22 de abr de 2013

Só dia 23? É Pouco!

ogum, orixá, umbandaEstamos chegando no dia 23 de abril, “Dia de Ogum”. Centenas de festas são realizadas para comemorar esse Orixá de tanta força e representação em nossa Umbanda e em nossa vida. É uma das festas mais importantes e mais empolgantes da Umbanda, caracterizando o próprio Orixá.


Sabemos que Ogum é a Ação da Lei; reta, correta, ativa e justa.


É o impulso que nos faz lutar para conquistar.


É a capacidade de capacitar, de permitir e abrir.


É o sangue quente percorrendo nosso corpo, alimentando nosso coração e oxigenando nossa mente.


É a determinação que nos proporciona a liberdade em seu sentido real.


É o guerreiro, o desbravador que nos permite a evolução.


É o Ar e o Fogo Ativando e Transformando Tudo e Todos !


Ogum é aquele que sempre está em “ronda” para proteger os injustiçados e fazer a ordem ser cumprida com vigor.


Sou suspeita em falar, mas cultuar Ogum é vital para aqueles que querem vencer suas batalhas internas e externas, com força, coragem e determinação.


Portanto, Ogum É OGUM!


Eu, particularmente, tive e ainda tenho maravilhosas vivências, bênçãos e, por que não dizer, milagres concedidos por esse Orixá.


Sua ação é tão expressiva em minha vida que pensar em participar de sua festa é muito pouco para demonstrar meu amor, minha fé e minha total devoção a esse Orixá.


Lembro com muita emoção uma das inúmeras manifestações de Ogum em minha vida que aconteceu no início do meu desenvolvimento mediúnico.


Fazia pouco tempo que eu havia entrado naquela corrente de trabalho, o terreiro era grande, com cerca de 150 médiuns e na época, fazia um trabalho assistencial religioso para cerca de 1000 assistidos.


Meu Pai Espiritual, o qual respeito muito, era e ainda é um nome importante na Umbanda, um grande líder religioso, semanalmente permitia e abria as portas de seu terreiro para a assistência e para os médiuns encontrarem um caminho divino para percorrer e respostas para suas inquietações e aflições.


Pois bem, fazia pouco tempo que eu ‘conhecia’ a Umbanda e que estava naquele terreiro, portanto, mesmo atuando ativamente como médium, também tinha minhas aflições e inquietações, principalmente em relação a minha caminhada espiritual e a casa que agora fazia parte.


Quem já não se fez perguntas do tipo: ‘estou no caminho certo?’ ou ‘será que devo confiar nessa casa?’, mesmo porque, no meu caso especificamente, tinha acabado de sair de um terreiro que me deixou grandes marcas negativas sobre a Umbanda, sobre a estrutura “Terreiro” e a conduta moral do líder religioso.


Outro ponto significativo para minhas aflições era que minha família, marido e dois filhos, também estavam comigo correndo o mesmo ‘risco’, poderia ser outra roubada.


E, no meio dessas aflições que envolviam a mim e meu marido, a fé, a busca pelo melhor, o amor, a espiritualidade e a paciência em obter as respostas, sempre estiveram presentes de forma muito ativa, viva e até harmonizadas.


E chega dia de gira, mais um dia comum se não fosse um detalhe, era dia 23 de abril, dia de Ogum, fato esse que passou despercebido por mim e pela minha família até chegar ao terreiro e me posicionar. Foi na fila da corrente mediúnica, ao esperar a gira começar, que ouvi comentários sobre o dia de Ogum.


Automaticamente olhei para meu marido que estava do outro lado, na fila masculina, e percebi que ele também já sabia do fato. Saliento que na época conhecia muito pouco sobre a Umbanda, os estudos e as informações eram muito escassas.


E de repente a curimba rufa, o Pai entra e o canto começa. A defumação acontece e meu corpo sente uma energia fora do comum, fiquei meio tonta, fora de foco, mas tudo sobre controle. Perto de mim estava minha filha pequena com 7 anos e cerca de 90 médiuns mulheres. À minha frente, do lado esquerdo do terreiro, estava meu marido e a fila de médiuns homens, cerca de 60. Na curimba, junto com o Ogã do terreiro, estava meu filho, na época com 12 anos.


Tudo estava tranquilo, os cantos, os médiuns, a energia e minha família, no entanto as perguntas martelavam meu mental e foi nesse momento que eu decidi algo diferente para mim, decidi que independente de eu estar no lugar certo ou fazendo a coisa certa eu faria e estaria plena, verdadeira, corajosa e aceitando o que seria de meu merecimento. Sem dúvidas, sem medos e sem preocupações.


Envolvida por esse turbilhão de pensamentos, emoções e no auge da mais importante decisão da minha vida a curimba rufa com vigor, o Pai saúda Ogum, todos se ajoelham e o canto começa: nessa casa de guerreiro, Ogum… vim de longe para rezar, Ogum…, louvo a Deus pelos doentes, Ogum…


Nessa hora o único pensamento que me envolvia era “Eu me entrego Senhor, eu me entrego em suas mãos, faça de mim seu instrumento e me aceite como sua filha!”


As lágrimas escorriam, minhas mãos suavam, meu corpo tremia e meu coração batia com tanta força que achei que não iria aguentar…


Não aguentar?… O que é isso para Ogum!!!


Quanta coisa ainda tinha que aprender…principalmente no quesito da Dúvida.


