17 de out de 2013

Existe falta de amor nas religiões?

jesus, oxalá, umbanda, cristo, messias, amorPergunta – Entendemos que o amor é fator de saúde perispiritual e física, pois muitas doenças são causadas pelo desamor. Quais seriam as consequências da falta de amor nas religiões?


Ramatís – Jesus, na primeira vez que visitou Jerusalém, a orgulhosa capital de Israel, acostumado à “maresia” suave que, igual a brisa benfazeja, cobria as comunidades simples que habitavam ao largo do mar de Tiberíades na Galileia, surpreendeu-se com os cheiros pútridos dos esgotos abertos nas ruas mal conservadas, que inundaram suas narinas sensíveis, acostumadas em suas peregrinações aos odores suaves da natureza pura. O amoroso Rabi tinha o seu chacra frontal completamente desenvolvido e assim como o condor voando enxerga a serpente rasteira na escarpa montanhosa, com sua acuidade clarividente extraordinária foi inevitável visualizar os miasmas exalados pelos habitantes – encarnados e desencarnados - da cidade “gloriosa” do judaísmo, chafurdada numa crise de natureza econômica e moral, com uma população sedenta de prodígios explorada pelos religiosos concupiscentes, sem nenhum amor, e pelos romanos, tributaristas implacáveis.


Mesmo o templo principal tendo sido ornado com madeiras nobres do Líbano e painéis de ouro maciço, a miséria espiritual reinava e os recintos internos da catedral israelita não convidavam à introspecção religiosa, pela frieza formalista dos sacerdotes, que só queriam remunerar-se pelos ritos de purificação aplicados, como santos de pau oco, bonitos por fora, mas vazios por dentro.


No entorno do templo, negociantes de todo tipo e vendedores de animais para os holocaustos misturavam-se a centenas de sacerdotes dependentes dos dízimos, das ofertas e dos restos de carne dos bichos sacrificados para se alimentarem. Havia ainda uma estrutura subterrânea de canaletas nauseabundas que desaguavam do altar dos sacrifícios, vindo direto do templo e escoando em espécie de condutos mais largos que levavam às valas públicas de esgotos, movimentando o sangue putrefato dos irmãos menores imolados em nome de Deus direto para o rio Siloé. Era um clima psíquico repugnante, que fazia a aura da cidade quase insuportável para Jesus, por suas exalações mórbidas. Aglutinava-se enorme quantidade de espíritos malfazejos vampirizadores que perambulavam desocupados, sedentos dos eflúvios etéricos sanguinolentos, ao redor da “igreja” principal dos herdeiros de Abraão na época. O imperativo da falta de amor fazia da religião um disfarce para a exploração dos pobres e sofridos de todos os gêneros e servia um banquete para o astral inferior, que se locupletava prazerosamente com a mortandade servida nas liturgias vigentes.


Entristeceu-se o coração amoroso do Rabi da Galiléia com o que viu nos dois planos de vida. Fechou os olhos por momentos, imaginando-se no lago de Genesaré, no meio dos simples e amorosos pescadores, energizando-se em desdobramento astral imposto pela sua dilatada força mental de iogue avançado, assim suportando aqueles chocantes momentos iniciais de contato com a paisagem humana degradada, ensimesmada e mórbida em suas doenças degenerativas, sequiosa de milagres, a qual o poder temporal da religião dominante, com falsos preceitos e ritos de imolação, supunha “purificar”. Almas decaídas, hipnotizadas nas exterioridades do mosaismo punitivo, pagavam aos doutores da lei para terem seus pecados expiados pelos bodes e touros queimados no altar sacrificial, num círculo vicioso que somente o Messias enviado, com o seu holocausto, conseguiria interromper.


Caminhava Jesus, a pomba branca da paz, entre lobos, hienas e chacais que disputavam ferrenhamente as mesmas presas. Quando Ele começou a tocar os corações com seu verbo, apresentando Seu programa redentor, houve uma tremenda comoção social, como se um raio de Sol cortasse a noite escura, do Oriente ao Ocidente, da crosta aos umbrais, dos céus aos infernos, anunciando a iluminação das consciências pelo amor incondicional que se irradiava para todo o planeta. Assim como a gota do mar que retorna ao oceano, houve o reencontro da humanidade com o Todo Cósmico Amoroso "materializado" no Messias, como era quando o Pai vos criou d’Ele mesmo, chispas da Luz Divina.


Refleti onde estão os modernos templos de Jerusalém e os localizareis com seus pastores midiáticos enfarados, magos fesceninos, pais de santo com facas na mão, expositores doutrinários cheios de sofismas e verborragia que ditam a cartilha da verdade; escritores sectários das revelações divinas, médiuns mercenários poderosos, projetores astrais facilitadores, mestres e gurus da Nova Era ... Infelizmente todos cheios de si mesmos, como vasos repletos de pó ressecado que não deixam entrar a luz solar, consequência nefasta da falta de amor vigente nas doutrinas e religiões terrícolas por eles abraçadas e defendidas.


[important]Por: Pai Tomé/Ramatís - Norberto Peixoto - Do livro Reza Forte - Editora do Conhecimento
Fonte: Grupo de Umbanda Triângulo do Fraternidade[/important]