um papagaio... chorava, suas pernas tremiam, ele esfregava as mãos uma na outra nervosamente e as enxugava no pano da calça de minuto a minuto. Por fim, calou-se esgotado lançando um olhar desesperado para o médium incorporado.

Pai velho: Filho, nós estamos aqui para lhe ajudar a se ajudar, não existe milagre sem esforço próprio, entende? Para lhe ser mais claro, não existem milagres! Para todo efeito houve uma causa e vice versa. Os problemas aparecem para despertar os filhos de fé para algo que eles não querem ver, servem para fazer a humanidade evoluir e crescer espiritualmente.

Suncê filho, abusou da energia sexual se é que deseja realmente compreender o que te ocorre agora. Pense um pouco e busque no passado que logo virão as lembranças dos excessos de toda ordem.

Os excessos são prejudiciais e sexo meu filho é bênção, é caminho para a evolução das almas e não o atalho! É meio de crescimento do espírito através da reencarnaçãos e não o da queda! Sexo é bom, mas não é tudo.

A entidade fez pausa inteligente para que Aylton pudesse absorver cada frase, falava de um jeito especial para que aquele consulente pudesse lhe compreender os ensinamentos e as admoestações sem constrangimentos.

O desalentado rapaz coçou a cabeça, desapontado e mais agitado ainda...

Aylton: _Mas e agora o que eu faço se a umbanda não pode me ajudar a ficar bom de novo? Como é que vai ficar minha vida?! Eu sou homem forte, bonitão... as mulheres me desejam, me perseguem, até brigam por mim... Com todo o respeito e sinceramente, esperava que o senhor pudesse me auxiliar... era minha última esperança!

Pai velho: _Ajudar em nome de Jesus nós podemos, mas não serei eu a trilhar o caminho por você, moço. Escute bem o que vou lhe falar... Muitos consulentes vêm aqui buscando pelas “poções mágicas”, pelas beberagens e rezas fortes! Esperam sair deste templo sagrado, curados. Ainda hoje, em pleno século vinte e um, muitos filhos de fé acreditam que a umbanda é a saída para todos os problemas de ordem moral e física das criaturas errantes, que basta o filho de fé vir aqui e pronto. Mas felizmente não é assim meu filho.

Nós só apontamos o melhor caminho, mas quem trilha são aqueles que precisam se curar de suas enfermidades, os mesmos que nos procuram com seus sofrimentos.

Aylton: _O pai velho me desculpe mais uma vez, mas será que não tem uma saída mais fácil para isso?

Aylton apontou para o órgão genital com o dedo indicador discretamente.

O guia sorriu amorosamente, compreendendo a aflição do consulente incauto, deu mais uma baforada no cachimbo, jogando a fumaça em sua direção como a dissipar de seu campo áurico as energias mórbidas e, carinhosamente, pousou a destra em sua cabeça dizendo-lhe:

Pai velho: _Meu irmão, fique tranquilo que para o seu caso há cura! Primeiro estude o Evangelho de Jesus, buscando pelo conhecimento que liberta, depois discipline os pensamentos e as ações, mudando os hábitos doentios por outros mais saudáveis. Aceite o tratamento espiritual que vamos lhe oferecer, tenha paciência e fé inteligente. Dedique-se à caridade desinteressada, dando algo de si com amor e desprendimento, estude filho! Estude mais um pouco e depois mais um pouco! Corrija seus ímpetos, procure uma moça honesta para esposa, controle a libido!

Aylton ouvia com atenção, mas pra dizer a verdade não gostou dos aconselhamentos amorosos que a entidade lhe dava, achou tudo muito difícil e demorado.

A energia sexual deve ser bem usada por todos nós e como disse o preto velho ao consulente nesta história, sexo é bom, mas não é tudo!

Quando abusamos em nome das nossas perversões, desperdiçamos algo precioso, essa energia irá nos fazer falta no futuro. Vejam bem, podemos usar a energia sexual através do ato sempre, mas com equilíbrio e amor na medida do possível (conforme a capacidade de entendimento de cada um).

Como disse André Luiz: “a mais poderosa força que existe no organismo espiritual depois da força da mente é o sexo.Nele, Deus concentrou montanhas de energias. Liberadas indiscriminadamente, conduzem o ser à desilusão, ao desgaste e até à morte espiritual. É certo que toda a energia da natureza pode ser recomposta com facilidade. Na crosta terrestre, o homem ainda não tem idéia exata do que representa a sexualidade. Nem se deve condenar a sexualidade nem se deve exaltar demasiado as suas alegrias. Sexo como tudo que Deus fez deve se enquadrar na Lei do Equilíbrio. Não há crime algum em coisa alguma que Deus fez.”

Irmãos, a umbanda verdadeira nunca foi e jamais será um “supermercado” onde encontramos nas prateleiras, ao nosso dispor, os pacotes “mágicos” que resolverão nossos problemas num átimo de tempo.

Reflitamos.

Muito axé!


Por: Letícia Gonçalves