19 de mar de 2013

Algumas das influências e diferenças dos cultos africanos, da pajelança indígena, do catolicismo e do espiritismo - l parte

orixás, orixá, umbandaCultuamos os orixás na umbanda; por isso, é importante enfatizar algumas diferenças cruciais em relação aos cultos das diversas nações africanas. Primeiramente, temos de ressaltar que a prática umbandista não é politeísta: acreditamos em um Deus único e inigualável, não importando muito se o seu nome é Zambi, Olurum ou simplesmente Pai. Os orixás são forças da natureza, energias cósmicas provindas do Criador. Portanto, não os incorporamos nem eles apresentam características humanas, como vaidade, ciúme, sensualidade e raiva. Não nos vestimos com as roupas dos deuses nem damos de comer aos "santos" incorporados, e eles também não aprendem a dançar conosco.


Quem se manifesta nos terreiros de umbanda são espíritos desencarnados que têm afinidade com determinado orixá e formam as chamadas linhas vibratórias. Na maioria, são entidades que ainda irão reencarnar e que estão em aprendizado recíproco com seus médiuns. Como têm um compromisso coletivo a realizar, encontram no Astral oportunidade de aprendizado e evolução fazendo a caridade. Outras (a minoria) são mentores que não mais reencarnarão compulsoriamente no planeta, e, por possuírem um elevado amor, estão vinculadas à coletividade espiritual terrena nos auxiliando, assim como Jesus o faz desde épocas imemoriais.


Uma significativa parcela dessas consciências extracorpóreas já poderia estar nos planos vibratórios celestiais, mas, por vontade própria, exercitando o livre-arbítrio, optaram por atuar em densa camada evolutiva, como a da Terra. Assim como as águias conseguem voar rente à superfície do solo, junto às galinhas d'angola, os que ascenderam podem fixar-se mais abaixo, nas escalas evolutivas, para estar mais próximos dos que amam e que ficaram para trás na escada do espírito eterno. No entanto, o inverso requer esforço, transformação e mérito, assim como a galinha d'angola não consegue pairar voando no sopé da montanha como a águia o faz.


Na umbanda, a mediunidade é um processo natural, decorrente de uma ampla sensibilização fluídica do espírito do médium, antes do reencarne, de forma a facilitar a sintonia com as entidades que o auxiliarão e que têm compromisso cármico com ele. Então, é dispensável as camarinhas e os longos isolamentos para "deitar pro santo", os pagamentos pecuniários aos sacerdotes, a fim de obter ritos de iniciação, bem como os sacrifícios animais com cortes rituais na altura do crânio do médium para fixar "divindades" no chacra coronário. Também não é preciso dar comida à cabeça para firmar o guia nem "obrigações" de troca com o Sagrado, muito menos adotar procedimentos de imolação com derramamento de sangue para reforçar o tônus mediúnico, que são interferências ritualísticas existentes em outros cultos, mas não fazem parte dos fundamentos da umbanda.


Todo o método de interferência e "acasalamento" medianímico entre aparelho encarnado e guia espiritual é natural e se concretiza após longa preparação entre encarnações sucessivas, conforme pôde ser comprovado pela manifestação límpida e cristalina da mediunidade em Zélio de Moraes, que, em tenra idade física, recebeu o Caboclo das Sete Encruzilhadas, numa expressão de mediunismo espontâneo e inequívoco. Há de se registrar que ele não teve "pai de santo" e nunca permitiu que o chamassem com tal distinção sacerdotal, o que nos leva a refletir sobre a vaidade existente entre certas lideranças umbandistas, cujas criaturas são iguais a quaisquer outras. Nunca se teve tantos sacerdotes, mestres, gurus e discípulos inseridos numa ferrenha e aguerrida competição entre "escolas", buscando a prevalência entre as ovelhas, como hoje, na era da comunicação digital, das listas de discussões na internet. Esquece-se de que se os pastores brigam pela tosquia do rebanho, poderá faltar lã na invernada.


Temos na origem africana da umbanda consistente fundamentação, especialmente a do conhecimento dos orixás, dos elementos, das ervas, dos cânticos, enfim, da magia. Foi pelo sincretismo entre a religiosidade africana e o catolicismo que os fundamentos dos orixás se mantiveram ao longo dos tempos no Brasil, embora, voltando ao passado remoto, à época da submersa Atlântida, cheguemos a esses mesmos ensinamentos sagrados, detectando que a essência em suas semelhanças foi mantida, ainda que tenha havido uma enorme diversidade de culto na história das religiões. Inquestionavelmente, se não fossem os africanos trazidos para solo pátrio não teríamos os orixás na umbanda atual.


[important]Por: Ramatís - médium Norberto Peixoto - do Livro “Umbanda Pé No Chão” - Editora do Conhecimento
Fonte: Ramatis - Missão de Luz[/important]