15 de jul de 2013

Qual a sua Umbanda?

caboclo, índio, umbandaNos perguntam, às vezes, qual o tipo de Umbanda que praticamos? É Umbanda Branca...? É Umbanda com Candomblé...? Eu respondo sempre que praticamos a Umbanda, pois ela é uma coisa só, não posso entender como existiria uma Umbanda "branca", pois isto significaria a existência de Umbanda de outras cores, o que seria um absurdo. A Umbanda é de todas as cores, pois nela se reflete as Sete Vibrações Sagradas, que nos chegam por meio do magnetismo irradiador das cores, dos sons e da luz.


A Umbanda, como já é do conhecimento de todos, tratando-se de fato histórico e não “mito”, foi implantada no Plano Físico, aqui no Brasil, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas como uma religião através da qual os Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças e Exus viriam cumprir a determinação do alto, pela prática da Caridade. É uma religião universalista, isto é, respeita a acata todas as formas religiosas, desde que sejam instrumentos de religação com Deus, mas tem sua doutrina, "seus próprios fundamentos".


É sempre motivo de tristeza ver ainda agrupamentos desorganizados, exercendo atividades completamente alheias à doutrina umbandista com seu caráter espírita e cristã, mas dizendo–se umbanda. Meus amigos e irmãos, a Umbanda não é teatro, nem supermercado. Não se conta o valor de uma Casa Umbandista pela quantidade de médiuns ou assistência, mas sim pela disciplina, organização e espiritualidade emanado neste Templo, o que, é claro, não agrada a todos, desagradando aqueles que ainda estão imersos na ilusão brutal da famigerada “consulta”, onde Guias e Pais de Santo vão resolver seus problemas, tirando de si a responsabilidade sobre seus atos e, portanto, suas consequências.


Na Umbanda não existe, propriamente dito, “consultas”. Quem dá consulta é médico ou outros profissionais. Eu prefiro ver o encontro sadio entre frequentadores de um Templo Umbandista com os irmãos espirituais, os Benfeitores sob a vestimenta fluídica de Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Exus, como um momento de aconselhamento.


Nenhum Guia tem o poder de resolver nossos problemas, de curar nossas enfermidades se não encontrarem, de nossa parte, o esclarecimento sadio, a responsabilidade e a fé renovadora. Nem Jesus curava os doente sem antes perguntar-lhes sobre a sua fé. Diz a Preta Velha: “Fio, quem cura não su eu, quem te cura é a tua fé”.


Infelizmente pessoas perturbadas, carentes de tratamentos espirituais sérios e outras de uma educação mais esmerada, adentram os Templos Umbandistas sérios criando cizânias e murmurações por causa de fichas para o que chama de “consulta”. Não querem saber de Palestra, de Preces, de Cantos, brigam com ódio e raiva por um primeiro lugar na chamada para a “consulta”. Querem pegar suas fichas irem para a rua ou suas casas e retornarem na hora da “consulta” e, para isso até engabelam os Ogãs e Responsáveis pela portaria. Vê, quanta imaturidade e infantilidade religiosa! Será que os Guias e Mentores não vêm isso? Será que eles, Espíritos esclarecidos, compactuam com tais atitudes?


Infelizmente são pessoas atoladas nas sombras internas, infelizes e derrotadas em busca sôfrega de soluções milagrosas de seus problemas materiais e emocionais, com a bandeira do utilitarismo e da barganha. E, quando encontram Templos voltados á espiritualidade e não à vaidade material, que mantém uma ordem e disciplina espiritual, achincalham e chegam a dizer; “isto aqui é um nojo”. Claro, essas pessoas enxergam as coisas de acordo com o que está cheio seus corações. Consola-nos o Exu Malandrinho com uma frase excelente: “Mosca não gosta de mel”.


O Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz mantém uma organização disciplinar em torno dos Atendimentos que oferece a seus irmãos de caminhada, no sentido de estar em sintonia com a Espiritualidade Benfeitora e manter o direcionamento e a finalidade de sua existência: Iluminar Corações (com o Evangelho Libertador) e resgatar Almas (com o convite a reforma intima nas palestras e os tratamentos espirituais).


As fichas para aconselhamento aos sábados começam a serem distribuídas às 15:00h., quando é aberto oportão de entrada, e encerra-se às 17:40h. Após receber a ficha o frequentador não pode ausentar-se do Templo levando  consigo a ficha. Caso queira ou precise ausentar-se deverá devolvê-la.


Às Quintas Feiras os Fichas para Passes e Tratamentos Espirituais começam a serem distribuídas às 18:00h., encerrando-se a distribuição às 19:40h. Da mesma forma que ocorre aos sábados o irmão não poderá sair do Templo levando consigo a Ficha. Estas determinações visam manter a organização e conduzir os frequentadores do Cruzeiro da Luz ao respeito à Umbanda como religião e oferecer a oportunidade de espiritualização, esclarecimento, evangelização e prece.


A Umbanda é uma religião que tem muito a oferecer aos irmãos que buscam crescimento espiritual, e religiosidade sadia para suas vidas. A Umbanda tem influência Kardecista, mas não é kardecismo; tem influência ameríndia, mas não é ameríndia; tem influência afro, mas não é afro; tem influência orientalista, mas não é uma religião oriental. Ela é um movimento cristão espiritualista que constrói sua doutrina, sob a influência dos Mentores Espirituais, acolhendo aspectos filo-religiosos desses sábios e respeitáveis movimentos religiosos acima descritos.


O Caboclo das Sete Encruzilhadas ao firmar o movimento de Umbanda no Plano Físico deixou claro os fundamentos essenciais dessa nova religião. Ele disse: "Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade. NÃO COBRAR; NÃO MATAR; VESTIR O BRANCO; EVANGELIZAR; E UTILIZAR AS FORÇAS DA NATUREZA" (Terreiro, cores, uso do branco, não cobrança, sem sacrifício animal, pontos riscados e cantados, culto aos Sagrados Orixás, sincretismo, uso da magia (magnetismo das forças da natureza) Pronto, aí está o fundamento da Umbanda. Apoiado nele começou a surgir as Escolas Doutrinárias Teológicas de Umbanda, abertas a todos os que com elas se afinizassem, de acordo com seu momento consciencial evolutivo.


Diz nosso Pai Ventania que não importa a forma de trabalhar ou a forma dada ao utensílio, o que importa é que a argila seja a mesma. A argila, no caso, é o ponto de início, os fundamentos do Caboclo das Sete Encruzilhadas. A forma de trabalho ou do utensílio confeccionado são as diversas escolas maravilhosas que compõem o Sagrado Movimento de Umbanda. A forma de apresentar a doutrina, os rituais e manipulação energética dependem, em cada Templo Umbandista, da escola filosófica que segue e das instruções do seu Guia Chefe, que deverá ter ordens e comandos para conduzir um Templo Espiritualista de Umbanda, em favor da caridade.


Em tudo eu vejo a necessidade de opção, do filho de fé, de acordo com seu momento consciencial evolutivo, do Templo Umbandista a que se afinize e ali, como diz ainda o nosso Pai Ventania, plante a planta da sua fé, ali a regue, ali a faça crescer, para ali poder colher os seus frutos. A cada um o quintal que escolheu, pois quem anda em muitos quintais passa a vida sem amadurecer sua religiosidade e capacidade de doação.


[important]Por: Pai Valdo - Sacerdote Dirigente do T. E. do Cruzeiro da Luz[/important]