15 de fev de 2013

Maslow, Buda e a Umbanda!


Um músico deve compor, um artista deve pintar, um poeta deve escrever, caso pretendam deixar seu coração em paz. O que um homem pode ser, ele deve ser. A essa necessidade podemos dar o nome de auto-realização.


Abraham Harold Maslow (1908 - 1970)



preto-velho, umbanda, magia, yorimáA Umbanda é um caminho real para evolução espiritual!


Um dia ao se atravessar o grande portal, que a Umbanda abre para todas as consciências, fica muito difícil enveredar por outra estrada, ou realizar o caminho de volta para sair pela porta que entrou.


De certa forma é válido as palavras: "Quem está fora não queira entrar, quem está dentro não deseje sair."


Na sua essência, se deseja expressar, que a Umbanda é uma viagem sem retorno. Uma vez vivida a experiência, jamais seremos os mesmos novamente.


Não, amigo leitor, não são palavras que desejam atemorizar ao leigo e o neófito, não existe nada na Umbanda que se deva temer, nem tão pouco, algo que impeça alguém de sair. Qualquer coisa que indique o contrário, são mitos, lendas e superstições.


Na Umbanda existe sim, como religião, uma marcante experiência de "religare" e uma vivência transformadora.


Seu processo iniciático produz a abertura consciencial para apreensão de ensinamentos profundos e esses seus ensinamentos imprimem uma transmutação de valores transcendentes em todos os seus adeptos.


Na Umbanda, não se doutrina, se vive, não se acredita, tem fé, não se dogmatiza, se racionaliza, não se impõem, se apreende. Talvez, por isso, não seja ela uma religião codificada doutrinariamente, tendo em vista, que abarcadora de consciências, prefira trabalhar psico-espiritualmente com as diferenças para aglutiná-las pelas semelhanças de forma fraternal e cooperativa.


Eis o fundamento, que molda o movimento umbandista, com uma abrangência tão extensa de ecletismo e, por que não dizer, também de sincretismo. Eclética na diferenciação de suas diversas escolas e sincrética por absorver ritos e liturgias exteriores a si mesma, no intuito de que sirvam de adaptadores conscienciais as individualidades, que dela se aproximam. Como sempre lembramos, existe um terreiro adequado para todo e qualquer tipo de consciência.


Intrinsicamente universalista, a Umbanda, é dinâmica e aparentemente flexível ou maleável para as necessidades conscienciais das coletividades que a compõem. O objetivo principal é sempre, não devemos esquecer, a evolução espiritual do ser humano, independente da forma que a favoreça.


Procurada por muitos e apresentada por tantos outros, principalmente seus próprios adeptos, como uma religião de solução ou enfrentamento dos problemas de origem material, mesmo que com fundo espiritual, a Umbanda realmente trata estas necessidades básicas dos indivíduos, embora seja apenas uma faceta de sua área de atuação. Essa visão reducionista, somente trouxe prejuízos a imagem da religião, que geraram entre outros a pecha de "baixo espiritismo". Na verdade, a Umbanda, oferece todo um conjunto holístico de soluções para o ser humano e suas coletividades.


O seu processo de atendimento fraterno e espiritual, obedece a pirâmide das necessidades e desejos de Maslow.


Abraham Maslow, psicólogo, consultor norte-americano  estudioso do campo das motivações, criou uma teoria segundo a qual as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa hierarquia de importância e influenciação. Essa hierarquia de necessidades é representada e visualizada em uma pirâmide, em cuja base estão as necessidades mais baixas e no topo as mais elevadas. A necessidade fisiológica fica localizada na base e a necessidade de auto-realização no cume desta pirâmide.


 


 Um detalhe muito importante da Teoria de Maslow é que ela diz que a pessoa tem que ter a sua necessidade do nível inferior satisfeita, ou quase integralmente satisfeita, para sentir a necessidade do nível superior. Ou seja: a pessoa que não tem suas necessidades de segurança satisfeitas não sente ainda necessidades sociais. E assim por diante.


