6 de mai de 2013

Exu não tem cartola mágica!

exu, umbanda, esquerda, malandro, magiaJessé é mais um daqueles “casos raros” de médiuns indisciplinados, preguiçosos e desatentos que vivem por aí. Vejam só, descobriu aos vinte e dois anos que as dores lancinantes de cabeça e a “labirintite” que lhe atacavam toda vez que bebia umas a mais (botemos umas a mais nisso), eram agravadas pela mediunidade.


Passou a frequentar por orientação de uma vizinha, um centro espiritualista muito bom e lá iniciou um tratamento. Como não sabia que era médium antes de frequentar o templo, acabou sofrendo por alguns anos e causando agravos a saúde física. Tá bom, o moço era um pouco destrambelhado também, mas só um pouco!


O dirigente da casa o aceitou, mas primeiro na escolinha para médiuns e só depois de muita análise, na corrente mediúnica.


O moço de início fez tudo direitinho, mas como gostava de beber muito e de frequentar lugares de péssima energia, os maus elementos do inferior tomavam conta da mediunidade não disciplinada e da mente não evangelizada do rapaz e Jessé por muitas vezes descontrolado e com pensamentos inferiores, dava passagem a espíritos errantes. Eles torturavam o pobre coitado, jogavam-no ao chão, entre outras maldades, era só ele sair para se embreagar além da conta, claro, sem esquecer de relatar que o rapaz adorava ingerir carne em excesso, principalmente nos botecos da vida... Eram as porções de dobradinha bem suculentas que vinham acompanhadas de outras porções, como por exemplo, o coraçãozinho de galinha assadinho, assadinho! Ah! Ele não admitia, mas também era fã de uma cachacinha!!! Saia do templo espiritualista e fugia para o bar, encharcava o caneco e deixava os desencarnados obsessores tomarem conta dele, não obedecendo as orientações do dirigente da casa nem as dos guias espirituais.


Tinha também a namorada Valdete, o dia que tomava toco dela o "pau quebrava" no boteco do “João de barro”. Não adiantava o dirigente lhe admoestar e lhe explicar que não mais podia se dar ao atrevimento, o desavisado fazia-se de desentendido, ou melhor, dizia que entendia muito bem, mas depois... A memória era fraca né? Coitado! O que tem demais um rapaz tão jovem se acabar nos botecos da vida aos finais de semana, gente?!


Um dia exu chegou junto, olhou mais um pouco para Jessé e começou a mandar avisos. O rapaz ficou feliz da vida, endireitou, parou de beber em demasia, parou com as carnes nos bares e com o engasga gato também, ficou lustroso e formoso! Fez a barba, fez regime, começou a estudar e a frequentar o templo assiduamente, educou o vocabulário e parou de olhar para o bumbum das trabalhadoras do templo, ficou respeitoso e sério. Exu só observava...


No ano seguinte na festa oferecida pela casa espiritualista para homenagear os compadres, lá estava Jessé, uniformizado, sério e compenetrado, até se podia dizer que ele estava estudando com afinco os livros indicados pelo dirigente e pelos médiuns mais velhos daquele abençoado templo que ensinavam na escolinha para médiuns da casa.


Exu vibrou para o moço e, de repente, lá estava Jessé servindo como médium a um guardião, seu amigo e protetor! Algumas semanas se passaram e todos ali se voltavam agora para o médium Jessé, mas olhem só o que acontece com a porcaria da vaidade quando não é tratada a base de pancadas fortes até ser assassinada, “coitada”! E não foi que o moço se achou??? Ficou se sentindo O MÉDIUM. Parou de estudar, começou a pesar a mão na cachacinha novamente e quando exu admoestava, ele se corrigia, mas não se emendava!


Foi escolhido pelo sacerdote do templo para com um pequeno grupo de médiuns ir dar uma palestra sobre a umbanda, sobre espiritismo, entre outros. Encheu-se de ORGULHO e mesmo sendo alertado por exu para estudar minuciosamente sobre o assunto que iria tratar na palestra, pasmem, o rapaz não obedeceu, não leu sequer uma folha do livro indicado e ele tinha uma semana para isto, pensou que a entidade lhe tomaria a mente e exu mesmo falaria como sempre costumava fazer, quando incorporado em seu médium, nas noites em que precisava orientar os consulentes.


Exu falou para ele mais uma vez:




Exu: _Moço, moço! Estuda, se orienta e se disciplina, não vou trilhar caminhos por você!


Jessé: _Sim senhor, irmão! Pode confiar que estará tudo na “ponta da língua”...


Exu: _A quem pensa que engana? Ou você busca pelo conhecimento ou ficará só neste caminho! Sei o que sente e o que pensa, não tenho cartola mágica e não faço os problemas desaparecerem!



No dia da palestra haviam muitas pessoas presentes, convidados com cadeiras numeradas. Três médiuns explanaram, cada um sobre o tema de sua responsabilidade. Elucidaram as pessoas presentes (encarnados e desencarnados) e quando chegou a vez do médium Jessé, o rapaz ficou esperando exu falar por ele, mas cadê que o compadre fez isto? Jessé ficou sem jeito e pediu desculpas para as pessoas, pediu que outro companheiro falasse em seu lugar, alegou estar indisposto e saiu muito, mais muito sem graça da frente de todos. Enquanto procurava desesperadamente um lugar para assentar bem longe dos que lhe olhavam com espanto, (sacerdote umbandista e companheiros de templo), ouviu intimamente a voz de exu em tom severo a admoestar-lhe:




Exu: _Avisei a você sobre o dia de hoje! Vou deixar você bater cabeça já que é isto que quer. Nós exus de lei não somos os “Gênios das lâmpadas” de ninguém, não estamos à disposição dos médiuns para lhes satisfazer os tolos caprichos. Sua mediunidade corre risco, Jessé, vejo que não se emenda, que não quer crescer e nem quer reformar-se. Precisa seguir pelo caminho que todos os médiuns que querem se melhorar seguem, o da HUMILDADE!



Reflitamos!


[important]Fonte: Missão de Luz 
Por: Marcos Marchiori/Letícia Gonçalves[/important]