27 de mar de 2013

Os falsos umbandistas

engambelo, falsidade, falso, enganação, lobo, duas carasExistem pessoas que quando ouvem falar em preto velho e caboclo torcem o nariz, ouvir falar de exu então...


A primeira vista o que percebemos é o preconceito que em muitos casos é o que vigora forte nas mentes dos incautos, está relacionado a falta de informação e ao pouco respeito que muitos têm pelos negros, índios e mestiços. Como se só os espíritos que se apresentam em trajes elegantes, com a cútis clara, os olhos azuis e os cabelos lisos, tivessem o direito de falar aos encarnados. Mas não podemos generalizar, pois nós mesmos um dia estivemos do lado dos que torciam o nariz para os irmãos do Alto e tudo começou na nossa infância.


Fui criada dentro de uma família kardecista, eram vegetarianos, daqueles que não comiam nem peixe, vivi este tempo com minha avó paterna e depois fui morar em definitivo com minha mãe. Já afastada da família paterna, passei a ter contato a partir da minha adolescência com pequenos centros de “umbanda”, recebia as cachimbadas dos pais velhos e seus conselhos e adorava tudo aquilo, mas quando fiquei mocinha passei a ver médiuns que “incorporavam” “exus”, babavam, caiam pelo chão e xingavam a mãe de quase todo mundo!


Infelizmente até então nunca havia adentrado um local onde se praticasse a umbanda com a verdade, com respeito e com amor. Matavam os animais, bebiam seu sangue... Ouvia falar coisas terríveis a respeito do espiritismo e acreditava em tudo, pois não tinha ainda orientação adequada.


Cresci e me tornei mulher, porém continuei a entender a “umbanda” como um local onde se matavam os bichos e fazia-se o mal para o outro, mediante pagamento em dinheiro, ouvia pessoas dizerem que “incorporavam” orixás, vi infelizmente tudo o que não é Umbanda! Horrorizada e totalmente desmotivada, fui “pulando” de lugar em lugar, de “nação em nação”, conhecendo o lado podre do espiritismo, e tendo com isto, uma visão distorcida das entidades espirituais...


Até a literatura que me indicavam era de baixa qualidade, cujos médiuns estavam a serviço dos obsessores que assinavam e ainda assinam nomes interessantes se fazendo passar por este ou aquele exu de lei, o que não é verdade. Como diz Ramatís, “vilipendiando os verdadeiros exus”!


Extremamente mal informada fui seguindo e acreditando que nossos irmãos eram mesmo espíritos atrasados e ainda desequilibrados, decidida a retomar somente com o kardecismo, extremamente confusa, vez ou outra me via a cantarolar um ponto de exu ou de preto velho, saudosa e já desconfiada dos médiuns, ou seja, depois da turbulência pela qual passei nas casas por onde andei como consulente e até mesmo como médium, depois de alguns anos comecei a estudar muito e finalmente percebi que o erro, se é que posso me referir assim, estava com o medianeiro e não com o guia... Só depois de me afastar e de não desejar jamais manter contato novamente com qualquer guia espiritual, os livros de Ramatís carinhosamente foram me chegando as mãos, cada um mais interessante do que o outro, mais elucidativo, meu Deus! Estava diante de um presente dos céus.


Os livros que o amado Hercílio Maes psicografou me deram um norte sobre os fenômenos mediúnicos, sobre as questões que sempre me incomodavam, entretanto percebi que os livros que Norberto Peixoto psicografou, me ensinaram mais e melhor sobre a Umbanda. Mostrando-me a umbanda de amor, da verdade, da caridade e de Jesus. Daí para frente passei a ter contato com livros de outros médiuns cujos autores espirituais me ensinaram muito mais e de forma a me clarear as ideias (estudos sobre a umbanda, diversos autores sérios), induzindo-me a um caminho sem armadilhas.


Nós sempre falamos aqui no “Missão De Luz” que existe literatura de qualidade, psicografada ou não, e, que precisamos buscar as mais sérias, cujos autores e médiuns sejam respeitados dentro de cada trabalho...


O preconceito é oriundo da falta de informação, do pouco conhecimento e é também um estigma negativo, pois a falsa idéia que não exigiu verificação, estudo ou observação para depois ser “pesada na balança”, é o resultado do equívoco humano.


Tem muita gente que se sente constrangida em assumir que veio de um segmento religioso equivocado e inadequado, onde fora mal orientado, mas eu não.