Nas palavras do próprio Maslow:




... à medida que os aspectos básicos que formam a qualidade de vida são preenchidos, podem deslocar seu desejo para aspirações cada vez mais elevadas.



Consciente dessas necessidades e desejos do ser humano, a Umbanda inicia o seu contato pela base da pirâmide, sendo que, em todos os instantes o conjunto de suas soluções sempre possibilitam a antevisão ou a possibilidade de ascensão para os níveis superiores da hierarquia proposta na teoria de Maslow.


Como estamos falando de Umbanda e por consequência de espiritualidade, podemos acrescentar, na base da pirâmide, junto as necessidades fisiológicas (alimentação e sobrevivência), as dores e sofrimentos psicológicos, emocionais e espirituais dos indivíduos. Assim fazemos, pois embora largo o portal da Umbanda para todo tipo de consciência, o caminho, que leva as pessoas a religião é estreito, pontuado invariavelmente pela dor e o sofrimento. Os que entram, pela primeira vez, em um terreiro de Umbanda, buscam respostas para as necessidades da base da pirâmide de Maslow, raros são os que chegam a ela, querendo atender os desejos do cume (auto-realização).


Ao conquistar a estabilidade das necessidades da base da pirâmide, o então consulente ou visitante, deseja manter de forma perene o estado alcançado e assim se torna adepto, resolvendo as necessidades do segundo nível hierárquico da pirâmide, Segurança.


Como adepto ele inicia uma troca e uma efetiva participação na coletividade e suas diversas atividades, realizando os desejos e necessidades do terceiro nível hierárquico, ou seja o Social. Plenamente adaptado a religião e sua coletividade, o próximo nível de satisfação se manifesta e Estima (Status), passa ser a palavra-chave para sua motivação.


Para o cume da pirâmide ser alcançado, depende exclusivamente do próprio adepto. Faz-se mister, ter apreendido uma visão da essência da Umbanda em detrimento da forma, conquistado evolução e aurido valores espirituais elevados. Parece simples, mas não é fácil.


A solução holística, como denomino o processo de atendimento, que a Umbanda realiza, as necessidades identificadas pela Teoria de Maslow, se consubstancia na integralidade intrínseca ao 'modus operandi' dos trabalhos em um terreiro.


Senão, vejamos:




  1. No atendimento espiritual, as entidades sempre escutam e tentam apresentar soluções para os problemas enfrentados pelos consulentes e localizados na base da pirâmide (necessidades da vida material, emocional e psíquica);

  2. A duração do tratamento e a assiduidade da frequência, imputam em atender os quesitos do nível de Segurança;

  3. No âmbito do nível Social, podemos incluir os ensinamentos e orientações para vida que são repassados e a oportunidade do exercício desses valores espirituais, morais, éticos e de cidadania, dentro e fora da própria coletividade.

  4. Os ritos, a liturgia, os trabalhos mediúnicos e a vivência ativa na religião, geram a satisfação das necessidades do nível Estima (Status), além de permitir ao adepto um posicionamento de umbandista consciente e cidadão planetário.

  5. A Auto-realização como, já explicitamos é pessoal e intransferível e consequência do auto-aperfeiçoamento do adepto.


Coadjuvantes primordiais nesse processo e reverberadores para aplicação dessa solução holística em seus adeptos, consulentes e frequentadores de seus terreiros, os dirigentes (Pais/Mães-de-Santo) devem estar plenamente cônscios de seus papéis e responsabilidades de facilitadores e orientadores.


Antes deles, nós umbandistas (os filhos-de-santo), devemos estar sempre alertas e conscientes de como permitimos, que essa facilitação ocorra, na forma como vivemos este relacionamento com os facilitadores e o que entregamos, de nós mesmos, para que esses orientadores nos conduzam no caminho espiritual.


Desde de que o mundo é mundo e religião existe, os arquétipos farisaicos, o fundamentalismo e os mercadores da fé estão servindo de modelo e sendo copiados indiscriminadamente. Devemos sempre cuidar para não nos tornarmos nenhum deles e não deixarmos nos envolver por ninguém, que assim proceda.