Como duvidar? Como achar que estamos sozinhos  perdidos ou que lágrimas escorrendo, corpo tremendo, mãos suando é o suficiente e o máximo que a espiritualidade pode nos proporcionar? Pois Ogum É OGUM, ele não se contenta com pouco, como também não faz pouco em nossa vida.


Estava ajoelhada, e abro um parênteses para enfatizar que meu desenvolvimento ainda estava no inicio, que na assistência estavam cerca de 1000 pessoas esperando e pedindo a benção dos Orixás e outro detalhe: quando o Pai incorporava, principalmente Ogum, era o ponto máximo para os médiuns tamanha era a força e a vibração desse Orixá, todos abaixavam suas cabeças com total respeito, devoção e reverência, algo emocionante de se ver. Então, estava eu, ajoelhada e totalmente entregue, Ogum estava em terra com suas espadas astrais em punho, percorrendo o terreiro, saudando o povo da rua, envolvendo a todos indistintamente quando senti uma presença forte sobre mim, abri os olhos lentamente para ver o que poderia ser e para meu espanto vi os pés, somente os pés de meu pai espiritual. Isso mesmo! Ele estava sobre mim, as espadas de Ogum estavam sobre mim, minha cabeça parecia que ia explodir, meu coração bateu forte como nunca e sem saber o que fazer, lentamente levantei meu olhar até que ele, Ogum, gesticulou para que eu me levantasse.


Nossa! Confesso que não estava entendendo nada – como assim eu? Não! Estou enganada, é com outra pessoa! – pensava… e olhei para os lados todos continuavam de cabeça baixa, e então olhei de novo para Ogum e ele reafirmou sua solicitação.


Nessa hora, meu coração explodiu, eu já não era mais eu… Cheguei a cair no chão de tanta energia, e ao me levantar, estava totalmente tomada e plena dessa energia.


Era Ogum!


Ogum, me aceitou e me acolheu.


Ogum provou e afirmou a sua existência.


E agora eram dois Oguns marchando plenamente por cerca de 40 minutos naquele terreiro sagrado envolvendo as dezenas de médiuns e as centenas de assistidos que ali se encontravam em um único compasso ao som do atabaque a rufar sem parar, respondendo muitas perguntas e apaziguando muitos corações aflitos!


As lágrimas eram incontroláveis, assim como o movimento do corpo.


Simplesmente inesquecível, verdadeiro e acalentador.


A gira em si teve seu percurso normal apesar de nunca ter ocorrido uma manifestação como aquela no Terreiro.


Mas as emoções para mim ainda não tinham acabado, mesmo porque isso é muito pouco para Ogum. Quando retornávamos para casa, meu marido e meus filhos comentaram sobre o ocorrido, era a primeira vez que conseguíamos conversar depois de entrarmos no terreiro, e meu marido me contou que chorou muito quando viu aquela cena pois, assim que ele soube que era dia de Ogum o único pensamento dele era: “PAI ME DÊ UMA PROVA DE QUE EU E MINHA FAMÍLIA ESTAMOS NO CAMINHO CERTO”


Compreendi, naquele momento, porque meu coração é “vermelho”.


Compreendi, naquele dia, porque Ogum É OGUM!


Compreendi o quanto esse orixá atua em nossos corações.


Compreendi o quanto ativo, vivo, pulsante é sua ação.


Ele, o Divino, o Panteão, a Força, o Ar, o Fogo, o Senhor e Pai, é TUDO em si e favorece TUDO DE SI, basta entregarmos TUDO que somos.


Isso É OGUM!


Claro que Ele ainda continua dizendo para mim: É POUCO!


Claro que as emoções que já senti por Ele e com Ele, para Ele, É POUCO!


E é claro que minha demonstração de amor por Ele ainda É POUCA.


E como eu, assim como Ele, não me satisfaço com pouco quando a questão é TRABALHO e AMOR, postarei todos os dias, durante sete dias, matérias sobre Ogum, ESSA É NOSSA FESTA. Serão ensinamentos sobre sua ação, suas qualidades e manifestações, serão histórias emocionantes somente sobre Ogum.


Portanto, ficarei muito feliz se eu puder contar com todos nessa corrente de emoção, agindo como Ogum em nome da fé, do crescimento humano e da evolução espiritual.


Será muito bom conhecer as histórias de fé de todos.


Participem, contem as mudanças que Ogum já fez ou faz na vida de vocês, o blog está aberto a todos que têm e que querem compartilhar o Amor.


Vamos fazer o Astral tremer de emoção, Ogum chorar de alegria e a Umbanda refletir sua verdadeira Luz Divina! Plena, viva e envolvente.


Vamos emocionar e nos emocionar.


Afinal, Ogum É OGUM!


Patacury Ogum !



[notice]

Hino de Ogum:


 Nesta casa de guerreiro, Ogum


Vim de longe pra rezar, Ogum


Rogo a Deus pelos doentes, Ogum


Na fé de Obatalá, Ogum


Ogum salve a casa santa, Ogum


Os presentes e os ausentes, Ogum


Salve nossas esperanças, Ogum


Salve velhos e crianças, Ogum


Nego velho ensinou, Ogum


Na cartilha de aruanda, Ogum


E Ogum não esqueceu, Ogum


Como vencer a demanda, Ogum


A tristeza foi embora, Ogum


Na espada de um guerreiro, Ogum


E a luz do romper da aurora, Ogum


Vai brilhar neste terreiro, Ogum


[/notice]

Uma excelente semana de Ogum a todos! Muito axé e até amanhã!


[important]Por: Mãe Mônica Caraccio
Fonte: Minha Umbanda[/important]