27 de mai de 2013

Fraternidade Franciscana!

são francisco, franciscano, cantinho, assisQuando São Francisco iniciou sua vida de penitente (conversão), não havia ainda em seu coração a intenção de fundar uma Ordem de frades. Ele não teve inicialmente a preocupação de encontrar seguidores. A chegada dos primeiros companheiros foi, de fato, um presente de Deus e uma confirmação daquilo que ele estava buscando. Por isso, quando ele escreveu o seu Testamento, já no final de sua vida, ele se recorda desse momento singular:



Depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho

(Testamento 14).



Podemos dizer então que foi com a chegada dos dois primeiros companheiros do seráfico pai, o Frei Bernardo de Quintavalle e o Frei Pedro Cattani, que o movimento franciscano nasceu. Enquanto esteve sozinho, São Francisco não teve total clareza do modo de vida que deveria seguir. Foi na fraternidade que ele recebeu de Deus a “revelação” de sua forma de vida. As fontes franciscanas, cada qual a seu modo, relatam para nós como foi a chegada dos primeiros frades. Uma das fontes mais antigas, chamada de Anônimo Perusino, fala de como São Francisco com seus dois companheiros encontraram no Evangelho a forma de vida que Deus tinha reservado para eles:


Foram, portanto, a uma igreja da mesma cidade e, entrando nela, ajoelhados humildemente em oração, disseram:




Senhor Deus, Pai da glória, nós vos rogamos que, por vossa misericórdia, nos mostreis o que o que devemos fazer.



Terminada a oração, disseram ao sacerdote da mesma igreja que aí estava presente:




Senhor, mostra-nos o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.



E, quando o sacerdote abriu o livro, porque eles não sabiam escolher, encontraram logo a passagem onde estava escrito:




Se queres ser perfeito, vai e vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus


(Mt 19,21).



Folheando de novo, encontraram:




Quem quiser vir após mim (Mt 16,24), etc.



E folheando novamente, encontraram:




Nada leveis pelo caminho (Lc 9,3), etc.



Ao ouvirem isto, alegraram se com regozijo muito grande e disseram:




Eis o que desejávamos, eis o que procurávamos.



E disse o bem aventurado Francisco:




Esta será a nossa Regra.



Em seguida, disse aos dois:




Ide e, da maneira como ouvistes, realizai o conselho do Senhor”. (AnônimoPerusino 10-11).



São Francisco nem podia imaginar a multidão de irmãos e irmãs que iria segui-lo. Desde o início ele sempre teve a consciência muito clara sobre o valor da vida fraterna. Quando lemos a Regra que ele escreveu para seus frades ou qualquer um outro escrito seu, percebemos de imediato a sua aguçada sensibilidade fraterna. Nenhuma outra Regra para monges ou religiosos está tão enriquecida de amor fraternal, de zelo pelo outro, de cuidados maternais como a de São Francisco de Assis. Segundo grandes estudiosos, o modo como ele entendeu e viveu a fraternidade é o coração de sua espiritualidade. A fraternidade seria o elemento fundamental para a vivência do carisma franciscano, chegando a ser maior mesmo do que a vida “sem nada de próprio”.


Num mundo onde prevalece um individualismo muito forte, onde os laços fraternos se desfazem com muita  facilidade, a mensagem do Pobrezinho de Assis se torna cada vez mais necessária e urgente. Certamente aquele que se fez irmão de todos tem muito a nos ensinar.


Paz e Bem


[important]Por: Frei Salvio Romero, eremita capuchinho
Fonte: BOLETIM ELETRÔNICO INFORMATIVO - DOUTRINÁRIO TECL - MAI/13 - No 020 - ANO VI[/important]