26 de jul de 2013

Espíritos de Umbanda - o que nos dizem seus nomes

preto-velho, umbanda, magia, yorimáOs espíritos que se manifestam nos terreiros de Umbanda, não são divindades idealizadas e perfeitas, não são Anjos, Arcanjos, não são Orixás, são simplesmente humanos, em sua grandeza e sua simplicidade.


Humanos, com seus erros e acertos, com seus caminhos tortuosos, com suas histórias de vida tão pessoais e únicas, e ao mesmo tempo tão parecidas com as nossas próprias histórias.


Estes homens e mulheres, guerreiros, mães, anciãos e crianças (arquétipos das diferentes fases do desenvolvimento humano), tiveram a mesma origem que tivemos e, compartilham também um destino comum: do Pai vieram e ao Pai retornaram.


No início de suas existências, foram atraídos naturalmente para uma das 7 qualidades manifestas do Pai, e lá se desenvolveram, sob tutela Deste que se multiplicou para fazer-se presente em todos os aspectos da vida.


Na adolescência existencial estagiaram pelas outras 6 qualidades Divinas e então se humanizaram, para seguir seu aprendizado na dualidade da dimensão humana.


Muitos séculos depois, após inúmeras encarnações, ascensões e quedas vibratórias, erros e acertos e, principalmente, muito aprendizado, foram religados à Qualidade Ancestral Original em que foram iniciados na infância da existência e, adquiriram com mérito o direito de ostentar esta qualidade em seus nomes simbólicos com os quais se apresentam nos terreiros de Umbanda.


São 7 as qualidades manifestas do Pai e, quando estas irradiações divinas adentram a dimensão humana, individualizam-se em dois polos [(+) positivo e (–) negativo] e dão origem aos Orixás.


As 7 qualidades manifestas do Pai são:


A FÉ, cujo polo positivo individualizou-se em Oxalá [(+) Essência Cristalina] Orixá masculino que irradia a Religiosidade e estimula a Fé, e que tem em seu polo negativo Oyá-Tempo [(-) Essência Cristalina] Orixá feminino que atrai para si aqueles que se desequilibram na Fé.


O AMOR, cujo polo positivo individualizou-se em Oxum [(+) Essência Mineral] Orixá feminino que irradia o Amor e estimula a Concepção, e que tem em seu polo negativo Oxumaré [(-) Essência Cristalina] Orixá masculino que paralisa a sexualidade e dilui vícios sexuais.


O CONHECIMENTO, cujo polo positivo individualizou-se em Oxóssi [(+) Essência Vegetal] Orixá masculino que expande o Conhecimento e estimula o Raciocínio, e que tem em seu polo negativo Obá [(-) Essência Telúrica] Orixá feminino que concentra as buscas e aquieta o raciocínio.


A JUSTIÇA, cujo polo positivo individualizou-se em Xangô [(+) Essência Ígnea] Orixá masculino que irradia a Justiça e estimula a Razão, e que tem em seu polo negativo Iansã [(-) Essência Eólica] Orixá feminino que paralisa as injustiças e dilui os acúmulos emocionais.


A LEI, cujo polo positivo individualizou-se em Ogum [(+) Essência Eólica] Orixá masculino que irradia a Lei e estimula a Ordem, e que tem em seu polo negativo Egunitá [(-) Essência Ígnea] Orixá feminino que consome excessos (vícios) e paralisa desordens emocionais.


A EVOLUÇÂO, cujo polo positivo individualizou-se em Obaluaiê [(+) Essência Telúrica] Orixá masculino que irradia o Saber e estimula a Evolução, e que tem em seu polo negativo Nanã [(-) Essência aquática] Orixá feminino que decanta os excessos (vícios) e concentra os seres.


A GERAÇÂO, cujo polo positivo individualizou-se em Iemanjá [(+) Essência Aquática] Orixá feminino que irradia a Criatividade e estimula a Geração, e que tem em seu polo negativo Omulu [(-) Essência Telúrica] Orixá masculino que paralisa e esgota o criativismo e a geração viciada.


Eis uma explicação simplista e resumida para um assunto amplo e complexo, explanado aqui apenas com a intenção de ilustrar origens e destinos, bem como estágios.


