17 de jun de 2013

Ela fez feitiço para arrumar marido

amarração, trabalhoRosa, das quatro irmãs era a mais velha e a única ainda solteira. Teve poucos relacionamentos amorosos e que não duravam muito, misteriosamente os namorados, cada um a seu tempo, sumiam e nunca mais voltavam.


Ela era motivo de piada entre os familiares e isso a chateava muito. Certo dia ao entrar em seu quarto percebeu que haviam dois convites de casamento em cima da televisão. Eram os convites das primas “velhas” e “feias” que para seu desespero resolveram se casar num mesmo dia, na mesma hora e na mesma igreja, resolveram juntar as festas, os parentes e os amigos. Mais do que depressa saiu desarvorada, bufando e resmungando em direção à casa de um conhecido “pai de santo” famoso por “juntar pombinhos” “para sempre” em matrimônio.




-Seu Bento, faço qualquer coisa para me casar e não medirei esforços! Serve este mesmo com quem namoro agora, apesar não gostar muito dele. Diga o que preciso conseguir e o farei, mas me faça casar com o meu atual namorado antes que ele suma como os outros, da minha vida! Não aguento mais ser motivo de piada da família!


Calma menina! Que nervosia é esta? “Pai” Bento vai te ajudar, traz lá uma peça de baixo do moço, como é mesmo o nome dele?


-É Romeu.


-Então, traz lá uma cueca dele e uma peça íntima sua, 7 galinhas, 1 bode e um boi, que eu faço ele casar com você!


-Uaiiiii, que isso seu Bento? O senhor tá me achando com cara de fazendeira pra ter esse tanto de bicho?


-Ah! Me esqueci do valor que cobro nestes trabalhos, é este aqui.


-Tudo isso? Ô seu Bento, mas eu não tenho toda essa quantia não!!!


-O farei andar de quatro por você, te chamar de “meu chuchuzinho” e só ter olhos para ti, menina! Romeu vai comer na tua mão, obedecer caladinho, te chamar de Julieta e vai virar um “pijamão”!


-Vou ter que vender o carro, é isso! Me dê uns dias e eu arrumo o que me pediu, mas não me falhe hem, homem de Deus!



Três meses depois acontecia o casamento de Rosa e Romeu, numa cerimônia discreta, do cartório para casa com um almoço para os mais íntimos e só.


Quatro anos depois...




-Senhora delegada, eu não aguento mais apanhar, desde que nos casamos Romeu não esperou completar os trinta dias pra me espancar, mas agora estou decidida a enquadra-lo na lei Maria da Penha. Ele me bate sempre e por vergonha eu fico calada, na minha família minhas irmãs fizeram bons casamentos... Também não conto nada porque ele me ameaça e diz que se eu for à polícia me mata! Minha vida está um inferno senhora delegada, vivo cheia de hematomas pelo corpo, olhos inchados, boca cortada, dentes bambos e as minhas costas doem de tanto levar pauladas, socos e sem contar que as minhas pernas vivem escalavradas de tanto chute que levo (relatou entre lágrimas). Só vive bêbado, não arruma mais emprego e disse que vai me matar...



(Deu uma pausa para beber água, respirou fundo e prosseguiu)




-Será que a polícia o encontrará antes dele me encontrar?



[important]Por: Marcos Marchiori e Letícia Gonçalves
Fonte: Missão de Luz[/important]