26 de set de 2013

Deveres que custam


Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra.


O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Cap. V – Bem-aventurados os aflitos



jesus, oxalá, umbanda, cristo, messiasExistem deveres impostos pela consciência que sempre muito custam àqueles que são chamados a cumpri-los, sobretudo num orbe no qual, infelizmente, as conveniências humanas ainda prevalecem sobre a Verdade.


Não resta dúvida de que, na Terra, mesmo entre os mais ardorosos defensores do Bem, existe muita contemporização em torno do mal.


E, não raro, por estranho pareça, essa contemporização com o mal se dá justamente sob o falso preceito de se praticar o Bem.


Trata-se este de um dos piores sofismas para que o erro e a mentira continuem se perpetuando e confundindo os que, por si, ainda não sabem distinguir o joio do trigo.


Por esta razão, quase sempre, os mais fieis discípulos do Bem haverão de se sentir sozinhos, sem poder contar com a solidariedade nem mesmo daqueles que, embora sendo bons, não dispõem de suficiente coragem para, de peito aberto, terçar armas contra as escaramuças do mal.


Saibamos, porém, que existem deveres espirituais de natureza mais profunda, nos quais os que são chamados a desempenhá-los haverão de ser francamente hostilizados, por quem, noutras circunstâncias, os aplaudiriam.


Enquanto a luz conter um resquício de sombra, ela não será claridade plena.


Somente quando se lhe oferecer leito completamente despoluído, é que a fonte deslizará por ele sem graves riscos de contaminação no percurso.


Na existência humana, existem deveres que, por se fazerem tão óbvios, são dignos de elogio àqueles que se esmeram em executá-los com denodo.


Outros deveres, porém, muito mais complexos, embora não agradando a quem os vê executados, e muito menos a quem os executa, devem ser executados, custe o que custar.


Não imaginem que o Bem possa se alegrar na tarefa que lhe cabe de denunciar o mal, onde o mal se faça presente com os seus inúmeros disfarces.


Em sã consciência, qual o magistrado que se rejubila por ser induzido a lavrar extrema sentença contra aquele que, muitas vezes, ante a indiferença da sociedade, extrapolou em suas atitudes?!


Qual o médico que, mesmo a pretexto de lhe salvar vida, se sente feliz por amputar um membro do corpo de quem há de permanecer na condição de invalidez?!


Certamente, deve ter sido com muita dor na alma que o Cristo, que desceu a Terra com a missão precípua de confortar os humildes e oprimidos, empunhou a vergasta com que, certa vez, se viu compelido a cumprir o pesado dever de expulsar os vendilhões do templo.


[important]Por: Irmão José/Carlos A. Baccelli
Fonte: Blog do Dr. Inácio[/important]





Uberaba – MG, 9 de setembro de 2013.