Como já foi mencionado, no inicio de nossas existências somos atraídos naturalmente para uma das Qualidades manifestas do Pai, já individualizadas em polos (+ -). Daí termos uma relação ancestral e eterna com o Orixá regente da polaridade, recebemos suas irradiações, em maior e menor intensidade, ao longo de toda nossa existência e a Ele(a) retornamos em algum momento, à exemplo dos espíritos que se manifestam na Umbanda.


Durante as experiências na carne (e mesmo fora dela) somos conduzidos a estágios sob a irradiação de outros orixás, irradiadores/concentradores de outras qualidades, afim de que possamos evoluir nos 7 sentidos da existência.


Em um determinado momento de nossos aprendizados, podemos considerarmo-nos graduados em certo nível educacional e, somos naturalmente religados ao nosso Orixá ancestral, levando na bagagem o conhecimento e os títulos adquiridos nos estágios junto aos demais orixás.


Para entender o alcance destes “estágios” seria necessário compreender os cruzamentos vibratórios verticais e horizontais das irradiações divinas individualizadas, os Orixás Intermediários que surgem destes cruzamentos e que trazem características mistas, como Oxóssi do Conhecimento da Fé (Oxóssi/Oxalá) ou Ogum da Lei da Geração (Ogum/Iemanjá), etc.


Observando os espíritos que se manifestam nos terreiros de Umbanda, seus nomes simbólicos e seus pontos riscados e cantados, perceberemos que estes homens e mulheres, no início de suas existências (ainda antes da individualização masculino/feminino) foram naturalmente atraídos para um determinado Orixá manifestador de uma das 7 Qualidades Divinas ao qual foram religados após inúmeros estágios que resultaram em ascensão (espiritual) e evolução (conhecimento), sendo este o seu primeiro título, representado em seu nome simbólico, pontos, etc.


Perceberemos ainda, que em seu aprendizado, este espirito estagiou e criou laços com outros Orixás, manifestadores de outras Qualidades Divinas, sendo estes seus títulos secundários e, secundariamente retratados em seus nomes simbólicos e pontos, como Ogum Beira-Mar que mostra no nome simbólico uma relação ancestral com o Orixá Ogum e a Linha da Lei, e também com a Evolução (Obaluaiê = Terra = Beira) e com a Geração (Iemanjá = Água = Mar), sendo estes seus cruzamentos principais, mas podendo trazer ainda muitos outros em seu ponto riscado e ponto cantado.


Uma analogia mais “terrena” seria um profissional que cursou a faculdade de uma determinada matéria e que posteriormente cursou mestrado e doutorado em outras, mas que, para alcançar a condição de profissional capacitado e respeitado, fez ainda muitos cursos e atividades extracurriculares, podendo incluir estas ou não no título que ostenta ao lado do nome.


Os Caboclos que trazem o número 7 em seus nomes simbólicos, por exemplo, cujos pontos normalmente não fazem referência a nenhum outro orixá além de seu Orixá Ancestral, é porque tem seus estágios completos de forma homogênea nas 7 Qualidades e são irradiadores de todas, a partir da qualidade manifesta por seu Orixá Ancestral.


Exemplo:




  • Caboclo 7 Flechas

  • Orixá Ancestral: Oxóssi;

  • Qualidade Ancestral: Conhecimento;

  • Qualidades irradiadas através dos cruzamentos vibratórios:

  • Conhecimento Religioso (Oxóssi/Oxalá);

  • Conhecimento Genético (Oxóssi/Oxum);

  • Conhecimento Puro (Oxóssi);

  • Conhecimento da Justiça e do Equilíbrio (Oxóssi/Xangô);

  • Conhecimento da Lei (Oxóssi/Ogum);

  • Conhecimento da Evolução (Oxóssi/Obaluaiê);

  • Conhecimento da Criatividade (Oxóssi/Iemanjá).


Como podemos perceber, os nomes simbólicos, pontos riscados e pontos cantados, com que se apresentam os espíritos que se manifestam nos terreiros de Umbanda, nos dizem muito acerca de suas histórias e características, bem como de nossas próprias histórias.


[important]Por: Diego Silva
Fonte: Além da Matéria[/important]