No universo religioso e da espiritualidade institucionalizada, não podemos deixar de concordar, que infelizmente nos deparamos com realidades como as que estão bem definidas na entrevista fornecida por, um dos Mestres do Budismo Tibetano da atualidade, Lama Dzongsar Khyentse Rinpoche (trecho adaptado):




Vivemos em um mundo onde somos atormentados pela constante insegurança. A espiritualidade tornou-se um negócio, então os dirigentes espirituais (...) sempre sentem a necessidade de gerar mais negócios. Dada esta insegurança, sabendo do ponto fraco das pessoas, é bem fácil vender espiritualidade. Todo homem ou mulher de negócios, estou certo, sabe o que leva a se vender coisas. Primeiro, você diz às pessoas que há algo que elas devem ter, algo que elas não têm. Então, você lhes diz que o lugar para comprar é aqui, de você. Nós temos tudo que você precisa. O Buddha disse: "Não confie na pessoa, mas confie nos ensinamentos. Não confie nas palavras, mas confie no significado." Este é um grande conselho. Quando entramos no caminho espiritual, é importante sermos muito cuidadosos.



Esses são realidades tristes e lamentáveis. Experiências que podemos nos poupar se estivermos vigilantes. Uma das vacinas para se detectar essas discrepâncias e não se tornar vítima desses modelos de pessoas é utilizar com os dirigentes espirituais o seguinte crivo, ou seja, estar atento para a manifestação das seguintes características:




  1. Querer que a sua verdade, seja o certo incondicional para todos;

  2. O seu certo, não pode ser contrariado de forma nenhuma.

  3. Querer ganhar sempre;

  4. Não querer perder nunca.

  5. Agir na frente das pessoas de uma forma, por trás de outra;

  6. Ter dois pesos e duas medidas em seus julgamentos.

  7. Fomentar, de alguma forma, a idolatria, para si.

  8. Propaganda exacerbada dos fatos e ocorrências, sempre maravilhosas de si mesmo, dos seus dons espirituais e da espiritualidade ao seu redor;

  9. Não enfrentamento do que está errado.

  10. Correção e ajustes apenas do que estiver de acordo com o seu interesse pessoal.


Por, outro lado, os umbandistas, devem aprender a separar a religião, o mundo espiritual, das pessoas, do ser humano, que são os dirigentes de um terreiro.


Iguais a nós, eles são cheios de defeitos, falhas e com as mesmas necessidades e desejos. Se nós erramos, eles também erram. Óbvio e elementar.


Idolatria, fé cega, obediência incondicional e dedicação exclusiva jamais devem ser atitudes adotadas pelo adepto.


As responsabilidades dos dirigentes de terreiro são grandes e as suas ações na orientação e direcionamento de almas, devem ser isentos de interesses pessoais e objetivos próprios, que não sejam, o de servirem a coletividade e seus integrantes, quer queiram ou não.


O movimento umbandista, não está livre do farisaísmo, do fundamentalismo e tão pouco dos mercadores da fé.


Por outro lado a Umbanda, nada tem haver com isso, a religião oferece todo um conjunto de oportunidades para o religare com o Divino e o Sagrado. O plano do mundo espiritual é aplicado, independente dessas discrepâncias e a falta de rumo de alguns, profundo e abrangente, este plano tem como objetivo, colaborar prioritariamente, com a evolução individual e coletiva, não só dos seus adeptos e dirigentes, mas do planeta.


Ao tratar a pirâmide das necessidades e desejos de forma integral e holística, fornecendo orientações seguras para um caminho espiritual profícuo e evolutivo, a Umbanda oferece a todos, as ferramentas necessárias para auto-realização e armas adequadas para uma vigilância permanente as possíveis armadilhas que se apresentem. Maslow e Buda que o digam.


[important]Por: Pai Caio de Omulu - Fonte: Umbanda sem mistério[/important]