6 de fev de 2013

Mediunidade e os guias

preto-velho, umbanda, magia, yorimá, consulta, consulentePergunta – Mediunidade é uma provação purgatória, uma punição retificativa para espíritos faltosos com a Lei Divina?


PAI VELHO – Cremos que mediunidade não é uma provação como se o espírito estivesse no purgatório católico. Também não pode ser uma punição. Em verdade é uma bênção, uma dádiva divina, uma concessão dos Regentes do Carma ao espírito faltante com a Lei Maior para que possa durante a sua reencarnação ser impulsionando novamente à evolução.


Jesus dizia “quando jejuares, lava o rosto e unge a cabeça”, sinalizando a postura do homem crístico. Assim, jejua – mas não desfigura o teu rosto se rendendo ao vazio do estômago rebelde. O espírito sensibilizado para ser médium é como o discípulo em jejum, devendo aprender a dominar seus instintos primários para o seu próprio equilíbrio, com suavidade, sem fanatismo ou servilismo, dominado a si mesmo. Inicialmente a mediunidade é um dever compulsório, um fardo pesado, mas aos poucos se torna um querer e viver espontâneo para o indivíduo que a educa e a exercita regularmente nas tarefas que se lhe são pertinentes. Mediunidade se bem educada, é um eficiente recurso facultado pela Lei Cósmica, para resgatar carmas, movimentar positivamente a roldana da evolução espiritual e harmonizar o ser com suas raízes ancestrais. Devemos superar a velha ilusão atávica que ser bom cidadão e medianeiro cristão seja necessariamente “ser sofredor”. Lembremos que também os Guias Espirituais que acompanham o médium estão em processo evolutivo e o apoiarão. Dizia o grande apóstolo de Jesus, Paulo de Tarso: “ eu transbordo de júbilo no meio de todas as minhas tribulações”, pois mediunidade com Jesus é o caminho: “meu jugo é suave e meu peso é leve”.


Pergunta – Podeis dar-nos maiores elucidações quanto a vossa assertiva “os Guias Espirituais que acompanham o médium estão em processo evolutivo”? Então, os mentores não são espíritos perfeitos?


PAI VELHO – Hierarquizar a ordem evolutiva do infinito Cosmo Espiritual para a compreensão dos filhos da Terra é impossível. Qualquer sistema classificatório é um arremedo da infinita diversidade de consciências em seus variáveis estágios evolutivos. Em relação aos seus médiuns podemos afirmar que os Guias do lado de cá são espíritos “perfeitos”, no sentido que já criaram dentro de si uma atitude e atmosfera psíquica permanente de total transformação pelo “agir que segue o ser”, venceram o velho ego em encarnações sucessivas e renasceram com um novo Eu Espiritual que emana amor e almeja servir ao próximo incondicionalmente. Numa série de luminosas diretrizes, Jesus em seus ensinamentos contidos no evangelho registra a derrota do pequeno ego humano diante da vitória inexorável do verdadeiro Eu Divino Imanente. A total auto-realização ou cristificação do homem tornando-o um espírito “perfeito” o mantém como consciência que está em infinita busca de evolução.


Assim, no imensurável oceano da bem aventurança cósmica os espíritos “perfeitos” ou cristificados - venceram os apelos dos planos inferiores e renasceram para o Reino de Deus - navegam em diferentes graus evolutivos, mas igualados uns aos outros pelo fato de serem imperfectíveis diante do Pai – Única e Absoluta Perfeição – que por sua vez é inigualável. Logo, pelo nosso eterno estado de imperfectibilidade em relação ao Criador, somos inexoravelmente atraídos para Ele, este Todo Perfeito, numa força cósmica que impulsiona-nos a um movimento ascensional indescritível de suprema beleza e amor universal.


[important]Por: Pai Tomé - Médium: Norberto Peixoto - Do livro: Aos pés do Preto Velho  – Ed. do Conhecimento[/important]