10 de jul de 2013

Exu

exu, umbanda, esquerda, malandro, magiaNão sou preto;

branco ou vermelho;

Tenho as cores e formas que quiser;

Não sou diabo nem santo, sou Exú;

Mando e desmando;

Traço e risco;

Faço e desfaço;

Estou e não vou, Tiro e não dou;

Sou Exu;

Passo e cruzo;

Traço, misturo e arrasto o pé;

Sou rebuliço e alegria;

Rodo, tiro e boto;

Jogo e faço fé;

Sou nuvem, vento e poeira;

Quando quero, homem e mulher;

Sou das praias, e da maré;

Ocupo todos os cantos;

Sou menino, avô, maluco até;

Posso ser João, Maria ou José;

Sou o ponto do cruzamento;

Durmo, acordo e ronco falando;

Corro, grito e pulo;

Faço filho assobiando;

Sou argamassa;

De sonho carne e areia;

Sou a gente sem bandeira;

O espeto, meu bastão;

O assento? O Vento;

Sou do mundo, nem do campo;

nem da cidade; Não tenho idade;

Recebo e respondo pelas pontas;

Pelos chifres da nação;

Sou Exu;

Sou agito, vida, ação;

Sou os cornos da lua nova;

A barriga da rua cheia;

Quer mais? Não dou;

Não estou mais aqui!

[important]Por: Jorge Amado
Fonte: Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade[/important]