Tanto ontem como hoje os equivocados dirigentes ou "pais de santo" que se dizem “umbandistas”, médiuns incautos que nunca quiseram praticar a caridade e o amor ao próximo como se deve, que contribuíram negativamente para que uma boa parte de pessoas pouco informadas e pouco orientadas como eu fui no passado, passassem a ter medo dos espíritos e a vê-los como os vilões. Distorceram e ainda distorcem a verdade sobre o espírito, por exemplo, que serve como exu, referimo-nos as entidades incorporantes. Atribuem-lhe a imagem de um homem decadente e pervertido, falastrão e mulherengo, carnívoro, extremamente mau e vingativo, assim como estes mesmos incautos, falsos umbandistas, deturparam a imagem de outros guias com sua visão equivocada e pouco adestrada no amor e no conhecimento que equilibra.


Estes pobres coitados são responsáveis pela matança indiscriminada de animais (sacrifícios) pelo desrespeito a natureza e ao semelhante, disseminam a idéia da vingança através dos feitiços malignos, o uso inadvertido da mediunidade, propagam a ideia de que o “trabalho” ou despacho arriado erroneamente em encruzilhada urbana, se é que nos fazemos compreender, pode encobrir os erros cometidos pelas pessoas (pagamento aos quiumbas para o livramento dos males, etc.). Como se não tivéssemos que nos mudar internamente para deixarmos de ser pecadores!


Estes irmãos são os responsáveis por muitos equívocos de cunho religioso e ainda hoje em tempos onde a informação chega primeiro, insistem em não ver seus erros e com isso não mudam os velhos hábitos e atitudes atávicas.


Os amigos podem pensar que tem gente que não se depara com pessoas assim, que é fácil se desviar deste caminho, é só buscar o lugar certo e pronto. Ora! Poucos são os que conseguem nascer dentro de um grupo que instrui com responsabilidade, pouquíssimos são os que têm a oportunidade de não adentrar a um recinto que se diz “umbandista” deparando-se com uma imagem (de gesso) de um ser com patas de bode, vermelho e com chifres, segurando um tridente enorme, agarrado a uma mulher seminua, conspurcando assim a verdadeira imagem de Exu.


Nem todas as criaturas têm a sorte de encontrar seja na literatura (alguns livros) ou em casas ditas “umbandistas” a umbanda da verdade, ou seja, aquela que não sacrifica, que não pede pagamento, que não profana, que não agride consciências, que não exige, que não ofende, etc. Sabemos que há dentro da umbanda irmãos ainda desequilibrados que pouco a pouco, vão harmonizando-se.


Até outro dia, falava-se pouco sobre umbanda, sobre os orixás, dos seus trabalhadores, sobre os “elementos de rito” como diz sempre o médium Norberto Peixoto (médium de Ramatís) e para que servem, ou seja, de uma década para cá, as informações estão sendo mais divulgadas e os bons dirigentes estão mais empenhados em combater a desinformação e os maus adeptos no sentido de instruir e fazer quem sabe, desaparecer das mentes, o preconceito e a falta de conhecimento.


Quantos são os que ainda frequentam as casas espiritualistas em segredo?


Quantos são os que se constrangem em falar que são umbandistas? Quantas pessoas têm medo de responder ao irmãos fanatizados por outros segmentos religiosos, a doutrina que seguem temendo com isto sofrerem preconceito, desprezo, etc ?


Mais uma vez deixamos bem claro nosso profundo respeito pelos irmãos que destoam de nós em opinião e que cultuam outra religião, não houve pretensão neste texto em julgar ou criticar, mas sim de alertar para a necessidade de acordarmos e de buscarmos orientação em outros locais, de nos apressarmos em sermos mais esclarecidos e menos preconceituosos, a fim de evoluirmos positivamente, passando com isso a refazer o mesmo caminho sem cairmos nas mesmas armadilhas.


É importante que não condenemos nossos semelhantes, o certo é seguir em frente mais humildes e desejosos de bons esclarecimentos, despojados do orgulho virulento e da vaidade.


Quantas pessoas hoje em dia descobrem que nunca cultuaram verdadeiramente os Orixás?


Matar animais em sacrifício, exigir pagamento pela “caridade”, rolar pelo chão, pedir sangue, gritar, babar e falar obscenidades enquanto “incorporado”, mentir, usurpar... Definitivamente, ISTO NÃO É UMBANDA!


Desejamos paz a todos!


[important]Por: Letícia Gonçalves com participação de Marcos Marchiori
Fonte: Missão de Luz[/important]