25 de dez de 2013

Natal: visão espírita

natal, manjedoura, cristo, jesus, oxalá, reis magos, francisco de assis, famíliaOs últimos meses do ano, até 25 de dezembro, convergem para expectativas de variada ordem relativas a confraternizações familiares e de amigos, adornos natalinos e ao crescente e intenso comércio. A figura simpática do Papai Noel aparece em toda parte. Não se pretende competir com essa figura já incorporada à cultura ocidental e que sofreu algumas deturpações a partir da figura de São Nicolau, venerado no leste europeu.


O paradoxo é que o aniversariante principal de dezembro nem sempre é lembrado. Passados 2 mil anos da epopeia do Cristo, a sua mensagem se aspergiu pelo mundo, embora persistam sinais de incompreensão de seus ensinamentos e há até aqueles que aguardam e anunciam o seu retorno.


Na Idade Média, Francisco de Assis criou a encenação do presépio, com o objetivo de se albergar, em lares e igrejas, a lembrança do nascimento de Jesus. Qual a relação do espiritismo com o Natal?


Algumas fontes catalogam o espiritismo como religião não cristã, com base em interpretações teológicas tradicionais e bem rotuladas. Em verdade, no conceito espírita, Jesus é considerado o modelo e guia da humanidade. O espiritismo assenta-se nas máximas morais do Cristo, não em dogmas. Isso está claramente fundamentado nas obras básicas elaboradas por Allan Kardec.


Entre os espíritas, há esforço pelo aprimoramento moral e espiritual e por ações em favor do próximo, como as tradicionais ações em instituições assistenciais. Há perto de 14 mil instituições vinculadas à Federação Espírita Brasileira e a tônica delas é a atividade assistencial e promocional nas comunidades. Daí a interpretação diagnóstica de estudos acadêmicos que são realizados sobre os espíritas de que a caridade se corporifica nas instituições mantidas por eles.


A razão para se entender o fato é de que a compreensão espírita de caridade se assenta na lei áurea trazida pelo Cristo — de respeito e amor ao próximo — e que deve ser a fundamentação para uma nova sociedade: de respeito à vida nas suas várias manifestações; de respeito ao próximo — nas relações interpessoais — e à diversidade humana; e de respeito à natureza.


O conhecido médium Chico Xavier tem dois livros sobre o tema Natal. Torna-se oportuna a transcrição de um trecho, em forma de oração, assinado por Emmanuel, mentor espiritual dele: “Senhor Jesus! Diante do Natal, que te lembra a glória da manjedoura, nós te agradecemos [...] Entretanto, oh divino mestre, de corações voltados para o teu coração, nós te suplicamos algo mais! Concede-nos, Senhor, o dom inefável da humildade, para que tenhamos a precisa coragem de seguir-te os exemplos!”.


As comemorações de Natal no meio espírita são assinaladas com orações familiares e estímulo a ações sociais, nas quais a vida e obra de Jesus Cristo é a grande motivação. A prática da caridade espiritual e material concretiza-se a partir da visão espírita sobre o marco temporal e de proposta inovadora de nossa humanidade, que é o Cristo. Em realidade, o marco natalício de dezembro divide nosso calendário em dois períodos: antes e depois de Cristo.


Quando as propostas sociais que emanam dos Evangelhos de justiça, benevolência e indulgência se concretizarem como regra de conduta e como base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão com que, entre eles, reinem a paz e a justiça. Além disso, promoverão a redução de ódios e dissensões e o estímulo à união, à concórdia e à benevolência mútua. A exclusão do orgulho e do egoísmo leva a importante conquista, considerando-se que a pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Essa é a chave para o portal de uma nova civilização.


Para a religião, cabe a missão de colaborar com o homem, em ações educativas e preventivas, para se evitarem as tragédias psíquicas, espirituais, ou seja, comportamentais. Na atualidade, num cenário de grandes contrastes e de transições, tudo indica que vivemos os estertores de um mundo de desrespeitos e que, mesmo em situações difíceis que podem se apresentar, essas prenunciam o alvorecer de um novo dia para a humanidade.


O Natal é o momento para oportunas reflexões. Os espíritas enaltecem o Natal com confraternizações e propostas de ação. Há sempre expectativas de que o cintilar dos ornamentos luminosos típicos da época natalina possam também abrir espaço para as emissões da “luz do mundo” (João 8:12).


Que o Natal seja a presença de Jesus em nossos corações.







Por: Antônio César Perri de Carvalho - Presidente da Federação Espírita Brasileira
Fonte: Jornal Espírita Auta de Souza