24 de abr de 2013

Características mediúnicas - Do livro: “Umbanda, Essa Desconhecida”

orixás, orixá, umbandaZIVAN: Obedecendo ao triângulo da forma dentro da Umbanda, cada entidade tem uma característica própria ao se manifestar. Por que?


PAI VELHO: - Porque obedecem à vibração própria de cada linha. Para cada um dos sete Orishás Regentes, os seus enviados se expressam nas suas roupagens fluídicas de maneira característica.


ZIVAN: Quais são essas características de incorporação em cada uma dessas linhas?


PAI VELHO: Cada uma das irradiações dos sete Orishás atua em um chacra específico do corpo etérico, irradiação essa que, por seu teor vibratório, irá ocasionar diferentes singularidades no aparelho receptor, com variações decorrentes deste ou daquele chacra vibrado e dessa ou daquela entidade atuante, que pertença, também, a essa ou aquela vibração original.


Inicialmente vejamos a vibração de caboclo, que abrange as linhas de Oshalá, Oshosi, Ogum, Shangô e Yemanjá.


Oshalá: essas entidades incorporam suavemente, com vibrações pelas costas e nuca do aparelho. O chacra vibrado é o coronário, o que faz com que o aparelho curve ligeiramente a cabeça. As entidades dessa linha falam pouquíssimo e quando o fazem o seu linguajar é perfeito e correto. Não gostam de dar consultas e suas incorporações são para esclarecimento de pontos de doutrina. Raramente usam a chamada “chefia de cabeça” e não gostam de se manifestar após a nove horas da noite, só o fazendo em raríssimos casos.


Oshosi: essas entidades vibram por meio do chacra esplênico, produzindo suas vibrações nas pernas, de baixo para cima e no tronco dos seus aparelhos, o que produz um movimento de rotação sem ser violento e nem brusco.


Tais entidades são suaves, porém diretas, gostam de dar consultas e são mestres na arte de curar por meio de profundos conhecimentos das ervas e sua terapêutica. Falam pausado, geralmente caminha muito, caracterizando-se pelos seus assobios e estalar de dedos e emitem o som “Okê” que é um mantra.


Ogum: atuam no chacra umbilical ou plexo solar, suas vibrações são geralmente bruscas e violentas, provocando no médium movimentos de arranco característicos. Ao se incorporarem, imitam sons estridentes, abertos, gritados na vogal “ê”, o que sem dúvida é um som mágico, um “mantra” de fixação e de movimentação na precipitação de certas camadas. A postura dos Oguns é sempre ereta, imponente e desempenada, graças a irradiação de cima para baixo, provocada pela imantação do plexo solar, no sentido do tronco e do busto, o que provoca um movimento de descontração para fora, que observamos no movimento do braço esticado, com o dedo em riste, do médium incorporado com essas entidades.


Shangô: essas entidades caracterizam-se pelo modo brusco de suas incorporações, seguidas pelo som semi-agudo na vogal “ô”, que emitem amiúde quando “firmadas” nos seus aparelhos. O chacra vibrado é o cardíaco, o que faz sentir pelo movimento dos punhos dos Shangôs a essa região, fixando seus aparelhos. Raramente falam ou dão consultas, porém deslocam as mais sutis vibrações em seus trabalhos. Além do movimento característico de bater com os punhos fechados na altura do chacra cardíaco do seus instrumento para fixar vibrações, os Shangôs sempre se curvam em humilde reverência, quando se apresentam. Isso é, indubitavelmente, a consequência do chacra em que atuam, o cardíaco, que se reflete no amor enorme e na humildade suprema de suas reverências.


Yemanjá: esta linha é também conhecida como a do “povo da água” ou “povo do mar”. Caracterizam-se suas vibrações pela sensação de frio e arrepios pelos braços, tronco, costas, nuca e cabelos, principalmente, seguida pelo girar rápido porque, no momento em que o aparelho é tomado pela entidade, há perda do centro de gravidade, tal a força vibratória deslocada e produzida em seus médiuns. O chacra vibrado é o frontal, o que provoca uma ativação maior nas glândulas lacrimais, fazendo com que o aparelho chore, por vezes, copiosamente.


Este chacra ativado dá reflexos na região cervical produzindo sons, evidentemente mantras, não raro, de grande beleza, que o vulgo, comumente, atribui a um canto ou lamento, sem dúvida pela associação do mar ao canto das sereias.


As entidades destas linhas raramente dão consultas e quando o fazem sua voz tem nuanças profundas de sons indescritíveis, claros e cristalinos. Têm conhecimentos profundos e grande vibração.


As linhas de Yori (crianças) e Yorimá (Pretos velhos) já foram definidas quando tratamos das três formas básicas da umbanda.


Posso, entretanto, dizer que a vibração de Yori, a mais rara, não é, absolutamente, esse “circo de cavalinhos” que você observa amiudadas vezes.


A vibração das crianças caracteriza-se por sua pureza, por sua beleza de inocência simbólica, jamais pelas “patacoadas” grosseiras e até mesmo malévolas que querem atribuir a essa linha. É muito comum ouvir dizer: “Eu gosto de consultar as crianças, pois elas não tem papas na língua e dizem tudo!”


Isso é o maior dos absurdos! Ou então: “Aquela criança falou o que não devia e agora está presa, não pode baixar”.


Quanta incoerência!... A linha dos puros, dos iniciados, transformada em linha de garotos travessos e irresponsáveis, não muito puros e não muito sábios, usados para fins ilícitos com o beneplácito de um caboclo ou de um preto velho também não muito responsáveis, que depois os “prendem” e não os deixam mais “baixar”!


Na maioria das vezes não são crianças, são quiumbas ou espíritos zombeteiros, obsessores que vêm perturbar as reuniões, ou quando não, Exus pagãos que são confundidos pelos mais “sabidos” com a mais pura das vibrações, a de Yori.


Nesta linha o chacra vibrado é o laríngeo, daí a voz do médium a se afinar, torna-se clara, de aparência infantil.


Suas vibrações são suaves e gostam de consultar sentados no chão, manipulando coisas doces ou que contenham açúcar.


[important]Por: Roger FeraudyDo livro: Umbanda, Essa Desconhecida – Editora do Conhecimento
Fonte: Missão de Luz[/important]