14 de ago de 2013

O anjo, o santo e o pecador

anjo, demônio, pecador, diabo, consciência, certo, errado, decisãoO Pecador escutava a orientação de um Santo, que vivia, genuflexo, à porta de templo antigo, quando, junto aos dois, um Anjo surgiu na forma de homem, travando-se breve conversação entre eles.


O ANJO – Amigos, Deus seja louvado!


O SANTO – Louvado seja Deus!


O PECADOR – Louvado seja!


O ANJO (Dirigindo-se ao Santo) – Vejo que permaneceis em oração e animo-me a solicitarvos apoio fraternal.


O SANTO – Espero o Altíssimo em adoração, dia e noite.


O ANJO – Em nome d’Ele, rogo o socorro de alguém para uma criança que agoniza num lupanar.


O SANTO – Não posso abeirar-me de lugares impuros...


O PECADOR – Sou um pobre penitente e posso ajudar-vos, senhor.


O ANJO – Igualmente, agora, desencarnou infortunado homicida, entre as paredes do cárcere... Quem me emprestará mãos amigas para dar-lhe sepulcro


O SANTO – Tenho horror aos criminosos...


O PECADOR – Senhor, disponde de mim.


O ANJO – Infeliz mulher embriagou–se num bar próximo. Precisamos removê-la, antes que a morte prematura lhe arrebate o tesouro da existência.


O SANTO – Altos princípios não me permitem respirar no clima das prostitutas...


O PECADOR – Dai vossas ordens, senhor!


O ANJO – Não longe daqui, triste menina, abandonada pelo companheiro a quem se confiou, pretende afogar-se... É imperioso lhe estenda alguém braços fortes para que se recupere, salvando-se-lhe também o pequenino em vias de nascer.


O SANTO – Não me compete buscar os delinquentes senão para corrigi-los.


O PECADOR – Determinai, senhor, como devo fazer.


O ANJO – Um irmão nosso, viciado no furto, planeja assaltar, na presente semana, o lar de viúva indefesa... Necessitamos do concurso de quem o dissuada de semelhante, propósito aconselhando-o com amor.


O SANTO – Como descer ao nível de um ladrão?


O PECADOR – Ensinai-me como devo falar com ele.


Sem vacilar, o Anjo tomou o braço do Pecador prestativo e ambos se afastaram, deixando o Santo em meditação, chumbado ao solo.


Enovelaram-se anos e anos na roca do tempo, que tudo alterara. O átrio mostrava-se diferente. O santuário perdera o aspecto primitivo e a morte despojara o Santo de seu corpo macerado por cilício e jejum, mas o crente imaculado aí se mantinha em Espírito, na postura de reverência.


Certo dia, sensibilizando mais intensamente as antenas da prece, viu que alguém descia da Altura, a estender-lhe o coração em brando sorriso.


O Santo reconheceu-o. Era o Pecador, nimbado de luz.


O SANTO – Que fizeste para adquirir tanta glória? – perguntou-lhe, assombrado.


O ressurgido, afagando-lhe a cabeça, afirmou simplesmente:


O PECADOR – Caminhei.


[important]Por: Francisco Cândido Xavier – Pelo Espírito Irmão X - CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA - FEB
Fonte: Diário de luz - blog espiritualista[/important]